Melasma: A ciência por trás dos resultados

Um dos problemas que mais levam as pessoas, especialmente as mulheres, a buscarem tratamento, é a hiperpigmentação da pele em áreas frequentemente expostas ao sol. O Dr. João Tassinary abordou o tema durante uma de suas concorridas palestras e propôs uma associação potente para combater a alteração cutânea. A NEGÓCIO ESTÉTICA acompanhou e agora trás os detalhes da apresentação

Carmen Cagnoni (@carmencagnoni)

Manchas acastanhadas, simétricas, de bordas irregulares, porém com limites definidos. Eis as características básicas da afecção estética capaz de impor dificuldades ao trabalho do profissional que busca excelência de resultado. Isso porque o melasma é resistente às terapias de controle, bem como recorrente. Para entender essa dinâmica é preciso resgatar alguns conceitos. A cor da pele humana resulta da interação de vários pigmentos: o exógeno amarelo provém dos carotenoides; o vermelho deriva da hemoglobina oxigenada nos capilares da derme; o azul é decorrente da hemoglobina reduzida nas vênulas. “O principal componente é a melanina, uma proteína de tom castanho, de alto peso molecular e que assume um aspecto enegrecido de acordo com sua concentração. Quando ocorre uma disfunção na melanogênese, ou seja, na produção dessa substância, surge o melasma”, explica o Dr. João Tassinary, Doutor em Medicina e Ciências da Saúde na área de Clínica Médica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Mestre em Ambiente e Desenvolvimento, Graduado em Fisioterapia e Biomedicina com Habilitação em Estética e Presidente da Academia Brasileira de Estética Científica.

O melasma é uma afecção de altíssima incidência no Brasil, mais especialmente no Nordeste, e causa muitos incômodos. “Recentemente, um artigo publicado em um jornal de dermatologia avaliou a qualidade de vida de mulheres com o problema. Foi constato que elas têm maior ansiedade, menor vontade de sair de casa e passam o tempo todo pensando em esconder as manchas”, conta. Sendo assim, a palestra abordou práticas baseadas em evidências científicas, ou seja, quais são os tratamentos disponíveis, mundialmente conhecidos, com um bom nível de comprovação científica, baixo custo e promotores de resultados. “Apresentei alguns artigos abordando o uso de laser de alta potência, cujo custo é alto, mostrando que o índice de recidiva refratária, quer dizer, de o melasma aparecer de novo entre três a seis meses depois do tratamento é de 50%. Mostrei também artigos falando sobre o uso de hidroquinona, que ainda é muito utilizada, porém é uma substância citotóxica e pode gerar muitos efeitos colaterais. Conclusão: o caminho é o raciocínio clínico baseado no que nós temos em primeira linha, como os peelings químicos feitos com alfa-arburtin, ácido glicólico e tranexâmico, associados a outros procedimentos, como o uso de laser e LED de baixa intensidade. Há estudos preliminares mostrando que ele inibe a síntese de melanina e, normalmente, o profissional de estética tem esse aparelho, de custo bem mais acessível. Ativos orais que estão em voga, também podem ser usados. Há dois com bom nível de resultados, o picnogenol e o ácido tranexâmico, porém este último tem muitos efeitos colaterais, sendo o primeiro mais seguro. O que temos feito na prática clínica é a seguinte associação: na clínica, peelings químicos com pH mais baixo e uso de laser de baixa intensidade. Em home care, ácidos tópicos e ativos orais – sem contar, a aplicação fundamental de protetor solar. Com esse tratamento a recidiva é bem menor se comparada à aplicação de recursos que trabalham com fototermólise e agridem o melanócito”, descreve o especialista.

CAUSA E CONSEQUÊNCIA

Muitos fatores estão associados ao surgimento do melasma e, mesmo que a origem não seja totalmente conhecida, pesquisas mostram que a predisposição genética e a exposição às radiações solares configuram os principais motivos. “Há, porém, outros agentes com associação positiva ao desenvolvimento da afecção, os quais devem ser igualmente considerados pelos profissionais no momento da avaliação do paciente e, consequentemente, na elaboração do plano de tratamento. Entre eles, gestação, terapias hormonais, contraceptivos orais, cosméticos, drogas fototóxicas, endocrinopatias, estresse emocional e inflamações cutâneas”, explica o Dr. Tassinary.

Estudos realizados com a técnica imuno-histoquímica com Melan-A permitiram identificar melanócitos maiores e com elevado número de detritos na pele com melasma quando comparada a uma pele normal. Outras pesquisas evidenciaram o aumento do número de melanócitos e de sua funcionalidade. De acordo com o médico, “a hipótese mais aceita é de que o melasma é causado tanto pelo incremento do número de melanócitos quanto pelo aumento da atividade das enzimas melanogênicas. Nesse sentido, os tratamentos atuais buscam atuar positivamente nessas rotas e, como condutas de alta evidência, há a associação de eletroterapia, ativos tópicos e orais”.

TRIO ANTIMANCHAS

Eletroterapia: o destaque vai para a fototerapia, especialmente a realizada com LED 660 nm com intensidade de 2,5 a 10 J/cm². “O mecanismo de ação se dá pela inibição da síntese de melanina, via tirosinase, uma vez que a expressão das proteínas tirosinase, TYRP1, DCT e MITF se torna menor após a aplicação. É importante lembrar que outros comprimentos de ondas também mostram evidências no que diz respeito à inibição da melanogênese, em 585 nm. Está comprovada, inclusive, a indução da autofagia dos melanócitos em 830, 850 e 940 nm”, detalha.

Ativos tópicos: o ácido kójico é um agente antitirosinase conhecido desde 1989 e também um ‘ladrão’ de radicais livres. É originário das espécies Aspergillus e Penicillium e de um grande número de cadeias isoladas de fungos e alimentos fermentados provenientes do Japão. “A atividade clareadora se dá através da inibição da enzima tirosinase, bloqueando o processo de melanogênese. A ação quelante de íons de cobre e de ferro permite a captura, o transporte e a eliminação desses agentes no organismo, combatendo pigmentos cutâneos, como a hemossiderina”, descreve. Já o azelaico é um ácido dicarboxilíco saturado de nove carbonos, convencionalmente utilizado no tratamento do melasma e da acne vulgar devido às propriedades despigmentantes, bem como clareadoras, antimicrobianas e anti-inflamatórias. “Pesquisas demostram que esse ativo é um agente despigmentante que atua na inibição da síntese de DNA e das enzimas mitocondriais, induzindo efeitos citotóxicos diretamente sobre os melanócitos. Além disso, atua seletivamente em melanócitos hiperativos e anormais, não tendo nenhum efeito em outras linhagens celulares da pele ou dos melanócitos normais”, pontua.

Nutricosmético: o mais indicado é o picnogenol, um ativo com amplo espectro de atividades biológicas, oriundo da casca de uma espécie de pinheiro chamada Pinus pinaster. Em sua composição há, principalmente, proantocianidina (potente subclasse de flavonoides antioxidantes e outros orgânicos, como os ácidos hidroxicerâmicos, cafeico, ferúlico, gálico e vanílico). “Suas ações positivas em pacientes com hiperpigmentação de pele estão inicialmente relacionadas ao fato de ele ser um sequestrante natural em potencial de todas as espécies de oxigênio reativas, fisiologicamente relevantes, reduzindo os danos causados à pele por radicais livres induzidos pela luz solar. Investigações têm mostrado recentemente os efeitos da suplementação com picnogenol no tratamento do melasma, pois o mesmo fornece fotoproteção e reduz a hiperpigmentação da pele humana a partir da minimização da atividade da tirosinase e da síntese de melanina”, conclui o Dr. João Tassinary.

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