A evolução da fisioterapia dermatofuncional

A área em constante expansão conquista cada vez mais prestígio graças às inúmeras possibilidades de atuação do profissional qualificado e à obtenção de resultados expressivos em diversos tratamentos, que vão da reabilitação tecidual ao embelezamento estético
Carmen Cagnoni (@carmencagnoni)

Conhecida no passado como Fisioterapia Estética, a Fisioterapia Dermatofuncional, segundo o COFFITO (Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional), foi reconhecida como especialidade do profissional fisioterapeuta pela Resolução no. 362, de 20 de maio de 2009, “considerando a necessidade de prover, por meio de uma assistência profissional adequada e específica, as exigências clínico-cinesiológico-funcionais dos indivíduos com alterações nas funções e estruturas relacionadas”.

A área engloba o estudo de técnicas para lidar com a prevenção e a recuperação de danos no sistema tegumentar, quer dizer, a pele. Dessa forma, quem atua na Fisioterapia Dermatofuncional busca soluções para todo tipo de prevenção e solução estética, como, por exemplo, em casos de gordura localizada, obesidade, flacidez da pele, cicatrizes, estrias e fibroedemas.

Por ser um profissional da área de Saúde, por meio de seu conhecimento científico, pode recomendar tratamentos que sejam agregados às outras áreas da Medicina, como Dermatologia, Cirurgia Plástica e Endocrinologia, em favor da aplicação segura de terapias.

CONSTRUÇÃO DE RESPEITO

“No início da minha carreira, no final dos anos 90, precisamente em 1999, o foco do trabalho era meramente estético, tanto que a área era vista como Fisioterapia Estética. Então, quem atuava no setor sofria certo preconceito. Acreditavam que nós apenas fazíamos massagem e passávamos creminho. Naquela época, havia poucos profissionais e nem existia ainda a especialidade Fisioterapia Dermatofuncional. Então, fazia-se menção ao fisioterapeuta voltado aos cuidados da pele somente como um profissional de cuidados estéticos. Mas o segmento foi crescendo, ganhando espaço e passou a ser uma especialização da Fisioterapia, que não cuida e não trata única e exclusivamente dos aspectos inestéticos, mas também da reabilitação do tegumento, da reabilitação vascular, das alterações metabólicas. Por isso, o profissional especializado também tem grande atuação na área vascular, na cirurgia bariátrica, na perda de peso (onde é uma peça fundamental) e claro que atua grandemente nos aspectos inestéticos, além de cirurgia plástica estética, reparadora e de reconstrução”, relata Paula França (@drapaulafranca), fisioterapeuta pós-graduada em Fisioterapia Dermatofuncional, Fisioterapia em Oncologia e Unidade de Terapia Intensiva.

Igor Lustosa (@igorlustosa), fisioterapeuta dermatofuncional, palestrante, escritor, professor e pesquisador do Centro Universitário UNDB, em São Luís (MA), também lembra de desbravar o cenário profissional e de enfrentar preconceitos no início da carreira. “Naquela época, há 15 anos, o mercado era bem limitado. Não foi fácil. Primeiramente, porque sou homem e fui praticamente pioneiro no meu estado, o Maranhão (no Brasil já existiam outros homens atuando na área, como Orlando Sanches e Fábio Borges), então, considero que abri espaço, com muita vontade e persistência, para a chegada de muitos outros profissionais”, conta.

De acordo com Igor, as ferramentas disponíveis naquele tempo se limitavam ao creme de massagem, ultrassom e à vacuoterapia. “Era um mercado restrito. Conseguia-se trabalhar, basicamente, com a celulite e a gordura localizada. Hoje, o campo é amplo e o trabalho se expandiu graças ao crescimento da área, que foi (e está sendo) muito rápido. A expansão do mercado da beleza foi explosiva e isso deve continuar, mesmo que hoje estejamos vivendo um ‘vácuo’ em consequência da pandemia”, afirma. “O que era visto como fútil vem a cada dia ganhando mais espaço porque mostra que a questão de saúde é muito ampla, e inclui, também, a questão de bem-estar, de qualidade de vida, de se olhar e se aceitar e da contribuição que a Fisioterapia Dermatofuncional oferece nesses pontos”, reconhece Paula França.

ATUAÇÃO COMPETENTE

Reconhecidamente, a Fisioterapia age na promoção de saúde, prevenindo e reabilitando disfunções decorrentes de patologias e alterações que afetam diferentes sistemas corporais, por meio de diferentes técnicas. A Fisioterapia Dermatofuncional tem abordagem no sistema tegumentar, a pele, melhorando a função e a beleza, contribuindo para o bem-estar e a melhora da qualidade de vida, atua em queimaduras e suas sequelas, pré e pós-procedimentos cirúrgicos, dermatológicos e oncológicos, processos cicatriciais, reparo tecidual e alterações estéticas faciais e corporais, entre outros.

Assim, o profissional pode atuar em consultórios, clínicas, hospitais, SPAs, academias e na área acadêmica. “O Fisioterapeuta Dermatofuncional, embora tenha como objeto principal a abordagem no sistema tegumentar, seu diferencial é sua formação que envolve prevenção, reabilitação e recuperação não apenas do sistema tegumentar, mas também de outros sistemas relacionados a esse”, esclarece Elen Tombi, coordenadora da pós-graduação em Fisioterapia Dermatofuncional da Universidade Anhembi Morumbi (@anhembimorumbi), em São Paulo

“Nós trabalhamos com a saúde e a beleza da pele, sua reabilitação. Por exemplo, para devolver a aparência bonita de uma pele estriada, com cicatrizes hipertróficas, é preciso reabilitá-la. Nós precisamos devolver-lhe nutrientes e tecido que constitui aquela área, de forma a resgatar a aparência mais perfeita e fisiologicamente possível. Por isso, não trabalhamos só o embelezamento, mas a reabilitação. Outro exemplo: no caso de um paciente que sofreu uma queimadura, ele passará pelo fisioterapeuta para que esse realize um trabalho a fim de devolver os movimentos naturais da pele, devolver a coloração, o formato. Tentamos reabilitar ao máximo aquele tecido, restituindo-lhe a estrutura mais próxima da fisiológica, uma vez que aquele tecido sofreu lesão”, pontua Igor Lustosa.

“A diferença entre um fisioterapeuta dermatofuncional e um profissional esteta é que o fisioterapeuta não tem uma visão somente do aspecto inestético, mas também da funcionalidade, tanto do tegumento quanto dos anexos e de tudo que isso pode impactar: as retrações de tecido, os comprometimentos miofaciais, o quanto essas afecções inestéticas podem contribuir para uma desorganização do sistema. Então, o Fisio Dermatofuncional tem uma visão holística assim como o profissional esteticista, porém, o que vai diferenciá-los é justamente a questão da reabilitação. O foco não é apenas estético, nós temos como complemento uma visão um pouco mais ampla no sentido de alterações posturais, alterações miofaciais, entre outras questões”, exemplifica Paula França.

FUTURO PROMISSOR

De acordo com a coordenadora da Anhembi Morumbi, Elen Tombi, que também é mestre em Ensino em Ciências da Saúde, graduada em Fisioterapia e especialista em Fisiologia do Exercício e Fisitorepaia Dermatofuncional, nos últimos anos, houve aumento na procura por esse curso, haja vista que a Fisioterapia Dermatofuncional é uma especialização que está inserida na área da Saúde e Estética, setor cujo crescimento é notório. “No período de pandemia, as cirurgias eletivas, os procedimentos médicos e estéticos e os serviços não essenciais sofreram adaptações que impactaram também a área da Fisioterapia Dermatofuncional. Apesar dessa situação, em 2020 houve crescimento no setor da beleza e de cuidados pessoais de acordo com a ABIHPEC: o setor de Higiene Pessoal Perfumaria e Cosméticos teve aumento no faturamento de 5,7% em relação ao ano anterior, o que demonstra que a busca por cuidados pessoais não parou mesmo durante esse período. Assim, o mercado de trabalho para o fisioterapeuta dermatofuncional, por sua multidisciplinaridade, continua altamente promissor e ser um profissional bem-preparado é essencial para atender as demandas dessa área exigente”, pondera.

“Para se sobressair nessa nossa área, é primordial realizar um trabalho sério, ético, pautado em Fisiologia, com a justificativa da utilização dos recursos disponíveis na Fisioterapia Dermatofuncional, seja para o cuidado inestético, seja para reabilitação de tegumento, ou a abordagem dupla dessas duas questões. Então, esse profissional que deseja ser referência, assim como o profissional de saúde estética, deve estar sempre em busca de novos conhecimentos, tudo pautado em embasamento científico. Isso não quer dizer que só tenhamos que replicar o que está nos estudos, mas sim ver como um modelo para nos pautar e servir de base para que possamos desenvolver tratamentos clínicos cada vez mais seguros e eficientes”, defende Paula França.

“Não considerando o momento em que estamos vivendo (e que vamos superar com certeza!), a tendência é de crescimento, e que esse crescimento amplie os espaços para todos. Os estudos científicos estão cada vez mais precisos, e o aumento de pesquisas na área faz com que o mercado avance, sem contar que o interesse da indústria em produzir recursos que entreguem melhores resultados é constante. E com o aumento de tecnologia e a produção de cosméticos mais precisos vêm a aplicabilidade clínica, demando maiores oportunidades de trabalho para quem está qualificado”, argumenta Igor.

QUALIFICAÇÃO É MAIS QUE PRIMORDIAL

Existem várias instituições que oferecem a especialização, seja por meio presencial ou EAD. Vale lembrar que o curso de Fisioterapia Dermatofuncional é uma pós-graduação da Fisioterapia (cuja graduação deve ser comprovada por meio de diploma), com carga horária de 360 horas e a duração de 18 meses. A grade curricular do curso da Universidade Anhembi Morumbi, por exemplo, é composta por disciplinas comuns à pós-graduação, que desenvolvem o pensamento crítico, a capacidade de resolver problemas, possibilitando o uso da criatividade e inovação na profissão por meio de ferramentas práticas e por disciplinas específicas que desenvolvem o conhecimento e habilidades práticas da Fisioterapia Dermatofuncional. A especialização em Fisioterapia Dermatofuncional prepara o fisioterapeuta para atuar de forma autônoma e em equipe interprofissional. “O curso tem o objetivo de contribuir para a formação de profissionais qualificados, capazes de atuar na área desde a avaliação, diagnóstico, planejamento e execução do tratamento que compete ao Fisioterapeuta Dermatofuncional. Aborda semiologia, elaboração e aplicação de programas terapêuticos visando desenvolver e/ou restaurar a integridade da saúde, desenvolve o conhecimento sobre os produtos cosméticos e dermatológicos, em relação a matérias-primas, forma farmacêutica, mecanismos de ação dos princípios ativos, aplicação e interação com pele. Prepara o profissional para a prevenção e intervenção fisioterapêutica no pré e pós-operatório das cirurgias plásticas e oncológicas, em pacientes queimados, na reabilitação das disfunções estéticas faciais e corporais por meios de por meio de abordagens que associam recursos, como terapias manuais, equipamentos e cuidados paliativos”, detalha a coordenadora Elen Tombi.

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