Educador em micropigmentação

O mercado em alta desperta o desejo de muitos profissionais partirem para a carreira de instrutor. Você faz parte desse grupo? Então, antes de divulgar seus cursos nas redes sociais entenda as minúcias dessa área promissora, sim, desde que você se prepare corretamente para ela

Carmen Cagnoni

É fato que o mercado da beleza continua em rota de crescimento. Entre as principais tendências do setor apontadas pela ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), o mercado de micropigmentação continua figurando entre os tops. Em consequência dessa expansão, novos profissionais entram no mercado de trabalho diariamente, bem como há um aumento na oferta de cursos, workshops e palestras para o segmento. As inovações não param nos quesitos técnica, equipamento, produto. Sendo assim, muitos veem na área de educação um caminho com boas perspectivas. Porém, se a princípio essa escolha pode parecer fadada ao sucesso, na verdade ela pode levar a uma carreira curta e ao comprometimento de todo o mercado. Isso porque há muitos optando por essa linha de atuação sem o mínimo de instrução necessária.

MERCADO CARENTE

Parece contraditório que em um mundo tão rico de oferta e procura, haja queixas sobre a falta de bons professores de micropigmentação. “É interessante essa percepção e a pergunta que fazemos é: por que isso acontece se há tantos profissionais talentosos e com sucesso reconhecido em seu trabalho? A explicação está no fato de ser um bom profissional, bom artista e expert de ponta não garante a qualificação necessária para ser um bom educador. Quando se escolhe dar aula é preciso olhar não só para técnica e arte, mas para a instituição ligada ao ensino e ao conhecimento. É necessário adaptar valores profissionais aos de escola. Olhar para o ensino não é só replicar aquilo que se sabe, mas adentrar o universo do aluno que já traz muitas expectativas. Trabalhar cada um individualmente é a chave e não a fechadura, como eu gosto de citar, para interpretar suas dificuldades e seus anseios. O profissional ávido por entrar na área deve se doar muito porque lidará com diversos tipos de pessoas”, explica Márcia Martins, diretora pedagógica da Mag Estética (SP).

Vânia Machado, esteticista, visagista e micropigmentadora, Coordenadora Científica de Micropigmentação dos Congressos Estética in de todo o Brasil e Internacional Master Trainer, concorda e vai mais fundo na realidade: “Há um grupo enorme de pessoas querendo entrar na área e há aquelas já dando curso sem estarem preparadas para isso. Quem quer seguir esse trabalho com responsabilidade, tem de ter conhecimento aprofundado. Muitos profissionais terminam um curso de micropgimentação e na semana seguinte já partem para lecionar. Como você vai treinar um novo profissional se não tem instrução suficiente nem para si? Antes, se qualifique buscando conhecimento o mais aprofundado possível. Profissional raso forma um profissional mais raso ainda”, argumenta.

Essa falta de preparo pode comprometer todo o setor, uma vez que ‘joga’ no mercado de trabalho, profissionais que precisariam investir em capacitação. “Eu acredito ser fundamental ter eloquência quando se está realmente procurando formar pessoas para lidar com o bem-estar do outro. E eu tenho recebido muitas clientes para o processo de despigmentação, porque elas se depararam com micropigmentadores sem o devido preparo. Nós lidamos com vida, têm clientes que não conseguem se olhar no espelho porque não se conhecem mais e isso destrói a autoestima. É preciso ter um compromisso sério e ético com o ser humano. É claro que todos nós podemos errar em algum momento, mas o que difere um bom profissional de um ruim é como ele consertará essa falha”, defende Vânia.

BASE SÓLIDA É ESSENCIAL

Todo profissional que tem o desejo de iniciar na docência, se pergunta o que é preciso para ser um bom instrutor. “Eu sempre digo que são muitas as ações que têm que ser pensadas na hora de decidir se ele está apto para ensinar a técnica. A principal delas é possuir uma visão geral de vários assuntos pertinentes à profissão. Ele tem de conhecer a química dos pigmentos, a fisiologia e os tipos de pele, o comportamento dela em relação aos pigmentos que serão depositados, os fototipos e a dinâmica que existe em relação às diferentes tonalidades cutâneas para identificar como as tintas vão interagir com cada um deles, entre outros assuntos pertinentes”, orienta Márcia Martins.

Outro fator preponderante, segundo ela, é saber lidar com pessoas. “O profissional deve criar e desenvolver uma dinâmica de classe. Há muito mais detalhes envolvidos no aprendizado do que simplesmente assimilar como fazer uma manobra. E só é possível transmitir técnicas através de uma metodologia de ensino abrangendo desde o conteúdo em si até o próprio aluno”, complementa.

Conhecer profundamente o tema a ser ensinado. Não há dúvidas sobre a preponderância desse fato, apesar de ser importante lembrar a não existência de um órgão que cobre um nível específico para quem pretender ser um educador em micropigmentação. “Na realidade, não seguimos normativas, porque nossa profissão não é regulamentada – e creio estarmos longe disso. Os cursos na área são livres, nós, profissionais experientes, é que determinados, por bom senso, ser difícil ter um currículo rico em cursinhos muito rápidos. Poucas horas não são suficientes para um embasamento sólido”, avisa Eliana Giaretta, umas das mais conceituadas profissionais do setor e sócia-proprietária da Academia Brasileira de Micropigmentação (Itatiba, SP), além de pesquisadora, instrutora internacional e escritora.

FOCO NA CARREIRA

Além de todas as características importantes citadas para se tornar um bom educador, abordar a importância do trabalho com produtos e equipamentos de qualidade também deve fazer parte da grade curricular. “O professor que tem consciência e a mente afiada para formar um aluno no todo, também indicará a escolha das boas ferramentas que esse aluno utilizará desde os seus primeiros passos”, diz Márcia Martins. Esse cuidado é fundamental para que não haja resultados imprevistos, como alteração de cor do pigmento pós-procedimento. Aprender a lidar com as redes sociais, conhecer a legislação para a abertura de um negócio no setor, contabilidade para lidar com a área financeira, dominar a oratória, entre outros temas, também são importantes. “Para se profissionalizar na educação, busque bons cursos e não escolha só pelo preço. Há alunos de alunos, de alunos dando aulas! Veja se a escola é sólida, avalie o conteúdo e o envolvimento dos professores com o mercado – será que ele é itinerante e esta ali só por uma estação? Lembre-se de que aprender com pessoas sem preparo – ou ensinar sem estar apto para isso – impacta o setor”, alerta Eliana Giaretta. Há raros cursos específicos de formação para instrutores em micropigmentação. Como já abordado, a maior parte desses profissionais tem formação básica e cursos de aperfeiçoamento. Pensando na demanda do mercado, a Mag Estética, pioneira na técnica de micropigmentação no Brasil e que atua desde 1983 ministrando cursos profissionalizantes na área de beleza e bem-estar, oferece o curso Preparatório para Instrutores em Micropigmentação com um programa bem completo para atender as necessidades da categoria. Inovador e pioneiro, o curso é presencial, com pré-requisito de formação básica na área e tem duração de três dias em período integral.

Pontos-chave na profissão

Para ser um instrutor há três fatores básicos, segundo a Coordenadora Científica dos Congressos de Micropigmentação da Estética in, Vânia Machado.

1. Conhecimento técnico e profundo na área de atuação. “É preciso fazer isso com muita qualidade de resultado, com consciência do que se faz e porque se faz. Nós temos o compromisso de passar o máximo de informação de maneira consciente.”

2. Didática. “Não adianta saber para si, é fundamental ter a capacidade de explicar de forma muito clara e objetiva para outra pessoa (com a mesma qualidade da prestação de serviço) a forma que o aluno deve fazer para aquilo acontecer. Ensine como gostaria de ter aprendido.”

3. Ética. “Ser ético e profissionalmente capaz de saber que todo conteúdo deve ser passado com sequência lógica. Não adianta pensar: ‘eu sou professor, sei ensinar a fazer um fio bárbaro! Comece de um jeito básico e com qualidade. Passe amor a cada aula. Mostre de maneira clara sua paixão e comprometimento com o crescimento consciencioso da área de micropigmentação.”

FRASES

 “Nossa profissão é de grande responsabilidade. Ela não é considerada de saúde, mas é de interesse da saúde. Assim, conhecimento e experiência precisam contar pontos. Antes de partir para ensinar, aprenda tudo e um pouco mais! Mesmo trabalhando com uma técnica específica, você precisa conhecer todas disponíveis. E ao escolher quem vai lhe ensinar não se deixe levar só por preço ou por uma bela foto na rede social de um trabalho realizado – ela pode ser fake! Pesquise, acompanhe a trajetória, a história e a experiência daquele profissional antes de se inscrever em um curso qualquer.”
Sidney Duarte, micropigmentador e professor no Instituto Léo Calheiros (Rio de Janeiro e São Paulo)

“Para ser um bom educador acredito que é preciso, primeiramente, amar a profissão que exercemos. Entender sobre o assunto e procurar se aperfeiçoar é fundamental, mas ter paixão pelo tema também. Ensinar algo que temos o prazer de falar acontece com muito mais verdade e leveza. Ser educadora é estar em constante aprendizagem e jamais se acomodar na zona de conforto do seu conhecimento. Ensinar não é uma atividade solitária. É aprender junto. É estar aberta para diferentes personalidades e formas de aprendizagem. Não existe um jeito correto, pois isso é muito relativo. Ter flexibilidade e humildade podem nos levar ainda mais longe no nosso conhecimento do que forçarmos uma forma estática de aprendizado.”
Roberta Peixoto, International PMU Master Trainer, Makeup Artist, International Speaker & Trainer, fundadora da Roberta Peixoto Academy (Londrina, PR)

Somos uma empresa com coração e alma humanos. E a humanidade nos traz inquietude para buscarmos sempre o novo, discernimento para abraçarmos as causas certas, coragem para seguirmos adiante mesmo em face de tempos difíceis, orgulho para mostrarmos a grandiosidade do segmento brasileiro.

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