Fundamentos da ação do ozônio na diminuição da gordura subcutânea inestética

Já encontramos respaldo na literatura mundial que justifica a inclusão do ozônio nos diversos protocolos envolvendo a diminuição da gordura subcutânea inestética, por isso, atualmente, a ozonioterapia tem se constituído num excelente recurso terapêutico para o tratamento das lipodistrofias, tanto para a gordura localizada1 quanto para celulite.2, 3

O principal efeito atribuído ao ozônio para diminuir o tecido gorduroso é a peroxidação lipídica, que se caracteriza pela degradação oxidativa dos lipídios, devido à sua reatividade ou poder de oxidação.4 O ozônio pode decompor os lipídios em vários derivados, como lipoperóxidos, hidroperóxidos e produtos de oxidação lipídica (LOPs) de pequeno peso molecular.5  E ele é capaz de se ligar às duplas ligações de carbono dos ácidos graxos (Polinsaturados) dividindo-as (Ozólise – reduz suas cadeias – de longa para curta – tornando-as hidrofílicas), assim, as cadeias lipídicas são fragmentadas, por meio da oxidação, e isso pode causar danos nas paredes celulares que são constituídas de fosfolipídeos (bicamada) e lipoproteínas.2, 6, 7

Portanto, segundo alguns autores,4, 7, 8 a peroxidação lipídica produz reações oxidativas que podem causar mudanças nas propriedades físico-químicas das membranas celulares, como por exemplo: aumento da permeabilidade da membrana; e mudanças na fluidez, podendo gerar “expulsão” do líquido intracelular, após ruptura das membranas celulares (oxidação lipídica dos fosfolipídios e lipoproteínas), e das organelas, com consequente morte celular adipocitária.

Além destes conceitos, considerados básicos na ação do ozônio na estrutura lipídica, encontramos ainda outros efeitos que respaldam o uso da ozonioterapia no tratamento de zonas celulíticas. Um deles, é que há uma correlação entre o estresse oxidativo e processos fibróticos na pele,9 pois as espécies reativas de oxigênio (EROs) podem estar associadas à evolução fibrótica celulítica, incluindo a estimulação crescente de fibroblastos,10 portanto, quando a ozonioterapia produz diminuição do estresse oxidativo11 pode influenciar no tratamento da celulite, por isso, em nossa prática clínica, recomendamos a ozonioterapia sistêmica como adjuvante ao tratamento celulítico local, a fim de provocar maior liberação de elementos antioxidantes.

Outro fator importante no componente fisiopatológico celulítico é a estagnação da microcirculação (Paniculose),3 por isso, o ozônio pode ativar a microcirculação e é capaz de eliminar fluidos intersticiais estagnados (Edema celulítico crônico).2

Por fim, o ozônio também exerce ação anti-inflamatória, reduzindo assim a produção de citocinas pró-inflamatórias, imunoglobulinas e mediadores inflamatórios,12, 13 esse efeito pode ser importante para certos tipos de tecido celulítico.

Autores2 comprovaram os seguintes efeitos da ozonioterapia no tratamento de celulite: Diminuição da gordura subcutânea, incremento da microcirculação, melhora progressiva do tônus ​​da pele e redução da sensação de peso nos membros inferiores.

Quanto ao protocolo de tratamento para celulite, encontramos alguns relatos publicados, com os seguintes parâmetros: concentrações que giram em torno de 1 a 5 microgramas,3 volume de 3 a 5 mililitros (ml) em cada ponto,2 volume total de 200 mililitros por sessão,3 periodicidade de 1 a 2 vezes por semana,14 e associação de insuflação retal e drenagem linfática manual com óleo ozonizado.3

Quanto ao tecido adiposo em forma de gordura subcutânea localizada, autores1 utilizaram uma metodologia muito diferente da que empregamos no Brasil. Eles estudaram como a variação da concentração e do volume a cada sessão poderia influenciar no resultado do tratamento, e constataram que o ideal é utilizar uma única concentração (20 microgramas) e variar o volume total de gás a cada sessão, aumentando esses valores gradativamente (iniciou com 250 ml e terminou com 600 ml).

Os autores verificaram como resultados do estudo: diminuição do contingente adiposo subcutâneo, do peso e da massa gorda geral; diminuição do nível de leptina (indicando diminuição da gordura); ativação dos sistemas antioxidantes: aumentou o conteúdo de glutationa total e diminuiu o conteúdo de malondialdeído; e afetou o metabolismo do tecido adiposo, influenciando no conteúdo e transporte de triglicerídeos, bem como no conteúdo de lipases do soro sanguíneo, além de afetar também o transporte de colesterol, ou seja, houve repercussão sobre os níveis séricos, portanto, devemos ficar atentos à quantidade de gordura tratada, assim como dos exames laboratoriais antes de iniciar o tratamento. Pelo exposto, entendemos que a ozonioterapia se constitui num recurso eficiente e comprovado para o tratamento de lipodistrofias estéticas, como a gordura localizada e as zonas celulíticas, por isso, recomendamos que se inclua a ozonioterapia nos protocolos de tratamento, associados ou não a outros recursos terapêuticos, como uma metodologia de escolha prioritária.

Referências:

1- Poliychuk TP. Oxygen-ozone therapy for patients with localized fat deposits. Thesis of the Higher Certification Commission of the Russian Federation – Candidate for Medical Sciences: 14.01.10 – Skin and venereal diseases. St. Petersburg Medical Academy of Postgraduate Education of the Federal Agency for Healthcare and Social Development “. 2010. 151 s. Available in

https://www.dissercat.com/content/kislorodno-ozonovaya-terapiya-patsientov-s-lokalnymi-zhirovymi-otlozheniyami/read

2- Galoforo AC et al. (2002) Valutazione della validità dell’OssigenoOzonoterapia nel trattamento della PEFS. Rivista Italiana di Ossigeno-Ozonoterapia 1: 87-92.

3- Cuccio G, Franzini M. (2016) Oxygen-ozone therapy in the treatment of tissue adipose diseases. Ozone Therapy; vol 1:6270.

4- Di Filippo C et al. (2010) Antiarrhythmic effect of acute oxygen-ozone administration to rats. Eur J Pharmacol; 629:89-95.

5- Bocci V. (2010) The Clinical Application of Ozonetherapy. OZONE, 97–232. doi: 10.1007/978-90-481-9234-2_9.

6- Cardoso O et al. (2018) Ozone therapy in painful lipodystrophies. A preliminary study.  Ozone Therapy, 3(1).

7- Lim Y et al. (2006) Modulation of cutaneous wound healing by ozone: Differences between young and aged mice. Toxicol Lett. 160(2): 127–34.

8- – Vasconcelos SML et al. (2007) Espécies reativas de oxigênio e de nitrogênio, antioxidantes e marcadores de dano oxidativo em sangue humano: Principais métodos analíticos para sua determinação. Quim. Nova, Vol. 30, No. 5, 1323-1338.

9- Siems W et a. (2005) Anti-fibrosclerotic effects of shock wave therapy in lipedema and cellulite. Biofactors, 24, 275–282.

10- Conti G et al. (2020) Proteomic and Ultrastructural Analysis of Cellulite—New Findings on an Old Topic. Int. J. Mol. Sci. 21, 2077; doi:10.3390/ijms21062077.

11- Galiè M et al. (2019) The Role of Nrf2 in the Antioxidant Cellular Response to Medical Ozone Exposure. Int. J. Mol. Sci. 20, 4009.

12- Borrelli E et al. (2015) Oxygen ozone therapy in the integrated treatment of chronic ulcer: a case series report. Int J Recent Sci Res; 6:4132-6.

13- Thakkar V, Thakkar H. (2014) Ozone (O3): an excellent adjunctive tool in medical and surgical management of patient. Int J Res Med Sci; 2:1257-61. 14- Sirito MA. (2006) Oxygen-Ozone therapy for local adipose deposits and oedematous Fibroesclerotic Panniculopathy. Rivista Italiana di Ossigeno Ozonoterapia 5: 37-39.

Fabio Borges é fisioterapeuta e Mestre em Ciências Pedagógicas.

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