Tá Limpo!

Os cuidados com a assepsia do ambiente de trabalho, bem como com a do profissional, são fundamentais para garantir a saúde e o sucesso dos procedimentos estéticos. Em tempos de coronavírus, o assunto nunca esteve tão em pauta, certo? Se você andou negligenciando esta área tão importante, hora de mudar sua postura

Carmen Cagnoni (@carmencagnoni)

Quando falamos em assepsia, estamos tocando na importantíssima biossegurança, conjunto de procedimentos cuja função é impedir a introdução de germes patogênicos em um ambiente, objeto e organismo. Manter essa conduta é fundamental no dia a dia de esteticistas, micropigmentadores, biomédicos, fisioterapeutas, lash artists, podólogos, ou seja, de todos que atuam no setor da beleza. “A biossegurança na estética tem como seu principal fundamento lidar com as ações de prevenção de doenças no ambiente de trabalho e, principalmente, em relação aos profissionais da área e aos pacientes. Em todos os procedimentos que envolvem a estética ou a saúde, sabemos da importância de sempre ter bons cuidados em relação a vários pontos para melhor atender os clientes e ter reputação íntegra no mercado. Os hábitos de segurança fazem com que o trabalho seja totalmente protegido e bane os riscos eminentes a todos naquele local”, enfatiza Isabel Piatti (@belpiatti), cosmetóloga, tecnóloga em Estética, pós-graduada em Estética e Exercícios Físicos na Saúde da Mulher, especialista em Estética e Cosmetologia com certificações internacionais na Europa, e autora do livro Biossegurança – Estética & Imagem Pessoal. De acordo com a especialista, as regras das boas práticas fazem parte da grade curricular de vários cursos, atualmente, mas no dia a dia, por distração, nem todas as precauções são colocadas em ação.

Márcia Moreno (@marciamorenoesteticista), bacharel em Estética, coordenadora do Curso Superior de Tecnologia em Estética e Cosmética da FMU, especialista em docência na saúde e mestranda em Saúde Ambiental, conta que esses cuidados básicos começaram a despertar interesse a partir de evidências científicas e clínicas da possibilidade de contaminação cruzada e também da impossibilidade de se trabalhar em um ambiente totalmente estéril. “Na contaminação cruzada há transferência de um microrganismo causador de alguma doença de um local para o outro. Ou seja, de uma pessoa para outra, de um objeto para uma pessoa, de um equipamento, de uma superfície… E com o aumento da demanda na área da beleza é necessária a preocupação com a saúde, trazendo mais credibilidade para o profissional e para o seu ambiente de trabalho”, define a especialista.

“Na nossa profissão, temos muita interação com os clientes, seja em uma massagem ou em uma limpeza de pele quando há contato com fluídos corporais – como o conteúdo de pústulas, comedões e sangue. Tem também a chance de estar em atendimento e o cliente espirrar, tossir. Se não seguirmos as normas de biossegurança, as chances de se contrair doenças infectocontagiosas aumentam muito. O profissional da estética, teoricamente, não trabalha com pessoas doentes. Porém, há aquelas aparentemente saudáveis que desconhecem a presença de problemas porque podem ser assintomáticos. Outra coisa que pode acontecer, infelizmente, é o cliente omitir doença pré-existente na anamnese. E de acordo com as Precauções Universais dos serviços em saúde, devemos considerar que todo paciente, ou no caso da estética, todo cliente, pode ser portador potencial de alguma doença, por isso devemos ter uma abordagem segura para proteção dele e de nós mesmos”, avisa Márcia.

E tais cuidados valem para todos: “O maior problema do profissional de micropigmentação que não segue as normas de biossegurança é poder ser infectado ou infectar pessoas e ambiente. Seguir as regras que a ANVISA determina reduz possíveis reações na área onde o procedimento foi aplicado, além de proteger o micropigmentador de eventuais processos e reclamações posteriores. Sem contar que mostrar preocupação e profissionalismo encanta e envolve ainda mais a clientela. Cada detalhe é importante e a micropigmentação exige que sejamos sempre cuidadosos na hora de colocarmos as técnicas em prática”, concorda Andrea Martins (@andreamartinsmag), diretora geral do Mag Group.

O básico do básico

Cabelo solto, unhas compridas, anéis grandes, brincos pendurados, unhas pintadas… O capricho na produção pode ficar lindo, mas nos atendimentos cotidianos constituem problemas, como lembra Isabel Piatti. “Vemos muito esse tipo de produção e de postura nas redes sociais. Se o intuito é fazer uma foto, o deslize é até relevado, mas nos vídeos do YouTube, nos quais são mostrados passo a passo determinados procedimentos, isso se torna um erro. Mesmo com o uso de luvas, acessórios grandes podem causar traumas. Outro descuido que percebo frequentemente é o uso do jaleco fora do ambiente de trabalho”, avisa.

Ela também destaca que é proibido utilizar o celular durante o serviço e isso vale tanto para o profissional quanto para o cliente. “Além de o aparelho ser um carregador de bactérias, vírus e fungos, faz com que o cliente não relaxe no momento do tratamento, bem como pode afetar o foco do profissional e, consequentemente, seu desempenho”, alerta Isabel. Pesquisas americanas já comprovaram que o celular chega a ter 10 vezes mais bactérias que o vaso sanitário, por isso os especialistas recomendam a limpeza periódica do aparelho com álcool isopropílico (ou álcool 70%).

Autoproteção
Usar acessórios como luvas, máscaras e toucas descartáveis é essencial para a segurança do profissional, que também deve prestar atenção no tecido do jaleco: quanto mais grosso, mais proteção ele desempenha. E antes de vestir as luvas, é fundamental lavar as mãos de forma correta. Stéfani Lameze (@stefani.lameze), bacharel em Estética e Cosmética, biomédica habilitada em Biomedicina Estética, docente nos curso de Graduação Tecnológica em Estética e Cosmética da FMU e de pós-graduação em Estética e Cosmética da UniAraras, alerta que essa ação deve ser realizada com atenção: “Além de higienizar a palma das mãos, não se esqueça de lavar o dorso e entre os dedos, bem como o antebraço.”
E existem critérios na hora de escolher o produto de higienização. “Por exemplo, o sabonete em barra, ao formar rachaduras, pode abrigar muitas bactérias. A própria água da saboneteira, somada aos resíduos dissolvidos, também é criadouro para os micro-organismos. Por isso, para uma higienização mais eficiente, evitando a propagação de germes que podem ocasionar infecções, é indicado o uso de um antisséptico, como triclosan ou clorexidina. Já existem no mercado produtos que garantem uma assepsia correta e que zelam pela biossegurança, sem descuidar dos cuidados com a beleza e a saúde da pele”, recomenda Isabel Piatti.

Ambiente na linha

É preciso ter disciplina e organização para chegar com antecedência no local de trabalho, a fim de prepará-lo para o atendimento.

Superfícies fixas como paredes, portas e mobiliários: limpe com água e sabão.

Pisos: evite varrer para não levantar e espalhar o pó. Utilize um pano úmido com água e sabão (ou hipoclorito a 1%) para eliminar a sujeira. “Para essa primeira assepsia pode ser usado um desinfetante. Depois, passe um pano, de preferência descartável, com álcool ou clorexidina. Lembrando que a forma correta de realizar essa tarefa é através do deslizamento de dentro para fora, ou seja, comece do interior do recinto indo em direção à porta”, ensina Stéfani Lameze.

Bancadas, maca e carrinho: nos móveis onde há a manipulação de material biológico a desinfecção deve ser realizada com álcool 70% usando gaze ou papel descartável. A limpeza e assepsia da maca e do carrinho auxiliar também devem ser feitas com álcool 70%. Depois, a bandeja do carrinho precisa ser forrada com papel toalha e as alças encapadas com plástico filme – isso evitará possível contaminação caso seja necessário movimentar o acessório.

Curetas, pinças e outros materiais: devem ser esterilizadas em autoclave. Caso não exista esse equipamento, os materiais devem ser limpos com água e detergente enzimático. Depois, escovados e mergulhados no ácido peracético, um potente agente microbicida.

Toalhas: devem ser trocadas a cada cliente e descartadas em local próprio para evitar riscos de contaminação. Na lavagem, use água, sabão e água sanitária – 200 ml de produto para 20 litros de água. Depois de secas, passe as peças com ferro quente e guarde-as em local limpo, seco e arejado. Se possível, embale uma a uma em saco plástico.

Lixeira: invista no modelo com pedal e troque o saco plástico descartável diariamente. Semanalmente, é preciso lavar o recipiente com água e sabão e depois deixá-lo de molho, por 30 minutos, em uma solução de água e hipoclorito a 1%. Por fim, deixe secar naturalmente.

Atenção: se o local tiver ar condicionado, a manutenção e a limpeza do aparelho devem ser realizadas periodicamente.

Manuseio dos cosméticos

“Somente depois de posicionar a cliente na maca é que o profissional deve abrir a embalagem e retirar, com espátula, a quantidade de produto necessário colocando-o em cubeta de fácil higienização. Outro ponto importantíssimo é descartar no lixo o excesso de cosmético que porventura não for usado no procedimento”, informa Stéfani Lameze.
Lembre-se que por maior qualidade que o cosmético tenha, a manipulação incorreta pode comprometer o resultado e até causar danos ao cliente. Portanto, além de prestar atenção à data de validade é fundamental seguir o prazo de serventia pós-abertura da embalagem. No Brasil, o sistema exigido por lei só adota o limite de integridade do item fechado. “O problema é que a conservação de um cosmético que ainda não foi exposto à ação do meio é bem diferente daquele que já foi aberto e utilizado. Por isso, é interessante a indicação do PAO (do inglês Period After Opening), que quer dizer Período Após Aberto – isso mostra a preocupação e o cuidado da empresa com o bem-estar e a saúde do consumidor”, constata Isabel Piatti. De acordo com ela, a data de validade é adata em que o produto vence e não deve mais ser usado, podendo oferecer riscos. No caso de profissionais, clínicas e centros de beleza, a utilização de produtos expirados representa também infração sanitária. Como muitos cosméticos não trazem o PAO impresso na embalagem, o ideal é colocar etiquetas com a data de abertura do produto em cada produto, mantendo-o em local arejado e utilizando-o no menor tempo possível.

FRASE

“O profissional autônomo deve manter os mesmos cuidados com a assepsia, deixando seu material bem organizado e higienizado com álcool, na mala de trabalho. A maca também deve ser limpa com álcool. O correto é vestir o jaleco ou avental somente quando chegar à casa do cliente e levar seu próprio produto para assepsia das mãos. Como o ambiente de atendimento é o de convívio do paciente, o organismo dele já está acomodado, não sendo necessária a limpeza do local.”

Isabel Piatti, autora de Biossegurança – Estética e Imagem Pessoal

Somos uma empresa com coração e alma humanos. E a humanidade nos traz inquietude para buscarmos sempre o novo, discernimento para abraçarmos as causas certas, coragem para seguirmos adiante mesmo em face de tempos difíceis, orgulho para mostrarmos a grandiosidade do segmento brasileiro.

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