Visagismo

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O conceito de visagismo existe há milênios e foi desenvolvido ao longo da história da
humanidade. Na maioria das vezes, se manifestou de forma involuntária, inconsciente, quando homens e mulheres se enfeitavam, procurando realçar características de sua personalidade através das suas características físicas. No mundo primitivo, havia necessidade de proteção e a  diferenciação se tornava o foco da construção da imagem. Na época das civilizações, a humanidade se destacava pela posição social, pela satisfação de ostentar adornos que revelassem peculiaridades da época.

Atualmente, a imagem é um fator extremamente valorizado, em alguns momentos até excessivamente, quando o indivíduo é avaliado pelo que aparenta ser e não pelo que realmente é. Sendo assim, o visagismo vem se firmar como a arte de criar uma imagem pessoal utilizando o corte de cabelo, a maquiagem, a cor, o estilo de roupa, o penteado, para revelar características que valorizem a personalidade do indivíduo.

O termo deriva da palavra francesa visage, que significa rosto, e foi criado por Fernand Aubry em 1936. Aubry foi um importante maquiador e cabeleireiro francês cuja ideia inicial era de criar uma imagem despadronizada e personalizada, contestando a imposição de padrões de beleza e buscando expressar a “beleza interior”.

O visagismo utiliza-se do princípio de que as imagens são construídas a partir de uma estrutura geométrica, o que significa que o rosto humano, por exemplo, se forma a partir da combinação de um círculo (a face em si), um triângulo (o nariz), dois ovais (os olhos), etc. Sendo assim, quando olhamos um rosto, o nosso cérebro recebe informações através desses símbolos, chamados símbolos arquetípicos. Eles são a linguagem mais primitiva e simples do ser humano e transmitem informações.

Por exemplo: o quadrado nos transmite uma idéia de força, poder e conservadorismo. O círculo, por sua vez, leva informação de regularidade, às vezes até de monotonia. O triângulo pode indicar rebeldia, dinamismo, sensação de movimento.

Na prática, seria algo como uma jovem executiva que está interessada em uma vaga de emprego se apresenta para a entrevista vestida com um vestido justo, de renda, cabelos esvoaçantes e ondulados. A intenção era se mostrar numa postura profissional e competente mas na verdade, estará se apresentando de forma sensual, rebelde e descomprometida.

O rosto humano apresenta uma simetria quando dividido em três partes: a parte superior, que vai da linha do couro cabeludo até a linha das sobrancelhas; a parte média que vai das sobrancelhas até a base do nariz e a parte inferior que vai da base do nariz até o queixo. A parte superior tem a ver com intelecto. Pessoas que usam franja tendem a transmitir a informação que suprimiram essa região. Numa linguagem simples, transmitem a idéia de que “não pensam”. A parte média da face diz respeito à emoção. Indivíduos de olhos marcantes ou nariz grande ou sobrancelhas expressivas nos informam que se relacionam com o mundo de uma forma mais emotiva do que intuitiva ou intelectual. E por fim, a parte inferior do rosto indica a intuição. Queixo proeminente demonstra uma relação intuitiva com o mundo.

Durante uma consultoria de visagismo, faremos uma análise completa das características físicas do indivíduo. A começar pelo tipo de rosto:

  • O rosto oval apresenta linhas arredondadas, a curva da mandíbula na altura da boca, testa arredondada e linha do cabelo arcada. Transmite ideia de suavidade e delicadeza e, por isso, foi considerado o rosto ideal de beleza para mulheres por muitos e muitos anos.
  • O rosto redondo quase não possui ângulos, a testa e o queixo são menores, os olhos são espaçados. Tende a se mostrar infantil e angelical.
  • O rosto quadrado ou retangular possui ângulos retos, linhas verticais, têmporas profundas, a curva da mandíbula fica abaixo da linha da boca. Dá ideia de masculinidade.
  • O rosto triangular possui testa larga e mandíbula estreita, os olhos são espaçados e o queixo pontudo. Muito comum entre brasileiros do norte e nordeste do país.

Avaliando o tipo de rosto, definimos o melhor tipo de corte. Por exemplo, um indivíduo com rosto quadrado não deve usar cortes de cabelo de linhas muito retas. A não ser que ele queira transmitir uma informação de conservadorismo e poder em excesso.

Além das características físicas, devemos analisar os tipos de cores que serão adequadas a cada tipo de pele. Existem as cores quentes (amarelo, laranja e vermelho) e existem as cores frias (azul, verde e roxo). Assim como existem pessoas que tem tom de pele quente (tonalidade dourada) e tom de pele fria (tonalidade azulada). Pessoas de tom de pele quente vão combinar com cores quentes, e vice-versa. Para definir, é necessário avaliar a pele combinada a inúmeras amostras de cor. Quando a pele se aproxima da cor adequada ao seu tom, os defeitos como manchas e olheiras tendem a disfarçar. Quando se aproxima a cor oposta ao seu tom de pele, os defeitos tendem a realçar.

Uma consultoria de visagismo exige uma avaliação muito mais ampla, segundo seu tipo de personalidade e suas características físicas. Identificar os pontos fortes e fracos de um indivíduo pode fazer muito mais por ele do que imaginamos. Pode melhorar sua auto-estima influenciando na sua imagem pessoal e na imagem que ele vai transmitir ao mundo. Terá influência no âmbito profissional, no âmbito amoroso e familiar. Quando esse indivíduo percebe a sinergia entre sua imagem física e sua imagem interna é um momento inesquecível, capaz de revolucionar o modo como se relaciona com os outros e com o mundo.

Artigo com a colaboração da professora e fisioterapeuta pós-graduada em dermato funcional, Iara Massote 

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Ludmila Bonelli
Ludmila Bonelli é graduada em Fisioterapia pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, pós-graduada em Fisioterapia Dermato-Funcional pela Universidade Gama Filho do Rio de Janeiro e Mestre em Administração pela FUMEC. É docente na graduação em Fisioterapia Dermato-Funcional e sócia-diretora da clínica Belle Bonelli.

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