A evolução da pesquisa e do ensino em Saúde

Os estudos em Anatomia do corpo humano datam de 500 a.C. no sul da Itália, com Alcméon, que realizava dissecações em animais. Mais tarde, um texto clínico da escola hipocrática descobriu a anatomia do ombro estudada com a dissecação. Aristóteles mencionou as ilustrações anatômicas quando se referiu aos paradigmas. Muitas descobertas lá realizadas podem ser atribuídas a Erasístrato e Herófilo, os primeiros que realizaram dissecações humanas de modo sistemático.

A partir do ano 150 a.C., a dissecação humana foi de novo proibida por razões éticas e religiosas. No século II, Galeno dissecou quase tudo, macacos e porcos, aplicando depois os resultados obtidos na anatomia humana, quase sempre corretamente; contudo, alguns erros foram inevitáveis devido à impossibilidade de confirmar os achados em cadáveres humanos.

Desde antes de Cristo se enxerga a necessidade do aprendizado em Anatomia para o desenvolvimento de Técnicas Cirúrgicas e Não Cirúrgicas, Invasivas ou Não Invasivas.

Devido ao avanço das técnicas, à criação de novas ferramentas e a crescente demanda por segurança e assertividade durante os procedimentos, cadáveres humanos são ainda a melhor opção para estudo e treinamento. Porém, ao considerar o uso de cadáveres humanos para treinamento e aprendizado, um dos fatores mais importantes é a sua preservação.

Tradicionalmente, o estudo da Anatomia voltado para prática clínica se dá por meio de cadáveres conservados em formol.

Contudo, há uma crescente tendência que tem revolucionado a experiência de alunos e mestres no ensino em Saúde, e a Estética não foge a essa tendência. Trata-se do Estudo em Cadáveres Frescos ou Fresh Frozen Cadavers como são chamados nos Estados Unidos, país que deu origem a essa prática.

Espécime cadavérico

Os cadáveres são dissecados e congelados dentro de 48 horas após o atraso post-mortem, a uma temperatura de -20°C. No geral, não são usados ​​produtos químicos de preservação.

A cada uso, os espécimes de cadáveres são descongelados a 15°C. Para o descongelamento, as extremidades inferiores levam aproximadamente um dia, e os torsos, três dias. Os espécimes são usados ​​por um máximo de quatro ciclos de congelamento e descongelamento, devido à deterioração dos tecidos moles após o uso prolongado.

Possibilidades do fresh frozen cadaver

Os cadáveres permitem que os médicos pratiquem em pacientes que não sentem dor. Eles ajudam os cirurgiões a desenvolver novos procedimentos sem arriscar vidas. Os dentistas dissecam suas cabeças e torsos, e os fisioterapeutas estudam seus sistemas musculoesqueléticos. As empresas farmacêuticas testam drogas neles. As montadoras os empregam como manequins de testes de colisão. Os peritos estudam balística. Equipes forenses aprendem como os cadáveres se decompõem com o tempo. E os profissionais da Saúde Estética têm desenvolvido com muito mais precisão e sobretudo segurança, novas técnicas de harmonização orofacial, preenchimentos, aplicação de toxinas, peelings, além dos estudos da anatomia e da reação de cada procedimento nos tecidos, com a possibilidade de dissecação imediatamente após aplicação.

Experiência pessoal

Tive a oportunidade de realizar estudos em cadáver fresco pela primeira em 2018, no Larkins em Miami, onde pude fazer experimentos e tirar diversas dúvidas que eu tinha sobre o Microagulhamento, duvidas essas que eu não encontrava respostas em materiais já produzidos. O segundo contato com os Fresh Frozen foi em 2021 no CTA – Centro de Treinamento em Anatomia, aqui mesmo no Brasil. Na ocasião, realizei com um grupo de profissionais experimentos sobre aplicabilidade e segurança no uso da Intradermoterapia Pressurizada, e mais uma vez tive a oportunidade de esclarecer dúvidas muito recorrentes na nossa prática clínica. A partir desses estudos pude criar um novo mapeamento de áreas de segurança e aplicação.

Diferenciais

Um dos grandes diferenciais no uso dos espécimes cadavéricos é a possibilidade de realizar testes de uma técnica exatamente como será aplicada no paciente. Ter a textura, impedância e comportamento do tecido similar aos que serão reproduzidos na rotina clínica.

E ainda no campo dos estudos, a possibilidade de dissecar o cadáver e observar “por dentro”, camada após camada, o impacto das práticas clínicas, seja em injetáveis, minimamente invasivos, ou mesmo em ações tópicas.

 As peças anatômicas reais permitem uma maior precisão, realidade e vivência com o corpo humano durante a jornada educacional. Essa prática – em cadáveres frescos – é referência nos Estados Unidos, e sem dúvidas tende e se estender por todo o mundo.

DESVANTAGENS

Por serem, na sua maioria, conservados sem aditivos químicos, os espécimes são usados ​​por um máximo de quatro ciclos de congelamento e descongelamento, o que torna o seu custo elevado. Além disso, é necessário que haja freezers específicos para mantê-los em temperatura adequada e proporcionar o congelamento correto.

EVOLUÇÃO QUE VEIO PRA FICAR

Mesmo com algumas necessidades de adequação, sem dúvidas a prática com cadáveres frescos veio para ficar, tanto no campo da pesquisa, quanto no ensino e desenvolvimento da Saúde Estética e afins.

Já tinha ouvido falar nessa nova tendência? Espero que tenham gostado. Fiquem de olho nas novidades!

Ricco Porto (@riccoporto) é esteticista, cosmetólogo e massoterapeuta, pós-graduado em Estética, Gestão e Docência, mestrando em Educação. Palestrante em workshops, simpósios e congressos pelo mundo, é diretor do Instituto Ricco Porto e criador de métodos exclusivos em Estética Integral.

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