A força da musculatura na Estética

Vivemos em um momento no qual a prioridade é o foco na aparência física, em parte devido à popularidade de redes sociais como Instagram e Facebook.  Em virtude disso, tem aumentado o desejo por um corpo de aparência impecável. As selfies são enviadas para essas plataformas de mídia social somente após passar por edições usando filtros e programas especiais de processamento de imagem que podem alterar os contornos do corpo. 

Essa tendência também se reflete no aumento do número de procedimentos de modelagem corporal nos últimos anos, publicados anualmente pela American Society for Aesthetic and Plastic Surgery (ASAPS) ou pela American Society for Plastic Surgeons (ASPS). (Giesse, 2021).

Muitas são as tecnologias amplamente usadas ​​para o tratamento de protuberâncias de gordura dos pacientes, e sua eficácia foi demonstrada em vários estudos anteriores. Um estudo sobre índice de massa corporal (IMC) e imagem corporal, entre 308 estudantes da Arábia Saudita, descobriu que 81% dos entrevistados relataram estar insatisfeitos com sua imagem corporal, apesar de 56% terem IMC na faixa normal; e 4 para 5% desses participantes, IMC abaixo da média.  (Kinney B.M.; Lozanova P., 2019)

A gordura subcutânea é um fator importante que afeta contornos do corpo dos pacientes, uma vez que compreende aproximadamente 25% da composição do corpo humano. No entanto, o tecido muscular compreende uma porção ainda maior do corpo humano (42% masculino, 36% feminino) e dependendo das características individuais, a condição do músculo do paciente pode desempenhar um papel igual ou ainda mais importante na definição da aparência estética geral.

Atualmente, existem cinco técnicas não invasivas de contorno corporal, aprovadas pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA, incluindo laser, criolipólise, radiofrequência, ultrassom focalizado e tratamentos de campo eletromagnético focalizado de alta intensidade (HIFEM). Esses cinco procedimentos demonstraram ser eficazes e cresceram em popularidade.  O HIFEM, a mais nova dessas cinco técnicas, é a menos estudada. (Giesse, 2021).

Duncan e Dinev (2020) relatam que a alta tecnologia do campo eletromagnético com foco em intensidade (HIFEM) foi recentemente introduzida no campo da Medicina Estética para fornecer aos profissionais da área, uma ferramenta para tonificar e fortalecer os músculos além da capacidade normal do exercício.

O dispositivo HIFEM compreende uma bobina circular localizada no aplicador, que é colocado sobre a área de tratamento. Durante o tratamento, uma corrente elétrica alternada é enviada para a bobina circular. As alternâncias na corrente elétrica induzem rapidamente as mudanças de ondas magnéticas que se propagam para o tecido, onde induzem um estímulo elétrico secundário. Essas correntes elétricas dentro do depósito de tecido estimulam os neurônios motores que inervam os músculos a induzir contrações musculares. A aplicação do HIFEM ignora o sistema nervoso central e periférico e estimula diretamente os neurônios motores inervantes do músculo, permitindo contração completa do músculo.

Os estudos de Kent et al., Katz et al. e Kinney et al., empregou tomografia computadorizada (CT), ultrassom e ressonância magnética respectivamente, para investigar mudanças na composição abdominal de tratamentos PÓS-HÍFEM. A espessura dos músculos abdominais medido em imagens CT e de ressonância magnética aumentou, em média, 14,8% para 15,4%, indicando hipertrofia muscular. Embora a tecnologia de HIFEM afete diretamente os músculos, os estudos também descobriram que a espessura da gordura abdominal era reduzida em média 17,5% a 19%.

Já recentemente, Kinney e cols. e Kent e cols. relataram uma redução na separação abdominal (10,0%), um aumento na espessura do reto abdominal (15,1%) e uma redução na gordura abdominal (18,1%) após um tratamento não invasivo de alta intensidade com o campo eletromagnético focalizado (HIFEM). A tecnologia induz um campo magnético de mudança rápida que desencadeia contrações musculares supramaximais não alcançáveis ​​voluntariamente. Em resposta, os músculos crescem e se fortalecem, o que leva a um abdômen mais tenso. Além disso, a carga muscular desencadeia respostas metabólicas, levando à redução da gordura subcutânea.  

As evidências clínicas mostram que a terapia com HIFEM pode induzir uma redução média da circunferência abdominal de 4,37 cm. Outras tecnologias atuais atribuem reduções na circunferência abdominal apenas à redução de gordura, enquanto com o procedimento HIFEM as reduções na circunferência abdominal parecem ser atribuídas a uma combinação de redução de gordura e reparação da musculatura reto abdominal. Embora exista literatura investigando o procedimento HIFEM, faltam dados de evidências de práticas.  Depois da criolipólise e da radiofrequência, a área da Estética parece ganhar uma das maiores tecnologias de todos os tempos para aumento de força e hipertrofia muscular e, ainda, redução de gordura localizada por estímulo de apoptose através de contrações musculares supramáximas (muito além do máximo) jamais conseguidas pelo cérebro, levando há grande modelagem e definição corporal. Muito obrigado pela atenção e até o próximo!!!

Referências

  • Duncan D, Dinev I. Noninvasive Induction of Muscle Fiber Hypertrophy and Hyperplasia: Effects of High-Intensity Focused Electromagnetic Field Evaluated in an In-Vivo Porcine Model: A Pilot Study. Aesthet Surg J. 2020 Apr 14;40(5):568-574. doi: 10.1093/asj/sjz244. PMID: 31665217; PMCID: PMC7154795.
  • Giesse S. A German Prospective Study of the Safety and Efficacy of a Non-Invasive, High-intensity, Electromagnetic Abdomen and Buttock Contouring Device. J Clin Aesthet Dermatol. 2021 Jan;14(1):30-33. Epub 2021 Jan 1. PMID: 33584965; PMCID: PMC7869812.
  • Kinney BM, Lozanova P. High intensity focused electromagnetic therapy evaluated by magnetic resonance imaging: Safety and efficacy study of a dual tissue effect based non-invasive abdominal body shaping. Lasers Surg Med. 2019;51(1):40-46. doi:10.1002/lsm.23024.
Igor Lustosa é fisioterapeuta dermatofuncional desde 2005. Palestrante, escritor, pesquisador e professor universitário desde 2008. É mestrando em Meio Ambiente-CEUMA/MA, autor do Protocolo Premiado no 4º Prêmio Estétika – Categoria: Procedimento e Inovação Técnica e apresentador do canal Tá Bonita! no YouTube. Instagram @igorlustosa

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