Anamnese de milhões

Uma conversa profunda e cheia de empatia é o pulo do gato dos profissionais da estética integrativa para conhecer e conquistar o paciente. Saiba quais são os segredos desse sucesso    

Gabriella Galvão @ggalvao

Nada de uma abordagem rápida e burocrática com uma ficha cheia de perguntas genéricas sobre doenças e alergias. A bola da vez é criar uma conexão com o paciente, por meio de uma investigação detalhada sobre a sua vida e os seus hábitos. A base dessa nova postura nos consultórios é a estética integrativa que, com a sua visão holística, consegue ir além dos sintomas e identificar os reais problemas e as suas causas. É assim que os profissionais mais antenados vêm conseguindo fazer tratamentos personalizados que dão resultados e fidelizam.

Transformar a anamnese tradicional, geralmente focada em questões clínicas e patológicas, é um caminho certeiro para você se destacar no mercado. A anamnese integrativa traz perguntas diferentes e mais subjetivas, com uma profundidade que é um diferencial. Além disso, os especialistas apontam que o mais importante na conduta é a maneira com a qual as respostas são ouvidas. Esse é o momento de se mostrar 100% presente, de olhar nos olhos e gerar confiança. Os sinais do incômodo podem vir de uma história sobre o trabalho ou a família, tudo importa. Essa etapa é primordial e poderosa.
“É indispensável deixar o paciente falar à vontade e manter uma escuta verdadeira sobre o que ele está contando, com atenção e interesse, para entendê-lo como um todo e descobrir o que incomoda não só na parte física, como também emocional”, explica Marielle Regadas, médica integrativa e ortomolecular, membro da Sociedade Brasileira de Nanotecnologia, de São Paulo (@dra.marielle_regadas). “O profissional deve se despir de qualquer tipo de preconceito e julgamento para tentar ajudar dando o seu melhor”, arremata.

 Com consultas que duram de uma hora e meia a duas horas, os experts esmiuçam ao máximo o comportamento e o estilo de vida. “Temos que respeitar o tempo necessário para o cliente se sentir confortável para se abrir. Afinal, ele vai revelar seus hábitos e assuntos íntimos, algo que não está acostumado a fazer em uma consulta tradicional”, salienta Julia Peres, médica especializada em dermatologia integrativa e regenerativa, de São Paulo (@juliaperes.md). Ela explica que o ato de se expressar já promove uma consciência sobre o que se está falando. “Uma anamnese bem detalhada por si só já é terapêutica, faz parte do processo de tratamento”, enfatiza.

Criar uma conexão durante a anamnese é essencial. “Descer do pedestal, sair da posição de sabe-tudo e controlar o ego ajuda a estabelecer laços. Quanto mais conseguimos criar um espaço onde o cliente se sente acolhido e seguro para compartilhar, mais fácil será o comprometimento dele com o processo de cura”, completa Joana Marques Mota, esteticista integrativa, cosmetóloga, especialista em nutrição ortomolecular e psico-imunoterapia, de Portugal (@iam.joanamarquesmota).


O mapa da mina

A pele é o reflexo do lifestyle. Por isso, durante a conversa, os principais pontos-chave de investigação são alimentação, hidratação, peso, digestão, atividade física, estresse e qualidade do sono – um dos pilares mais importantes a ser pesquisado na abordagem integrativa. “As perguntas devem ser minuciosas: como a pessoa dorme? Sozinha ou acompanhada? Em casa ou apartamento? Entra luz no quarto? O ambiente é silencioso? Tem animais de estimação? Dorme quantas horas por noite? Acorda espontaneamente ou precisa do despertador? Tudo isso vai dar pistas sobre o sono, fundamental para a reparação do estresse oxidativo produzido durante o dia e importantíssimo para o sucesso dos tratamentos e abordagens de estética e saúde”, exemplifica Júlia.

Meticuloso, o processo de anamnese de Daniele Merchiori, fisioterapeuta dermato funcional, esteticista e terapeuta integrativa, do Paraná (@danielemerchioriestetica), começa antes da consulta, com um questionário de cinquenta perguntas. “Além dos hábitos de vida, eu verifico como foi a infância da pessoa, se ela era criança que ficava muito doente, se era ativa, se tomou leite materno… tudo é investigado. Esse rastreio metabólico funciona como uma base do atendimento e me deixa preparada para a conduta inicial”, garante a especialista, que complementa a anamnese com um teste de biorressonância, técnica que utiliza frequências eletromagnéticas para diagnosticar condições de saúde. A partir dos resultados desse conjunto, ela monta uma primeira orientação, que começa com uma detoxificação, e, na sequência, prepara um tratamento personalizado.

Os exames laboratoriais também fazem parte da anamnese integrativa, embora tenham menor peso do que o histórico individual. “O que prevalece, em todos os casos, é a sintomatologia”, afirma Joana. Os experts são unânimes ao dizer que a análise clínica é soberana, validando ainda mais a importância de uma anamnese bem-feita. “Os exames são complementares à clínica. A gente não trata números e sim pacientes”, sublinha Marielle.

O jogo de ligar os pontos

Durante o levantamento integrativo do histórico de vida, a busca pela origem do transtorno vai além dos sintomas, e não necessariamente é óbvia. A queixa principal que levou o cliente ao consultório, seja acne, melasma ou flacidez, por exemplo, é apenas a ponta do iceberg, um sinal externo de um desequilíbrio interno. A anamnese perfeita identifica as questões psicossomáticas que o corpo mostra, e o papel do profissional de excelência é mergulhar fundo para encontrá-las.

“A celulite não é só uma celulite. Há um conjunto de fatores que impactam no seu desenvolvimento. O corpo de uma pessoa cuja rotina não tem espaço dedicado a si mesma tende a acumular, a guardar as emoções para si e, assim, pode armazenar gordura. A partir dessa descoberta, se monta o tratamento personalizado com fundo emocional”, esclarece Joana.

A médica Julia conta que uma alimentação desregrada e inflamatória pode desencadear acne, aumento de oleosidade, dermatite seborreica, eczema de repetição e piorar a rosácea. “É preciso traduzir, pela investigação, o que os hábitos estão dizendo”, alerta.

Se a raiz do problema não for identificada e tratada, o resultado não aparece. E, na estética integrativa, o mapa é desenhado durante a anamnese. “A principal causa da rosácea, uma doença inflamatória e vascular, está no intestino. O melasma tem um forte componente emocional e é diretamente influenciado pelo estresse. O cortisol pode estimular a atividade dos melanócitos, criando um cenário para o aparecimento ou piora da mancha”, informa Daniele.

Ação em conjunto

Com as informações da anamnese em mãos e as ligações entre as causas e os sintomas estabelecidas, o próximo passo é planejar o tratamento individualizado completo, bem diferente da simples recomendação de um pacote de sessões de um protocolo. Além dos procedimentos estéticos, faz parte o manejo do estresse, a orientação alimentar e a higiene do sono, de acordo com a necessidade.

Para isso, os profissionais contam com uma equipe multidisciplinar que inclui esteticista, nutricionista, nutrólogo, endocrinologista, terapeuta energético e até psiquiatra.  “A partir da análise personalizada, encaminhamos a pessoa para o profissional mais indicado, mantendo sempre a coordenação durante o processo”, assinala Daniela. 

A abordagem colaborativa também inclui o papel do paciente no tratamento. “Ele tem que estar consciente que provê a saúde da sua própria pele, com disciplina e um olhar atento. Nosso propósito é fazê-lo entender que ele também tem responsabilidade”, ensina Julia. Ao se sentir parte da solução, ele entende o porquê de cada etapa, aumenta a adesão ao tratamento e valoriza ainda mais o seu trabalho.

BOX

Fique de olho

O que não pode passar em branco durante a anamnese integrativa

  • Investigação da qualidade do sono. Um sono ruim significa altos níveis de cortisol, o hormônio do estresse, inflamação e dificuldade de reparo tecidual, o que influencia a produção de colágeno;
  • Verificação do nível de estresse. Principalmente se ele fizer parte da rotina, pode ser gatilho não apenas para problemas na pele, como acne da mulher adulta, como de doenças cardíacas;
  • Perguntas sobre a digestão. O intestino é considerado o segundo cérebro e, se não funcionar direitinho, pode ficar inflamado, não absorver bem os nutrientes e, esteticamente, ser a causa para uma pele envelhecida, opaca, sem viço, com acne, eczema, dermatite atópica, rosácea e para o aparecimento da caspa;
  • Checagem sobre como é a alimentação e a hidratação. A pele é o reflexo do que comemos e ingerimos. Água é fundamental para manter a barreira cutânea forte e garantir o bom funcionamento do organismo. Uma alimentação inflamatória prejudica não apenas a saúde como a qualidade da pele, podendo provocar acne, excesso de oleosidade, perda de brilho e envelhecimento precoce.

FRASES

 “É fundamental deixar o paciente falar à vontade e manter uma escuta verdadeira sobre o que ele está contando, com atenção e interesse, para entendê-lo como um todo, descobrir o que incomoda não só na parte física, como também emocional.” – Marielle Regadas, médica integrativa e ortomolecular

“A anamnese bem detalhada também é terapêutica, faz parte do processo de tratamento” – Julia Peres, médica especializada em dermatologia integrativa e regenerativa “Temos que respeitar o tempo necessário para o cliente se sentir confortável para se abrir. Afinal, ele vai revelar seus hábitos e assuntos íntimos, algo que não está acostumado a fazer em uma consulta tradicional” – Julia Peres, médica especializada em dermatologia integrativa e regenerativa

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