50 perguntas sobre ozonioterapia

Sem rodeios, direto ao ponto: tudo o que você sempre quis saber e nunca teve a chance de perguntar sobre uma das técnicas mais promissoras da atualidade. E, buscamos informações com três dos maiores nomes da ozonioterapia no Brasil: o mestre em ciência da saúde e farmacêutico especializado em estética Rafael Ferreira (@rafaelferreiradoutor), que tem MBA em cosmetologia e é de São Paulo; o fisioterapeuta e mestre em ciências pedagógicas Fabio Borges (@fabioborges2000), do Rio de Janeiro; e a biomédica, esteticista, professora de estética e palestrante Alexandra Vicentini (@draalexandra.curvas), proprietária da Maison Curvas, em Sertãozinho (SP). Shâmia Salem

Rafael Ferreira, mestre em ciência da saúde e farmacêutico especializado em estética e tem MBA em cosmetologia

1. É seguro usar a ozonioterapia para tratar olheiras e pálpebra superior, também chamada de zona de côncavo?

Rafael Ferreira Além de ser superseguro, oferece um excelente resultado. E, particularmente, gosto de associar a técnica com o jato de plasma, para interagir a energia do plasma com a taxa de recuperação da ozonioterapia. Assim, o paciente tem uma evolução incrível.

2. Quais profissionais podem praticar a ozonioterapia?

Rafael Ferreira A ozonioterapia está inserida na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares do SUS, pela portaria número 702/2018, do Ministério da Saúde, que não é muito clara. De maneira genérica, ela diz que a técnica é permitida a profissionais da saúde; e a leitura feita é que podem oferecer o procedimento esteticistas, podólogos, terapeutas, educadores físicos, nutricionistas, psicólogos, dentistas… Enfim, basta atuar na área da saúde.

3. Dá para associar ozonioterapia com microagulhamento?

Rafael Ferreira Sim, pode, e dá para fazer isso de dois jeitos. Um deles é começar com a ozonioterapia, fazendo punturação em toda a região a ser trabalhada, e, em seguida, realizar o microagulhamento no mesmo local. Dessa maneira o ozônio ajuda tanto no controle do processo inflamatório, numa área com melasma, por exemplo, como estimula o aumento da produção de colágeno devido à puntura que faz parte da técnica. Outra opção é iniciar com o microagulhamento e aproveitar os canais que ele criou na pele para fazer um drug delivery de óleo ozonizado, especialmente se a paciente estiver com a pele desvitalizada e desidratada. Também é possível associar monodoses convencionais, desde que elas não sejam formuladas com antioxidantes de amplo espectro, caso da vitamina C pura, para não prejudicar a ação oxidante do ozônio. Melhor seria monodoses de silício orgânico ou de fatores de crescimento.

4. Qual o tamanho do investimento para poder oferecer a técnica no espaço de beleza?

Rafael Ferreira Além de se especializar e atualizar constantemente, você vai precisar comprar o equipamento de ozonioterapia. A boa notícia é que nem de longe ele está entre os mais caros dentro da estética. Já vi excelentes opções que custam entre R$ 4 mil e R$ 14 mil.

5. Também é preciso comprar oxigênio para gerar o ozônio. Ele é muito caro?

Rafael Ferreira Vou falar sobre o meu caso específico: uso um cilindro de 5 litros e pago entre R$ 50 e R$ 60 para recarregá-lo. Só não consigo dizer quanto ele dura, porque tudo vai depender da dosagem que vou usar em cada tratamento para transformar o oxigênio em ozônio na hora da aplicação. No protocolo corporal, que utiliza muito mais oxigênio do que no facial, geralmente gasto entre 120 e 240 ml.

6. Demora muito para recuperar o investimento feito na ozonioterapia?

Rafael Ferreira Claro que cada caso é um caso. Mas, muitos alunos me contaram que no primeiro mês do tratamento já conseguiram pagar o investimento que fizeram em maquinário.

7. Qual é a margem de lucro com a ozonioterapia?

Rafael Ferreira Ela é superior a 50%, e, sinceramente, desconheço qualquer tratamento estético que chegue perto disso, sequer à metade dessa porcentagem.

8. Carboxiterapia é a mesma coisa que ozonioterapia?

Rafael Ferreira Não. Mas, é muito comum as pessoas confundirem as duas técnicas porque ambas utilizam gás. Porém, o mecanismo de ação é completamente diferente, assim como algumas finalidades. Para ficar em dois exemplos vale saber que a ozonioterapia pode ser usada para aumentar a imunidade e a carboxiterapia não e na carboxiterapia você usa fluxo de gás contínuo enquanto na ozonioterapia a dosagem precisa ser calculada individualmente para cada paciente e levando em conta o tratamento que será realizado.

9. Em ozonioterapia, dose e volume são sinônimos?

Rafael Ferreira Nunca! Como diz meu amigo, o professor Carlos Ruiz, em ozonioterapia concentração é concentração, volume é volume e dose é volume vezes concentração. A confusão em torno dessa equação e que pode levar ao uso de grandes doses de ozônio fez com que muitos países do mundo proibissem o uso do ozônio na estética, inclusive por decreto federal!

10. Qual o perfil do paciente que pode receber ozonioterapia?

Rafael Ferreira Não há limite de idade. Prova disso é que há protocolos para crianças, para tratar, por exemplo, desordens do intestino. Em adultos, o procedimento é uma excelente opção para fazer antes e depois de uma cirurgia plástica, como forma de acelerar a recuperação e diminuir as chances de fibrose. E, para quem atingiu a quarta idade, ou seja, tem 80 anos ou mais, a ozonioterapia favorece as estruturas da pele, que nessa fase da vida está mais fina do que nunca, ressecada mesmo que tenha sido oleosa no passado e cada vez mais frágil e sujeita a lesões.

11. Quais são as possíveis vias de administração da ozonioterapia?

Rafael Ferreira São várias, mas, de maneira geral, temos uma resposta local com a aplicação tópica ou insuflação tissular, que usa uma agulha semelhante à utilizada na carboxiterapia, e a sistêmica. Essa última pode ser realizada por meio da ingestão de uma água preparada com ozônio. Porém, a via que temos mais estudos é a retal, que utiliza uma sonda de 10, que é tão fina a ponto de dispensar o uso de anestésico. Cuba, que é um polo de pesquisa do ozônio no mundo, com 39 hospitais especializados em ozonioterapia, recomenda fortemente o uso retal. Em contrapartida, vale saber que o meio nasal é contraindicado, já que o ozônio é irritativo para as vias aéreas superiores e pode causar fibrose no pulmão; e a sublingual é recomendada apenas para poucos volumes de ozônio, menos até do que o ingerido através da água

12. O paciente que tem prisão de ventre precisa fazer uma lavagem intestinal antes da ozonioterapia?

Rafael Ferreira Não é necessário. Claro que o ideal é que a pessoa venha receber o tratamento com o intestino esvaziado, o que significa ir ao banheiro normalmente. Porém, mesmo que parte do gás seja perdido pela presença de fezes no canal retal o aproveitamento do ozônio continuará válido.

13. Qual o motivo da insistência em se atualizar com tanta frequência em ozonioterapia?

Rafael Ferreira Sabe a máxima “a diferença entre medicamento e veneno é a dose”? Ela também se aplica à ozonioterapia, especialmente porque a técnica está sendo constantemente estudada e, portanto, seus protocolos de aplicação são regularmente revisados. E muitos mudam. Prova disso é que estudos antigos indicavam o uso de 10 mcg de ozônio para combater gordura localizada, mas agora já se sabe que esta quantidade pode surtir efeito exatamente contrário e acabar aumentando o acúmulo de gordura. Também se dizia que o processo de ozonização não poderia ser feito no soro fisiológico, mas atualmente já pode. Essas atualizações surgem a partir da Declaração de Madrid, um tratado que é divulgado a cada cinco anos após uma reunião entre os principais representantes do ozônio no mundo para trocar informações sobre a técnica, apresentar novos estudos sobre o que funciona e o que não dá certo. No último encontro falou-se muito sobre o tratamento de microvasos com ozônio, que, até então, era permitido, mas chegou-se à conclusão de que por se tratar de uma indução intravenosa de gás pode ser um risco potencial. Portanto, agora essa aplicação é contraindicada. Por estarmos nessa curva de aprendizado é que estou ensinando as novas padronizações no meu curso, e ele nunca é igual ao anterior.

14. Como a ozonioterapia também vem com a proposta de equilíbrio do funcionamento do organismo e sofremos interferências diárias de todos os tipos, como estresse, má alimentação e doenças, como fica a manutenção do tratamento?

Rafael Ferreira Cada caso é um caso. Mas, regra geral, boa parte dos pacientes realizam a abordagem sistêmica da ozonioterapia, com aplicações a cada 3 ou 7 dias. Dependendo do objetivo que se busca, os tratamentos faciais normalmente giram em torno de 5 a 10 sessões e os corporais, entre 10 e 20. Depois, para manter o resultado normalmente se repete o ciclo de aplicações cerca de uma ou duas vezes por ano.

15. O resultado do tratamento demora quanto tempo para a aparecer?

Rafael Ferreira Esse é mais um dos benefícios da ozonioterapia, já que ela tem um efeito tão intenso a ponto de ser visto já na primeira sessão. Por isso é que tomo todas as medidas corporais antes e depois de cada aplicação, e mostro a diferença ao paciente, que sempre se surpreende e não vê a hora de voltar para a próxima sessão. No rosto acontece algo ainda melhor, porque o efeito realmente é impactante no espelho e nas fotos tiradas também antes e depois do tratamento.

16. Todo mundo pode receber ozonioterapia?

Rafael Ferreira Não. Há contraindicação para quem tem carência da enzima G6PD, que faz com que os glóbulos vermelhos do sangue fiquem desprotegidos e, consequentemente, fiquem mais suscetíveis à oxidação. E o ozônio é terceiro maior oxidante que existe. Hoje é fácil saber disso, porque a avaliação dessa enzima é realizada no nascimento, com o chamado Teste do Pezinho. Se o paciente não tiver feito esse teste na infância, ele pode realizar na vida adulta. Além disso, dá para desconfiar do problema quando a pessoa tem muitas restrições alimentares. Quem tem hipertireoidismo também não pode fazer ozonioterapia, porque a técnica acelera demais o metabolismo, que já é acelerado em quem tem essa alteração no funcionamento da tireoide; nem quem tem problemas de coagulação, já que o ozônio interfere na enzima que controla o processo de coagulação, levando ao risco de haver hemorragia.

17. Quais os efeitos colaterais da ozonioterapia?

Rafael Ferreira São poucos. Há quem se sinta um pouco mareado, com dor de cabeça e enjoo por causa do aumento do metabolismo provocado pelo procedimento. Diante disso, a pessoa pode tomar as medicações que ela está acostumada diante desses sintomas.

18. Em caso de intoxicação por ozônio, o que pode ser feito para cortar na hora do efeito do gás?

Rafael Ferreira Como o ozônio é um oxidante, basta ingerir um antioxidante. Por exemplo, a vitamina C.

19. Paciente vacinado contra Covid-19 pode fazer ozonioterapia?

Rafael Ferreira O grupo de orientação da Sociedade Brasileira de Ozonioterapia recomenda esperar para realizar o tratamento com ozônio. O motivo não é nem por conta da vacina em si, mas porque o ozônio, com sua capacidade de reequilibrar o organismo, pode mascarar possíveis reações adversas da vacina, que a gente já sabe que são bastante raras.

20. Quais as regras para associar outros tratamentos com a ozonioterapia com segurança e bons resultados?

Rafael Ferreira Regra geral, é preciso tomar cuidado com procedimentos que envolvem o uso de antioxidantes, que cortam o efeito oxidante do ozônio. Tirando isso, a ozonioterapia agrega super bem com vários tratamentos. Na dúvida, dê um intervalo de pelo menos 24 horas entre as técnicas.

21. Quem trabalha com especialistas que realizam tratamentos injetáveis, como toxina botulínica, bioestimulador de colágeno e preenchimento com ácido hialurônico, deve obedecer a qual ordem de aplicação da ozonioterapia?

Rafael Ferreira Acho válido começar com ozônio e esperar pelo menos 24 horas para realizar o procedimento injetável. Caso contrário, há o risco de perder efeito dele. A não ser que a pessoa espere a ação terminar para, só então, fazer a ozonioterapia. Por isso, aliás, é que é importantíssimo perguntar para o paciente se ele possui algum desses procedimentos injetáveis antes de iniciar a aplicação do ozônio.

22. Qual o jeito mais didático de explicar para o paciente o que é o ozônio?

Rafael Ferreira De maneira resumida, pode-se dizer que o ozônio é um gás presente na natureza e utilizado há mais de um século na medicina alternativa para tratar de dores articulares a feridas na pele. Esse gás gera um efeito antioxidante e anti-inflamatório e, também, é capaz de liberar fatores de regeneração dos tecidos.

23. Como o fato do ozônio ser um oxidante pode ser benéfico para o organismo?

Rafael Ferreira Por ser um radical livre, o ozônio vai atacar a membrana celular. Só que esse ataque é o que a gente chama de dose controlada, como acontece ao tomar uma vacina, pois ele tem como objetivo fazer com que o corpo se defenda. No caso da ozonioterapia, as células trocam sua membrana e, consequentemente, passam a funcionar de maneira muito mais otimizada, favorecendo o rejuvenescimento e o aumento do metabolismo basal.

24. Dá para fazer aplicação retal, local e auto-hemo na mesma sessão?

Rafael Ferreira Pode, sim, mas lembre-se que apesar de serem vias de administração diferentes, todas elas estão sendo aplicadas no mesmo corpo. Logo, é fundamental realizar o cálculo da dose total que está sendo utilizada e atentar sempre para não ultrapassar os limites de segurança que uma pessoa pode receber.

Fabio Borges, fisioterapeuta e mestre em ciências pedagógicas

25. Quais as principais vias de aplicação da ozonioterapia na estética?

Fabio Borges São cinco. A primeira é a transcutânea, caracterizada pela aplicação do ozônio na pele utilizando várias modalidades terapêuticas, como por exemplo: as bags (“compartimento” criado com um saco plástico capaz de reter o ozônio em seu interior e assim mantê-lo em contato com a pele por mais tempo), que podem ter formatos de bota, luva, touca etc;1 a água ozonizada, que além de ser ingerida, pode ser usada para umedecer compressas ou para realizar banhos, que são chamados de hidrozonioterapia;2 as ventosas, quem podem ser as pequenas, tradicionais, que utilizam o vácuo manual para aumentar a exposição da pele ao ozônio,3 ou as ventosas “pump” que utilizam o vácuo gerado por aparelhos de vacuoterapia/endermoterapia, em ambos os modelos, o ozônio é aplicado com seringas sem que o vácuo da ventosa se perca; o óleo ozonizado, que se propõe a entregar peróxidos quando aplicado na pele, produzindo assim, efeitos de ozonioterapia, como por exemplo, efeito hidratante,4 antinflamatório,2 bactericida,5 cicatrizante6 etc; a sauna ozonizada, que hoje é bastante usada em locais de spaterapia, e tem a proposta de deixar grande parte do corpo sob os efeitos do ozônio;7 e cosméticos à base de ozônio, que atualmente se constituem numa excelente ferramenta de associação nos tratamentos usando ozonioterapia.8

Outras vias de administração são a intradérmica e a subcutânea. A primeira se caracteriza pela injeção do ozônio na junção dermoepidérmica, usando agulhas apropriadas, com o objetivo de tratar problemas estéticos localizados na pele ou no couro cabeludo, como rugas e flacidez,9 estrias, queda capilar,10 acnes,1, 11 cicatrizes,1 discromias,12, 13 telangiectasias,14 etc. A técnica subcutânea se caracteriza pela injeção do ozônio na gordura subcutânea, podendo ser superficial para o tratamento de celulite,15 ou profunda no tratamento de gordura localizada.16

No Brasil, as técnicas intradérmica e subcutânea também são realizadas sem o uso de seringas. Para isso, utiliza-se uma mangueira de silicone para conduzir o ozônio direto do aparelho à área alvo, similar a técnica de carboxiterapia, por isso, esse procedimento é chamado de “Modo Carboxi” ou “Fluxo Livre”.

Há ainda a insuflação retal, que é simples, tem baixo custo e a capacidade de aumentar a oxigenação do sangue, elevar a quantidade de antioxidantes no corpo, diminuir o estresse oxidativo e melhorar a imunidade.1, 10, 17, 18 Por fim, há também a técnica de auto-hemoterapia menor, que consiste na retirada do sangue endovenoso, em seguida misturá-lo com o ozônio dentro de uma seringa, e então injetá-lo via intramuscular. 1, 19 Está indicada para regulação geral do corpo, para tratar várias afecções estéticas, e tem como principais efeitos a melhora a circulação sanguínea e a entrega de oxigênio ao tecido isquêmico, melhorar o metabolismo geral, ativa as enzimas antioxidantes celulares, induz uma ativação do sistema imunológico, e gera um bem-estar surpreendente, provavelmente estimulando o sistema neuroendócrino.20

26. Qual o segredo para preparar uma boa água ozonizada?

Fabio Borges A água tem um poder muito grande de reter ozônio, mas ela tem que o ser mais pura possível, pois na presença de algumas substâncias químicas o ozônio pode reagir gerando outras substâncias que podem ser nocivas à saúde,2 até a água da torneira, com excesso de cloro e em contato com o ozônio, pode dar origem a uma série de substâncias tóxicas.21 Daí o ideal é usar água puras, como por exemplo, a água bidestilada ou de osmose reversa.22, 23

27. Como prevenir a toxicidade do ambiente durante a aplicação da ozonioterapia?

Fabio Borges É muito importante que você tenha o controle do PPM (Parte Por Milhão) de ozônio da sala ou consultório onde se atende com ozonioterapia, ou seja, deve-se cuidar para que a concentração de ozônio por metro cúbico da sala não seja toxico para o profissional ou cliente.20 Por isso recomendo manter o local bem ventilado com janelas abertas e, se possível, um ventilador. Isso minimiza muito a concentração de ozônio no ambiente. Além disso, pode-se usar equipamentos que medem o valor do PPM de ozônio no ambiente de trabalho, eu já utilizo um modelo adquirido fora do Brasil e me dá muita tranquilidade para a realização do “modo carboxi” no ambiente de trabalho.

28. Como a ozonioterapia é capaz de reduzir a celulite?

Fabio Borges Encontramos algumas situações clínicas que respaldam o uso da ozonioterapia no tratamento da celulite. Vamos a elas: a) Há uma correlação entre o estresse oxidativo do corpo e processos fibróticos na pele,24 pois as espécies reativas de oxigênio (EROs) podem estar associadas a evolução fibrótica celulítica, incluindo a estimulação crescente de fibroblastos,25 portanto, quando a ozonioterapia produz diminuição do estresse oxidativo,26 pode influenciar no tratamento da celulite, por isso, recomendamos a associação da ozonioterapia sistêmica como adjuvante ao tratamento celulítico local, a fim de provocar maior liberação de elementos antioxidantes. Outro fator importante no componente fisiopatológico celulítico é a estagnação da microcirculação (Paniculose),15 por isso, o ozônio pode ativar a microcirculação e, assim, eliminar fluidos intersticiais estagnados (edema celulítico crônico).27 Por fim, o ozônio também atua como um anti-inflamatório, reduzindo assim a produção de citocinas pró-inflamatórias, imunoglobulinas e mediadores inflamatórios,28, 29e isso pode ser importante para o tratamento de certos tipos de celulite. Alguns autores27 relataram que a ozonioterapia pode atuar na celulite diminuindo a gordura subcutânea, incrementando a microcirculação, melhorando progressivamente o tônus ​​da pele, e reduzindo a sensação de peso nos membros inferiores.

29. Como o ozônio atua contra a gordura localizada?

Fabio Borges O ozônio pode decompor os lipídios em vários derivados, como lipoperóxidos, hidroperóxidos e produtos de oxidação lipídica (LOPs) de pequeno peso molecular.30E ele é capaz de se ligar às duplas ligações de carbono dos ácidos graxos (Polinsaturados) da bicamada lipídica da membrana, dividindo-as, (Ozólise – reduz suas cadeias de longa para curta, tornando-as hidrofílicas), assim, as cadeias lipídicas são fragmentadas, por meio da oxidação, e isso pode causar danos nas paredes celulares que são constituídas de fosfolipídeos e lipoproteínas.27,31, 32 Além disso, segundo alguns autores,32, 33a peroxidação lipídica produz reações oxidativas que podem causar mudanças nas propriedades físico-químicas das membranas celulares, como por exemplo: aumento da permeabilidade da membrana; e mudanças na fluidez, podendo gerar “expulsão” do líquido intracelular, após ruptura das membranas celulares (oxidação lipídica dos fosfolipídios e lipoproteínas), e das organelas, com consequente morte celular adipocitária.

30. Rejuvenescimento e flacidez muscular também podem ser combatidos com ozonioterapia?Fabio Borges Sim, porque o envelhecimento está associado ao estresse oxidativo, e como ozônio pode combate-lo é possível promover o rejuvenescimento com a ozonioterapia.34, 35 Além disso, a inflamação também está associada ao processo de envelhecimento por ação do Fator Nuclear kB (NFkB),36 e como o ozônio exerce potente ação anti-inflamatória ao estimular o Fator Nuclear Eritróide 2 Relacionado ao Fator 2 (NRF2), inibindo a ação do NFkB, pode atuar interrompendo o processo de envelhecimento, inclusive na pele.26 Além disso, no tratamento local, a lesão causada pela agulhada junto com a injeção do ozônio permite inflamar a pele, estimulando os fibroblastos a produzirem colágeno e repararem as rugas e a flacidez da pele envelhecida.9

31. Quanto tempo o ozônio permanece ativo e concentrado na água ozonizada após a ozonização?

Fabio Borges Essa pergunta é controversa, pois depende de vários fatores como temperatura, pH, pureza, acondicionamento etc, por isso, a própria literatura se contradiz. Há autores37 que relataram que quanto maior a temperatura e o pH da água, menor a meia-vida do ozônio, e se a água estiver gelada, a concentração de ozônio tende a permanecer por mais tempo. Eles relataram ainda que uma água a 8°C e pH 3, após ser ozonizada teve a saturação de ozônio em 17,7 min reduzida em 24%, e após 19,03 min, reduzida em 36% a concentração de ozônio. Razumovskii et al. (2010),38 disseram água pura pode preservar o ozônio em até 6 horas.

Nós temos um equipamento para mensurar a quantidade de ozônio na água e quanto tempo ele leva para se degradar. E, para tirar a prova do que acontece com o passar do tempo, já que muita gente guarda a sobra da água, fizemos uns testes, usando recipientes de guarda da água pós-ozonização que ficaram abertos e fechados por cerca de 1 hora e 11 minutos. No recipiente que permaneceu aberto, o equipamento mostrou que houve uma diminuição na quantidade de ozônio em cerca de 22%. E, naquele que ficou fechado, a perda girou tem torno de 13,9%. A conclusão que chegamos é de que há, sim, uma perda do ozônio, mas ela não é tão significativa quanto muita gente acha ao usar essa água para uso posterior.

32. Tratamento capilar só pode ser feito com injeção de ozônio?

Fabio Borges Além da injeção tradicional com seringa, podemos usar bags e óleos e até a injeção do gás sem seringa (modo “carboxi” ou “fluxo livre”), utilizando um uma mangueira de silicone apropriada. Vale dizer que o uso do gás ozônio na terapia capilar tem respaldo na literatura39,40 e na prática clínica tem se mostrado extremamente eficaz.

33. Óleo ozonizado é realmente uma boa alternativa para usar em tratamentos estéticos?

Fabio Borges Sim, com certeza. A ozonização deu ao óleo a capacidade de reter o ozônio por mais tempo. Com isso, a gente consegue dispor dos efeitos desse gás de maneira mais prolongada do que quando ele é utilizado via soro, água ou ar.

Atualmente, o óleo ozonizado é indicado para diversas afecções, como inflamações na pele,2  reparo tecidual,41 fibrose, 42 pele desidratada,4 candidíase,43 acnes11 celulite15 etc.

34. Óleo ozonizado é contraindicado no tratamento da acne pelo fato da pele ser oleosa?

Fabio Borges Não, isso é fake news! Esse óleo é um potente anti-inflamatório, bactericida e reparador. E, estudos recentes mostraram que o produto, em associação com outras técnicas,11, 39,  44  inclusive de ozonioterapia, foi capaz de tratar até mesmo casos de acne conglobata (dolorida e com secreção purulenta).11

35. Como acertar na compra de um óleo ozonizado?

Fabio Borges É essencial verificar duas coisas. Primeiro, se a marca apresenta no rótulo ou é informado explicitamente pelo fabricante o índice de peróxido do óleo ozonizado presente no produto comercializado. Afinal, é esse número que vai te dar a ideia de quanto de ozônio há naquele óleo. Portanto, se não houver essa indicação, sugiro que não compre. O segundo ponto a observar é qual é a quantidade de peróxido contida no óleo adquirido para ver se ela atende ao seu objetivo terapêutico, pois a Declaração de Madrid45 associa o índice de peróxido dos óleos a diversas afecções específicas, inclusive na área da estética.

36. Se óleo ozonizado não é tudo igual, qual o mais recomendado para cada situação?Fabio Borges Uma medida básica que a gente encontra, e utiliza, é a de 600 mEq, abreviação para miliequivalentes de oxigênio contido a cada 1000 gramas de óleo. Porém, a última Declaração de Madrid, publicada em 2020,45 sugere usar um óleo com 400 mEq em tratamentos de revitalização facial, rosácea e acne; e com 600 mEq no couro cabeludo e na pele. Em nossa prática clínica, verificamos que óleos com índices de peróxidos mais altos, causam irritação e até dor em feridas abertas, como úlceras ou deiscência cirúrgica, por isso, sugerimos óleos com valores de peróxidos mais baixos, como por exemplo 107 ou 148 mEq, pois são mais agradáveis para o cliente.

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Alexandra Vicentini, biomédica, esteticista, professora de estética e palestrante, proprietária da Maison Curvas, em Sertãozinho (SP)

37. Vitamina C é proibida durante a ozonioterapia?

Alexandra Vicentini Não é que ela seja proibida. É que não faz sentido usá-la. Afinal, estamos falando de um potentíssimo antioxidante, que, como tal, é capaz de cortar o poderoso efeito oxidante do ozônio.

38. Água ozonizada e óleo ozonizado parecem ser mais tranquilos de usar inclusive por quem não é especializado em ozonioterapia, não?

Alexandra Vicentini Apenas profissionais capacitados e constantemente atualizados, já que há muita novidade o tempo inteiro, podem manipular a dosagem e a via correta de aplicação da ozonioterapia. Também é importante lembrar que o ozônio é um gás extremamente instável e nocivo se for inalado. Portanto, precisa ser manipulado da forma correta, precisa, usando equipamentos específicos e em ambiente controlado.

39. Porque o paciente não pode fazer ozonioterapia para emagrecimento em jejum?

Alexandra Vicentini Porque o ozônio aumenta o metabolismo, melhora a oxigenação dos tecidos e isso aumenta o consumo energético, além de diminuir os triglicerídeos e até mesmo a glicose. Então é uma prevenção a pessoa não vir em jejum.

40. Paciente que tem diabetes deve ter liberação médica para fazer ozonioterapia?

Alexandra Vicentini Com certeza, até para verificar a necessidade de fazer ajustes das medicações, já que a ozonioterapia trabalha com a melhora do funcionamento do organismo como um todo. E isso inclui alterar as taxas glicêmicas do paciente.

41. É uma boa usar água ozonizada para preparar a pele para realizar procedimentos?

Alexandra Vicentini Com certeza sim. É que quando usado topicamente, ou seja, externamente, o ozônio tem características de antisséptico, conseguindo eliminar fungos, bactérias e vírus. Por isso ele é ótimo para higienizar a pele antes de alguns procedimentos, como o microagulhamento, e também depois, quando a pele precisa de uma carga asséptica, como pós-peeling.

42. Ozônio é só uma moda em estética?

Alexandra Vicentini A ozonioterapia está realmente em alta na estética, mas ele veio para ficar porque ele tem respaldo na literatura e muita justificativa para ser usado com foco em beleza, bem-estar e saúde. As várias formas de aplicação permitem aos profissionais oferecem protocolos diversos e personalizados. E os resultados, claro, são impactantes.

43. Para que atletas de alta performance, como os jogadores de futebol Cristiano Ronaldo e Messi, fazem ozonioterapia?

Alexandra Vicentini Eles usam o ozônio como terapia complementar para tratar a inflamação e aliviar a dor provocadas por lesões e pelo desgaste extenuante da musculatura. Também acabam se beneficiando da melhora da circulação e oxigenação dos tecidos, que ajuda a combater o envelhecimento celular, e a melhorar o sistema imunológico.

44. Como o ozônio potencializa os tratamentos para a perda de peso?

Alexandra Vicentini Emagrecimento com ozonioterapia é uma das minhas paixões, porque o resultado realmente é muito impactante e rápido. Tanto que criei um protocolo e já tive pacientes que perderam 10 kg em apenas 21 dias. Isso porque o ozônio age imediatamente quebrando a gordura e melhorando a oxigenação das células, além de favorecer a eliminação dos radicais livres, dos metais pesados e outras toxinas nocivas ao organismo. Porém, é importante esclarecer que não há milagre, e o efeito será muito melhor se o paciente colaborar melhorando seu estilo de vida.

45. Ozônio é antioxidante?

Alexandra Vicentini Ouço tanto isso… E a resposta é não! Ozônio é um potente oxidante. E, a grande sacada é que ele é um oxidante temporário e que vai gerar, depois de um tempo, os ozonídeos, que são subprodutos do ozônio que vão estimular a cascata antioxidante pelo organismo. É por isso que a gente tem que tomar muito cuidado ao aplicar a ozonioterapia em certas patologias, porque se o paciente estiver extremamente oxidado não seria interessante iniciar o tratamento com ozonioterapia, mas, sim, começar com antioxidantes.

46. Como a ozonioterapia atua para ajudar a combater a queda capilar?

Alexandra Vicentini O couro cabeludo produz uma altíssima carga bacteriana, e isso prejudica tanto a saúde da raiz quanto a beleza do cabelo. E, como a principal característica do ozônio é sua capacidade antibacteriana, a ozonioterapia é capaz de eliminar essas bactérias prejudiciais, além de tratar os fios e higienizar a área, melhorar sua oxigenação e nutrição. Tudo ao mesmo tempo.

47. De que maneira as estrias reagem à ozonioterapia?

Alexandra Vicentini O ozônio estimula a produção de colágeno, favorecendo a divisão e a rotatividade de células saudáveis e acelerando a cicatrização da pele. Por isso, o gás é injetado diretamente nas estrias, oferecendo resultado imediato e visível na diminuição dessas linhas. Mesmo que elas sejam antigas, ou seja, brancas e flácidas.

48. Por que tanto entusiasmo com o uso da ozonioterapia na celulite?

Alexandra Vicentini Defendo a injeção de ozônio medicinal no tecido adiposo, em nível subcutâneo, para garantir o aumento da vascularização local e estimular o corpo a liquidificar a gordura. Como o gás se espalha rapidamente no organismo, uma única aplicação por área afetada pela celulite é suficiente. E isso pode ser repetido em todas as regiões afetadas, como braços, barriga, coxas e bumbum.

49. O ozônio usado na ozonioterapia é o mesmo gás encontrado na natureza, que cria uma camada protetora na superfície da Terra e age como um filtro para a radiação ultravioleta não nos atingir?

Alexandra Vicentini Não. O ozônio terapêutico é gerado por um equipamento abastecido por uma fonte de oxigênio puro medicinal que recebe uma descarga elétrica de 15 mil volts. Só a partir daí o gás estará pronto para ser usado nas mais variadas formas de aplicação, com retal, por meio de seringa, agulha, bolsa plástica, cânula ou através da água.

50. Quando injetado no subcutâneo, o ozônio dói?

Alexandra Vicentini Claro que cada pessoa tem uma sensibilidade. Porém, por experiência própria e também com base no que os meus pacientes comentam, o tratamento pode causar uma leve ardência. Mas, ela passa muito rápido justamente porque o ozônio reage imediatamente com as biomoléculas do organismo. Como o oxigênio que resta forma bolhas no tecido, é necessário realizar uma breve massagem no local trabalhado, logo após a aplicação do ozônio, para dissipar o gás e um possível inchaço, que, se surgir, não provoca nenhum dano à saúde e desaparece em até três dias.

Somos uma empresa com coração e alma humanos. E a humanidade nos traz inquietude para buscarmos sempre o novo, discernimento para abraçarmos as causas certas, coragem para seguirmos adiante mesmo em face de tempos difíceis, orgulho para mostrarmos a grandiosidade do segmento brasileiro.

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