Ou você se rende ao sequestro emocional da ansiedade ou aprende a lidar com ela

Essa tem sido uma batalha diária enfrentada por mais de 19 milhões de brasileiros segundo a OMS. Antes mesmo da pandemia, em 2017, o Brasil já contabilizava o maior índice de pessoas com transtornos de ansiedade do mundo. Com a pandemia esses números aumentaram ainda mais e a expectativa é que continuem em ascendência, tendo como base os dados da pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) em onze países, onde o Brasil lidera em casos de depressão e ansiedade na pandemia.

Realidade confirmada também de acordo com dados coletados pelo Google, sobre o aumento de 98% em 2020, no número de buscas pelos termos “ansiedade, depressão e transtornos mentais”, em relação à média verificada nos 10 anteriores à pandemia. E, pasmem,  a pergunta pelo termo “como lidar com a ansiedade” cresceu 33% em relação a 2019, batendo recorde de interesse na última década.

Isso reflete o momento delicado que estamos vivendo e a fragilidade emocional pelo qual estamos passando. Reflexo das incertezas, das angústias, dos medos e da insegurança em relação ao que poderá acontecer, anseios sobre o futuro, instabilidade financeira, impacto emocional causado pela fragilidade em relação à saúde e tudo isso associado ao isolamento social, que nos afasta ainda mais dos recursos que poderiam nos promover a saúde emocional.

A pergunta agora não é por que e com fomos parar aqui, e sim como podemos reaprender a lidar com a ansiedade para reassumir a possibilidade de estabelecer o estado de calma e equilíbrio mesmo diante das adversidades. É preciso tomar consciência, mergulhar profundamente no autoconhecimento para então reassumir o gerenciamento das nossas emoções e reestabelecer uma nova forma de viver diante deste cenário.

É a oportunidade de reaprender novas formas de se fortalecer emocionalmente e assim se preparar para o momento que estamos vivendo e que não sabemos quando terá fim. Ou nos damos conta de que é preciso se capacitar e reaprender novas estratégias para lidar com nossa saúde emocional, ou seremos literalmente engolidos dia a dia pelo mal do século.

Profissionais liberais e até muitos que estavam com sua vida profissional estável, empregados e bem estabelecidos nas suas carreiras estão enfrentando momentos de muita tensão, incertezas e total instabilidade. Não é por nada que a ansiedade é apontada como a principal causa de afastamento do trabalho no Brasil. Recebo diariamente mensagens e profissionais para atendimento individual de Hipnose Clínica, que não conseguem pensar em novas estratégias, tomados pela ansiedade. E neste momento isso é um problema, já que para se reinventar, a tranquilidade é crucial para ter clareza e criatividade diante de novas possibilidades e caminhos.

Mas frente a tudo isso, como criar um estado interno de novas escolhas ao invés de estagnação e desmotivação, diante do pânico de ficar sem trabalho, clientes e dinheiro?

O medo, a ansiedade e a insegurança nos paralisam e atrapalham a nossa capacidade de enxergar os fatos e as soluções com clareza. Desperdiçamos demasiado tempo agarrados aos medos e angústias, sobre o que pode acontecer em um futuro que nos é totalmente incerto.

No entanto, nossa capacidade de projetar o futuro é muito antiga. Nada mais é do que uma estratégia de sobrevivência. Fomos selecionando os mais importantes comportamentos e aprendizados que o nosso instinto de sobrevivência julgava necessários ao longo de nossa existência. Nosso cérebro nos protege diante de fatos que deixaram algum aprendizado, ainda mais quando este foi negativo. Aquilo ficou registrado como memória e acabamos determinando nosso estado emocional com base nessas memórias e aprendizados.

Ou seja, a ansiedade é uma característica evolutiva e comum no cotidiano, que nos prepara para a luta ou fuga diante de situações de estresse, medo, incertezas, expectativas. Por outro lado, se torna um problema quando toma proporção exagerada e nos coloca em estado constante de alerta e medo, causando sintomas físicos difíceis de controlar, como a falta de ar, palpitação, tremores, sudorese, mal estar, pensamentos negativos persistentes, preocupação excessiva, crises de choro.

Em ambos os casos, tanto nas crises de ansiedade (momentos mais críticos com aumento das características sintomáticas) como nos casos de transtornos de ansiedade – TAG (sofrimento gerado por incertezas sobre o futuro ou sensação de falta de controle), a pessoa fica impedida de agir com clareza, objetividade e tranquilidade, já que é inundada constantemente pelo principal hormônio gerado pela ansiedade, o cortisol, que mantém o cérebro e o corpo em alerta para reagir, lutar ou fugir.

Para você profissional que se encontra nesta situação de extrema incerteza, vivendo a experiência da ansiedade no dia a dia provocada pelas inseguranças e mudanças drásticas geradas pelo novo normal da pandemia, saiba que é possível reaprender a estabelecer o estado de calma. É um processo que exige, em primeiro lugar, tomada de consciência, desejo real de mudança, comprometimento com o processo de autoconhecimento e o gerenciamento constante do estado emocional. É um exercício diário.

Como resgatar o equilíbrio e o autogerenciamento das emoções para lidar com a ansiedade?

1º Se dar conta de que a ansiedade passou do limite do aceitável, que está sendo um obstáculo para a sua qualidade de vida e sendo prejudicial para a sua saúde física e emocional.

2º Pedir ajudar. Hoje, temos diversos recursos terapêuticos e profissionais capacitados para auxiliar nesse processo, como recursos tradicionais e terapias alternativas reconhecidas pelas instituições como auxiliares no tratamento da
ansiedade, como a Hipnose Clínica, por exemplo. A Comunicação Generativa e a Programação Neurolinguística também têm atuado de forma significativa no resgate dos estados de calma e saúde emocional.

3º Em vez de brigar com a ansiedade a acolha. Isso quer dizer, respeite o momento pelo qual está passando e entenda que é possível reaprender a sair desse estado.

4º Exercite a respiração em 5 tempos, repetindo por 15 vezes. Inspire em 5 segundos e expire em 54 segundos. O simples fato de colocar a atenção na respiração já irá estabilizar os batimentos cardíacos e fazer com que você respire
melhor.

5º Coloque a atenção no agora. Traga o pensamento para o momento presente. Realize uma atividade física, leia um livro, escute uma música, converse com um amigo. Mude o foco de atenção. Quando a tiramos do futuro ou do passado, diminuímos a carga sobre as projeções e controles que alucinamos ter. Você pode ainda exercitar técnicas de modelagem da Programação Neurolinguística, onde você busca a referência de alguém que está vivendo na abundância de ideias e simplesmente modela (estado emocional, comportamentos, capacidades) desta pessoa, em busca dos mesmos resultados de abundância e prosperidade. É possível sim aprender novas formas de lidar com ansiedade e podemos reaprender novas maneiras de agir e acalmar o nosso cérebro primitivo que nos protege. E quando mudamos a nossa forma de pensar, mudamos a nossa forma de sentir e também nossos comportamentos e resultados.

Michelle Terra Guedke é de Porto Alegre (RS). Graduada em Comunicação Social, pós-graduanda em Hipnose Clínica, Programadora Neurolinguística Nível Master, Comunicadora Generativa e Hipnóloga Ericksoniana.

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