Saúde capilar x saúde mental

Durante a pandemia do coronavírus, a mudança na rotina, sobrecarga no trabalho, preocupação constante com a saúde de familiares e amigos, entre outras questões, são fatores desencadeantes de diversos problemas emocionais. Mais do que simplesmente impactarem o nosso humor e disposição, doenças psicossomáticas como estresse, ansiedade e depressão têm o poder de impactar até mesmo nosso físico – afetando pele, unhas e cabelo.

A relação entre o lado emocional e o problema capilar está diretamente ligada ao estilo de vida que levamos hoje, principalmente no contexto da pandemia. Apesar de alimentação inadequada e fatores genéticos e distúrbios hormonais serem alguns dos responsáveis por comprometer a saúde dos fios, questões relacionadas ao estresse pioram esse quadro e também podem ser os próprios causadores de diversos problemas capilares.

Isso acontece porque quando os gatilhos emocionais são acionados, nosso corpo pode comprometer seus marcadores inflamatórios. Em decorrência, é possível que a oxigenação e a circulação sanguínea na cabeça seja dificultada, tornando o couro cabeludo mais sensível. Uma das disfunções mais comuns é a queda, que geralmente é causada pelo estresse. 

Seja por pressão no trabalho, na faculdade ou nos relacionamentos, cada pessoa lida de uma maneira diferente com as atividades do dia a dia. Mas é importante ressaltar que o organismo também reage a todos esses acontecimentos. O eflúvio telógeno, perda acentuada de fios, e a alopecia areata, que se caracteriza pela queda de cabelo em áreas específicas da cabeça, acabam sendo mais frequentes.

É importante lembrar que a queda de fios varia de pessoa para pessoa, mas geralmente ela compreende de 30 a 150 fios/dia. Porém, em condições como o eflúvio telógeno, essa queda pode chegar a 300 fios. Essa perda mais volumosa causa uma diminuição no volume de cabelo e na cabeça como um todo. Já a alopecia areata é uma agressão de linfócitos que saem do sangue e vão para a pele. Há algumas publicações que abordam a ligação entre essa queda de cabelo e o coronavírus, mas as causas ainda não estão muito evidentes, já que existem pacientes com predisposição genética ou doenças autoimunes.

Outras doenças causadas por fatores emocionais e que influenciam a saúde dos fios são a dermatite seborreica e a psoríase, cujos sintomas muitas vezes surgem na forma de coceira e descamação.

Para tratar, é preciso colher todos os dados e fazer um exame tricoscópico no paciente, no qual seu quadro será analisado. O objetivo principal é diminuir o processo inflamatório, melhorando a microbiota – a saúde dos micro-organismos que naturalmente residem naquela região.

Também devemos estimular o surgimento de fios novos e reduzir a queda com o aumento da circulação periférica e ainda oferecer orientações especializadas de home care, respeitando sempre as necessidades de cada cabelo.

É possível pensar em tratamentos capilares, que ajudam muito ao diminuir o tempo desse quadro, além de acelerar o estímulo da reposição dos fios novos. O tratamento consiste em cessar o processo inflamatório, estimular os fios perdidos e diminuir esse processo de queda. No processo, usamos recursos anti-inflamatórios não só no local da queda, como também de maneira sistêmica, aumentando a circulação e oxigenação. Na terapia capilar ainda desenvolvemos um tratamento específico para relaxamento, diminuindo processos de estresse, que também estão ligados aos fenômenos de eflúvio e alopecia. O cabelo reflete o que somos, pois expressa a nossa identidade pessoal por meio do visual. Quando não estamos satisfeitos com ele, principalmente por mudanças bruscas que não conseguimos controlar, como a queda acentuada, isso também abala a autoestima. Nosso corpo está sempre nos dando sinais. Portanto, é importante que as pessoas prestem atenção a esses sinais para procurar ajuda profissional o quanto antes e, assim, recuperem a saúde capilar.

Viviane Coutinho (@vivianetricologista) é fisioterapeuta pós-graduada em Tricologia e Terapia Capilar. É membro-docente da Academia Brasileira de Tricologia (ABT) e da International Association of Trichologist (IAT).

Compartilhe nas redes sociais

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on telegram
Share on whatsapp
Share on email

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.