Medo de micropigmentar peles escuras?

Se você for micropigmentador (a), certamente já passou por isso, certo? Por terem tendência à hiperpigmentação, à oleosidade e a disfunções no reparo tecidual, essas peles estão mais sujeitas a alterar o tom do pigmento usado, a não fixa-lo bem, fazer com que a tinta expanda, transformando um fio a fio num esfumado, por exemplo, e até a ficar com cicatrizes ou queloides. Mas, nem por (tudo) isso é preciso dispensar clientes com esse perfil. Basta conhecer os riscos, saber como evitá-los e, se necessário, remediá-los

Shâmia Salem

Oleosidade excessiva

  • Riscos A oleosidade prejudica a fixação do pigmento, o que pode alterar inclusive o efeito criado na micropigmentação. “Como há chances da tinta expandir, depois da cicatrização pode ser que você perca a definição das linhas que fez. Isso não significa que o resultado vá ficar ruim. Apesar da alteração no desenho inicial, a cliente tem um ótimo ganho visual, porque negras geralmente têm pouquíssimo pelo nas sobrancelhas, muitas falhas e ainda há a questão dos fios serem crespos. Por isso é importante alertá-la para essas possibilidades, além de esclarecer que ninguém é visto fio por fio, mas no conjunto; e, nesse todo, a micropigmentação é capaz de melhorar e muito o desenho das sobrancelhas e a harmonia geral do rosto”, justifica a micropigmentadora e visagista Raphaella Bahia (@raphaellabahia), da F&R Microcenter, no Rio de Janeiro.
  • Cuidados “É preciso higienizar bem a área antes de iniciar o procedimento e evitar forçar ou machucar a região. Afinal, não é porque uma pele é oleosa que ela não é sensível ou pode dispensar o creme cicatrizante”, avisa Raphaella Bahia. Segundo ela, ainda é importante alertar a cliente a não aplicar produtos elaborados com ácido sobre o local micropigmentado, para não alterar a cor da tinta. Isso vale inclusive para sabonetes para peles oleosas, que costumam trazer ácido salicílico na formulação.

Hiperpigmentação pós-inflamatória

  • Riscos “A pele escurareage a qualquer inflamação produzindo uma quantidade enorme de melanina no local, gerando uma mancha”, esclarece a dermatologista Katleen Conceição (@katleendermato), chefe do ambulatório de dermatologia para pele negra da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. “Isso também acontece quando a micropigmentação provoca uma inflamação exagerada. Nesse tipo de situação, como a pele está altamente reativa, qualquer coisa que você tentar fazer para melhorar vai piorar ainda mais o quadro. Portanto, descarte ideias que parecem fantásticas, como neutralizar o lábio hiperpigmentado”, alerta o biomédico, micropigmentador e professor de pós-graduação em dermo micropigmentação Léo Calheiros (@drleocalheirosrj), do Rio de Janeiro.
  • Cuidados O primeiro e mais importante passo a dar é acalmar os melanócitos, que são as células produtoras de melanina, o que pode ser feito com cosmecêuticos. Dependendo do caso, também pode ser necessário usar ácidos à noite e filtro solar pela manhã, o que justifica pedir auxílio a um biomédico ou dermatologista. “Depois que a inflamação cessar, a hiperpigmentação vai clarear sozinha. Mas, lembre-se que o melanócito tem uma memória incrível, o que significa que há uma enorme chance da cliente ter efeito rebote numa próxima micropigmentação. Sim, claro que o profissional vai poder realizar o procedimento outra vez, mas com reservas. Na minha experiência de mais de duas décadas na área, acredito que vale a pena trocar a agulha de uma ponta, que eu adoro e uso muito, por uma com outra composição, com mais agulhas. Também adoto técnicas menos agressivas e aplico laser de baixa potência antes e depois da micropigmentação, para modular a inflamação”, conta.

Má cicatrização

  • Riscos “Outra característica da pele escura, principalmente a negra, é que ela é mais firme e endurecida por possuir mais camadas, ter um número maior de fibroblastos, que são as células produtoras de colágeno, e o fato dessas fibras serem bastante compactas”, diz a dermatologista Katleen Conceição. Isso ajuda a entender porque uma técnica inadequada de micropigmentação, que machuque essa pele, vai fazer com que ela reaja produzindo tanto colágeno a ponto de causar cicatrizes ou até queloides.
  • Cuidados “Antes de tudo é preciso classificar a cicatriz, que pode ser hipotrófica, aquele tipo que causa depressão no local, ou então hipertrófica, ou seja, volumosa. A primeira pode ser resolvida com microcorrentes, bioestimulador de colágeno ou plasma rico em plaquetas, por exemplo. E, uma vez que a pele esteja regenerada, ela pode ser novamente micropigmentada, porém, usando o laser de baixa frequência antes e depois do procedimento, para regular a resposta inflamatória e prevenir um déja vu, e mudando a manobra técnica e o tipo de agulha, para ser menos agressiva”, adianta Léo Calheiros. “Já na cicatriz hipertrófica ou até mesmo no queloide o micropigmentador não deve mexer. Ele precisa encaminhar a cliente para o médico, que vai usar injeção de corticoide para deixar a marca plana. E, uma vez que a pele esteja 100% recuperada, a micropigmentação pode ser refeita tomando todos os cuidados já listados”, completa o professor.

Por favor, NÃO faça isso em peles escuras

  • Usar pigmento preto para realçar sobre a pele negra. “Ele pode ficar com aspecto de preto-azulado, ou seja, totalmente artificial e inestético. Hoje a gente tem uma variedade boa de tintas, com muito nuances, como é o caso do castanho-intenso, que cria um contraste lindo com a pele negra”, exemplifica Raphaella Bahia.
  • Alisar o pelo da sobrancelha porque ele é crespo. “Isso é muito arriscado, porque o fio pode cair. Sou a favor de dar uma cortada e tirar apenas o excesso, para que os pelos reais se misturem a micropigmentação, criando um resultado muito mais bonito e natural”, justifica a micropigmentadora.
  • É preciso calcular bem a profundidade da colocação do pigmento. “Quanto mais fundo, mais escuro ele ficará; o que ainda pode favorecer a hiperpigmentação pós-inflamatória. Afinal, ao se aprofundar numa pele espessa como a escura você provoca uma agressão e inflamação maior”, destaca a micropigmentadora Vania Machado (@vaniamachadopmu), de Florianópolis (SC), máster training Amiea e coordenadora científica de micropigmentação dos congressos Estética In.
  • Adotar a mesma técnica de micropigmentação para todos os clientes. “Problemas podem acontecer com qualquer micropigmentador, mesmo o mais experiente deles. Para evitar intercorrências é fundamental investir numa formação de excelência, se atualizar constantemente e investir tempo na anamnese. Essa avaliação não deve se limitar a fazer perguntas. É preciso também inspecionar a pele da cliente, analisar cicatrizes antigas, descobrir se a pessoa toma anticoncepcional, se faz reposição hormonal… Tudo isso vai servir para você direcionar a manobra técnica que usará com cada cliente atendido, a composição da agulha e o equipamento ideal, se tebori ou dermógrafo”, diz o biomédico e micropigmentador Léo Calheiros.

FRASES

“O conhecimento deve dar nosso limite, não ser a nossa limitação”

Léo Calheiros, biomédico, micropigmentador do Instituto Léo Calheiros, no Rio de Janeiro, e professor de pós-graduação em dermo micropigmentação

 “Em vez de ter medo, o profissional tem que estudar, para entender as reações de cada pele na micropigmentação; e conscientizar a cliente das responsabilidades dela em se cuidar não só para o efeito durar, mas para ele se prolongar de um jeito bonito”Raphaella Bahia, micropigmentadora e visagista da F&R Microcenter, no Rio de Janeiro

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