Hormônios x Lipedema: qual é a relação?

Lipedema é uma doença causada pelo acúmulo de gordura nos braços, quadris e, principalmente, nas pernas, que provoca dores, problemas de locomoção e uma sensação de peso nesses membros. Quais são os gatilhos para esta doença que atinge cerca de 10% das mulheres no mundo, segundo dados da Sociedade Espanhola de Medicina Estética (SEME)? E por que só mulheres? Tem algo a ver com hormônios? Estas são algumas das grandes questões que envolvem o tema.

O Lipedema depende dos hormônios femininos – o estrógeno e a progesterona – para se desenvolver, por isso ofoco da doença se dá em mulheres. A incidência piora quando há o uso de anticoncepcional; no início da puberdade; na gestação; quando a mulher faz tratamento para engravidar ou entra na menopausa (fase que traz um novo padrão hormona)l, pois todos esses momentos tendem a ser gatilhos para esta doença.

Embora a fisiopatologia da doença não tenha sido totalmente elucidada, várias linhas médicas e estudos recentes internacionais evidenciam que a disfunção do estrógeno pode ser central para o desenvolvimento do Lipedema. Isto porque a desregulação de gordura que ocorre com a doença é causada pela sinalização desordenada deste hormônio. Em circunstâncias normais, o estrógeno interage com a gordura corporal para mantê-la saudável, evitando aumento do peso, por exemplo.

Este desequilíbrio hormonal resulta em aumento da gordura corporal, em inflamação e, consequentemente, desregulação da gordura, ou seja, em Lipedema. Segundo estudos do Lipedema Foundation, de Nova Iorque, o Lipedema se apresenta em momentos específicos da vida da mulher, de grandes movimentações hormonais, por causa de alterações nos receptores de estrógenos localizados na gordura.

O Lipedema atinge quase que exclusivamente o público feminino e os poucos homens diagnosticados com a doença apresentaram baixo nível de testosterona e alto nível de estrógeno, comprovando a participação do hormônio no desenvolvimento da doença.

Características

As principais características da doença, que possui quatro estágios,são: dores frequentes nas regiões das pernas, quadril, braços e antebraços, que ficam mais grossos e desproporcionais em comparação com o restante do corpo; no tornozelo parece que há um ‘garrote’ e os joelhos perdem o contorno. A mulher pode apresentar ainda hematomas por qualquer movimento mais brusco. Isto acontece porque a doença provoca reação inflamatória em células de gordura nessas regiões. Se há perda de mobilidade, aumento progressivo dessa gordura com o passar dos anos, se há dor em algumas das regiões-foco e dificuldades em eliminar a gordura mesmo com dieta e atividade física, é recomendado procurar ajuda médica.

Tratamentos

Há dois tipos de tratamento, o clínico e o cirúrgico.

O clínico é composto por dieta anti-inflamatória, rica em legumes e carnes, sem sódio e glúten ou bebidas alcóolicas; uso de plataforma vibratória, que diminui o inchaço nas regiões; drenagem linfática para tirar o excesso de líquidos; e, por fim, a técnica Taping aplicada por um fisioterapeuta para melhorar o desconforto Estas ações amenizam os sintomas, mas não resolvem o problema da gordura nas regiões dos braços, pernas e quadril, pois não extrai as células doentes.  Já o cirúrgico é feito com lipoaspiração e é definitivo, pois uma vez removida, essa gordura não volta mais, pois não há multiplicação dessas células. É possível remover por meio de lipoaspiração até 7% do peso corpóreo. Ou seja, um paciente de 100 quilos poderia remover até 7 litros de gordura.

Dr. Fábio Kamamoto (@drfabiokamamoto) é um dos médicos pioneiros no tratamento do Lipedema no Brasil. Ele é diretor do Instituto Lipedema Brasil (@lipedemabrasil), em São Paulo, primeiro centro de referência de Lipedema no país criado para compartilhar informações, apresentar a doença para a sociedade e mobilizar milhões de mulheres. É o primeiro no Brasil a dedicar estudos, pesquisas e ensino à população e aos profissionais de Saúde, unindo três pilares: Transformação Social, Educação e Pesquisa. O Instituto luta pela democratização do acesso ao tratamento da doença, como já acontece em outros países, como nos Estados Unidos.

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