Lipedema: um mal que pode ser tratado

O nome não é de conhecimento geral e só ganhou fama quando algumas pessoas famosas começaram o comentar sobre. Mas, o fato é que o lipedema já está entre nós faz tempo e precisa e deve ser tratado com segurança, conhecimento de causa e protocolos adequados. Então, leia a reportagem a seguir e entendo o que é, suas causas, os tratamentos mais indicados e, claro, a importância do profissional da área estética na melhora

Karina Hollo (@karinahollo)

A repórter da TV Globo Juliane Massaoka falou recentemente sobre uma doença que, apesar de acometer uma em cada 10 mulheres, ainda é pouco falada no Brasil. Segundo Juliane, apesar do esforço frequente para emagrecer – ela chegava a perder de 5 a 10 quilos – as pernas estavam sempre iguais. A influenciadora Amanda Djehdian, que participou do BBB 15, sofria do mesmo problema. Esta doença tem nome: lipedema, uma condição médica crônica que afeta principalmente as pernas e, às vezes, os braços, resultando em acúmulo anormal de gordura. Atingindo principalmente as mulheres, causa uma deformidade e mexe com a autoestima feminina. Pode acontecer antes da menopausa – e piora depois dela. A primeira coisa é separar o que é lipedema e o que é gordura. São coisas distintas. Se a pessoa tem acúmulo de gordura no corpo inteiro – no tronco, no abdômen, nos braços e nas pernas, não é lipedema. “A condição se define por uma gordura concentrada, principalmente, nos membros inferiores, acima do tornozelo, atingindo toda aquela região da perna, panturrilha, principalmente”, fala Luiz Calmon, ginecologista e obstetra especialista em histeroscopia pela Sociedade Brasileira de Endoscopia. “Quem sofre com ela pode ficar na região mais sensível ao toque, sente um peso nas panturrilhas. E podem aparecer placas avermelhadas ou roxas. Isso é lipedema.” Ele conta que existe um exame que identifica a condição, chamado linfocintilografia.

As causas do lipedema

“As causas exatas do lipedema ainda não estão completamente compreendidas. Parece haver uma predisposição genética, pois afeta principalmente as mulheres e pode ser desencadeado por hormônios. Fatores genéticos e circulatórios podem estar envolvidos”, fala Ícaro Samuel, médico formado pela Universidade Federal de Pelotas com residência em cirurgia plástica. “Outros fatores envolvidos são alterações vasculares que prejudicam a oxigenação e a drenagem linfática; além dos ambientais (dieta, tabagismo, etilismo, atividade física, consumo de água e outros)”, acrescenta Renato Soriani Dermatologista membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e membro efetivo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD).

Fato é que o lipedema é uma doença que provoca sofrimento físico e psicológico. “Ele acomete cerca de 10 milhões de mulheres no Brasil e cerca de 10% das mulheres no mundo. É confundida muitas vezes com obesidade ou alterações linfáticas, por falta de conhecimento e de informação da classe médica, e atinge quase que exclusivamente o público feminino, pois está associado a um padrão hormonal feminino – 63% das pacientes revelaram histórico familiar da doença, algumas vezes acometendo três gerações: avó, mãe e a paciente, evidenciando a tese de que a doença possa ser genética”, conta Fábio Kamamoto, diretor do Instituto Lipedema Brasil. “O lipedema pode ocorrer em famílias e geralmente se desenvolve durante a puberdade, gestação ou menopausa. Fatores hormonais desempenham um forte papel, já que está relacionado a predominância estrogênica”, fala Juliana Tenorio, cirurgiã plástica especialista em lipedema e membro da BAPS (Brazilian Association of Plastic Surgeons).

Tratamentos

“O tratamento do lipedema envolve uma abordagem multidisciplinar”, avisa Ícaro. As opções incluem terapia de compressão (o uso de roupas de compressão graduada pode ajudar a melhorar a circulação), fisioterapia e exercício (fortalecimento muscular pode ajudar a melhorar a circulação e o tônus muscular), drenagem linfática manual (para reduzir o inchaço), dieta e controle de peso, lipoaspiração (nos casos mais graves, a lipoaspiração, realizada por cirurgião plástico, é uma opção para remover o excesso de gordura). Kamamoto específica dois tipos de tratamento: o clínico e o cirúrgico. “A recomendação é que a mulher deve procurar estar cercada de uma equipe multidisciplinar para o tratamento clínico com nutricionistas (para ajudar na alimentação anti-inflamatória), endocrinologistas (para ajudar na questão hormonal), vasculares (para cuidar de outros possíveis acúmulos e inchaços, vasos e veias) e fisioterapeutas (para ajudar na locomoção).” Estas ações amenizam os sintomas, mas não resolvem o problema da gordura nas regiões dos braços, pernas e quadril, pois não extrai as células doentes. Já o cirúrgico é feito com cirurgiões plásticos, com lipoaspiração e é definitivo. “Uma vez removida, esta gordura não volta mais, pois não há multiplicação dessas células. É possível remover por meio de lipoaspiração até 7% do peso da mulher. Então se a paciente pesa 100 Kg, é possível remover até 7 litros de gordura”, diz Kamamoto.

            A cirurgiã plástica explica que o tratamento para o lipedema visa principalmente controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida, uma vez que não há cura definitiva. “No meu protocolo de tratamento, denominado LIP8, temos oito pilares importantíssimos para a desinflamação do corpo. Para começar, gerenciamento do peso. Uma das maiores verdades sobre o lipedema é que ele não é causado pelo excesso de peso, mas o excesso de peso pode ser um efeito colateral da doença. Manter um peso saudável pode ajudar a controlar os sintomas e prevenir complicações”, fala ela. Terapia dermolinfática pode ajudar. São técnicas de escovação a seco e drenagem linfática manual, que é uma técnica de massagem suave que pode ajudar a reduzir o edema e melhorar a circulação linfática.” Além disso, dieta anti-inflamatória e exercício físico. A dupla não cura o lipedema nem é capaz de emagrecer significativamente as pernas com lipedema. “Esta é uma grande fonte de frustração para muitas mulheres. As pernas também podem doer, dificultando o movimento. A falta de exercício facilita o excesso de peso, o que por sua vez pode aumentar os sintomas do lipedema – um círculo vicioso para as afetadas.” Mas com uma alimentação saudável e equilibrada, os pacientes não só fazem bem a sua saúde geral, como também melhoram o seu bem-estar e reduzem um dos fatores de risco que podem agravar o lipedema. Finalmente, vem a lipoaspiração de lipedema, que, vale lembrar, é completamente diferente da lipoaspiração convencional. “É o tratamento definitivo do lipedema, em que é possível remover as células de gordura doente, embora a doença não tenha cura.”

QUADRO EM DESTAQUE

A importância do profissional de Estética

Os profissionais da área estética podem desempenhar um papel importantíssimo na gestão do lipedema no que diz respeito a tratamentos de beleza e relaxamento, além de drenagem linfática. “O profissional recomendado dentro da equipe multidisciplinar do tratamento do lipedema é o fisioterapeuta. Ele tem importância fundamental, já que faz terapia complementar na paciente e pode usar técnicas, tratamentos e também tecnologias combinadas, que podem ser direcionadas tanto para quem realiza o tratamento clínico, quanto para aquelas que farão o tratamento cirúrgico”, fala Kamamoto. “Alguns exemplos: bota pneumáticas, fotobiomodulação (ou terapia com laser de baixa intensidade), radiofrequências. A fisioterapia no tratamento de lipedema traz benefícios, que aliviam a sensação de dor e desconforto, modula a resposta inflamatória, reduz o edema, melhora a circulação sanguínea e linfática, estimula a regeneração celular e a produção de colágeno.”

O tratamento do lipedema visa principalmente aliviar os sintomas, melhorar a qualidade de vida do paciente e retardar a progressão da condição. “Neste ponto, já destaco o papel das profissionais paramédicas. Além disso, tratamentos com tecnologias corporais como é o caso do Cellu 6 da empresa francesa LPG, as microondas de alta frequência do Onda Coolwaves ou a radiofrequência microagulhada da Morpheus também podem ser utilizados em determinadas fases e condições do problema, assim como os procedimentos injetáveis como os bioestimuladores de colágeno e em casos mais graves ou refratários os procedimentos cirúrgicos”, fala Soriani. Sim, os esteticistas desempenham um papel importante neste tratamento, especialmente quando se trata de cuidados com a pele. “Eles podem oferecer tratamentos como a drenagem linfática manual, que pode ajudar a aliviar o edema e melhorar a circulação nas áreas afetadas”, finaliza Juliana.

FRASES

“O lipedema pode ocorrer em famílias e geralmente se desenvolve durante a puberdade, gestação ou menopausa. Fatores hormonais desempenham um forte papel, já que está relacionado a predominância estrogênica”, 

Juliana Tenorio, cirurgiã plástica especialista em lipedema e membro da BAPS (Brazilian Association of Plastic Surgeons).

“O profissional recomendado dentro da equipe multidisciplinar do tratamento do lipedema é o fisioterapeuta. Ele tem importância fundamental, já que faz terapia complementar na paciente e pode usar técnicas, tratamentos e também tecnologias combinadas, que podem ser direcionadas tanto para quem realiza o tratamento clínico, quanto para aquelas que farão o tratamento cirúrgico”

Fábio Kamamoto, diretor do Instituto Lipedema Brasil

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