Aposta hightech

O novo sucesso em tratamentos atende pelo nome de “regenerativa”. Vale para a Medicina e para a Estética, que tem bebido das mesmas fontes e criado protocolos de sucesso com uma abordagem mais ampla e científica

Gabriella Galvão @ggalvao

Gerar ou produzir novamente; dar nova vida a; efetuar nova organização em; restaurar; corrigir(-se), reabilitar(-se). Essa é a definição literal de regenerar, segundo o dicionário Houaiss. O verbo dá nome ao ramo da medicina que vem revolucionando o mercado mundial de beleza e saúde: a medicina regenerativa. Por meio de alta tecnologia, seus protocolos de renovação celular conseguem reconstruir a estrutura e a função de tecidos e órgãos danificados ou envelhecidos, estimulando o poder de autocura do corpo. Nesta mesma batida, corre em paralelo a estética regenerativa, um desdobramento da medicina regenerativa, ou seja, da mesma forma, busca aproveitar e aprimorar o sistema inato do corpo para reparo e cura naturais, por exemplo, com o envelhecimento facial.

As novas terapias estão sendo usadas tanto na estética quanto na saúde, em áreas como dermatologia, ginecologia, oftalmologia, urologia e cardiologia, entre outras. “É uma grande revolução tecnológica com uso amplo em diversos cenários”, se entusiasma o cirurgião plástico André Maranhão @dr.andremaranhao, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica do Rio de Janeiro. “A medicina regenerativa chegou como um divisor de águas na maneira com a qual a medicina trata a saúde e a beleza. Mas é preciso cautela para colocá-la em prática”, garante a dermatologista Carla Vidal @clinicacarlavidal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Nada está isento de riscos, nem o que existe de mais moderno. Os médicos alertam para o perigo da falta de especialização para se trabalhar com a medicina regenerativa. É preciso ter muito conhecimento sobre o protocolo que está sendo recomendado e aplicado. “Essa medicina se torna bem nociva se cair em um ambiente não especializado. Processos inflamatórios e até tumorais podem ser estimulados”, adverte o cirurgião. “O que se busca é a regeneração ativos com esse poder jamais devem ser colocados sobre uma lesão que já tem células malignas”, avisa a dermatologista.

Protocolos que você precisa conhecer

Na Dermatologia, as técnicas regenerativas combatem melasmas, rugas, marcas de expressão, rosácea, flacidez e (até) canice, o processo de embranquecimento dos fios. E mais: questões como alopecias, psoríase, cicatrização de feridas e de queimaduras. Isso porque o foco é combater os efeitos do envelhecimento e dos problemas de pele e cabelo, regenerando os tecidos por meio do estímulo dos fibroblastos, aumentando a produção de colágeno e elastina.

Exossomos – eles são considerados a estrela principal da medicina regenerativa. Essas estruturas nanométricas carregam proteínas, lipídios e material genético, conduzindo-os entre as células levando informações de regeneração, como mensageiros. Têm ação anti-inflamatória, cicatrizante e a capacidade de melhorar a aparência e a saúde da pele. “Estão sendo muito estudados internacionalmente, com um trabalho bem avançado na Coreia. Na Europa os protocolos também já foram determinados. Mas, no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não estabeleceu quais são as formas de aplicação efetivas e não liberou o uso injetável”, explica André. Por aqui só é possível utilizar exossomos vegetais, como os extraídos das células-tronco da rosa de Damasceno. A médica Carla salienta que é fundamental se ater à origem dos exossomos por conta da sua pureza, para evitar contaminações e efeitos colaterais.

Bioestimuladores de colágeno – existem diversas opções de ativos a serem usadas nesse caso, como a hidroxiapatita de cálcio e o ácido polilático. Injetado no local a ser tratado, o bioestimulador age sinalizando ao organismo onde o colágeno precisa ser adicionado, guiando-o para a localização exata. Segundo o cirurgião plástico André, o processo estimula e otimiza a cicatrização do organismo para reparar tecidos danificados e, dessa forma, aumenta a espessura do lugar escolhido, diminuindo a flacidez. “Além disso, acelera o processo regenerativo do corpo, rosto e cabelo, dá mais volume aos glúteos, melhora o viço e a qualidade da pele, que recebe um novo banho de colágeno. É como se um tecido de seda, fino e com pouca resistência, fosse transformado em couro, bem mais resistente”, acrescenta.

PDRN – feito em laboratório a partir de um produto extraído do DNA do salmão, o polidesoxirribonucleotídeo é outra substância valiosa para a medicina regenerativa. Pode ser aplicada no rosto, corpo e cabelos e, como resultado, ajuda a estimular o crescimento dos fios, suaviza melasmas, rosácea, rugas e cicatrizes, melhora a textura e a hidratação da pele e promove a cicatrização. Na Coreia, a versão mais usada é a injetável, ainda não liberada pela Anvisa.

Lipotransferência regenerativa – a técnica cirúrgica usa a gordura da própria pessoa como processo regenerativo. “Retiramos a gordura da paciente, filtramos e utilizamos a parte mais pura, chamada nano fat, que contém células-tronco e exossomos. O enxerto pode ser feito em todo o rosto e corpo, nos locais a serem reparados”, esclarece o médico André. Ele explica que, para conseguir o efeito esperado de regeneração, é necessário criar canais de comunicação entre o tecido e a gordura, geralmente feito com microagulhamento ou laser. “É dessa maneira que o poder regenerativo é ativado. Por isso, hoje a gordura é considerada ouro líquido”, complementa. Entre os resultados estão o combate aos efeitos do envelhecimento, diminuição das rugas finas, aumento de volume do local escolhido e a redução das cicatrizes.

Mix de técnicas

Para tirar melhor proveito da alta tecnologia e garantir resultados mais eficazes, há quem aposte na combinação de estratégias. A escolha do procedimento a ser seguido e se o tratamento será feito com uma combinação de táticas ou cada um de uma vez depende do objetivo desejado e, claro, da opinião do profissional.

“É possível associar diversas técnicas, como exossomos com PDRN, com ácido hialurônico e outros ativos, além de equipamentos. Eu gosto muito da combinação dos exossomos com radiofrequência bipolar microagulhada, por exemplo. O aparelho tem agulhas muito finas que alcançam a derme, formando canalículos por onde passam os exossomos, garantindo um resultado muito melhor”, assegura a dermatologista.

Já o cirurgião André prefere não misturar as terapias. “Faço cada tratamento isoladamente. Assim não tem risco de os processos ficarem atrapalhados e de eu não saber o que de fato está funcionando em determinado caso”, defende.

FRASES

“É possível associar diversas técnicas, como exossomos com PDRN, com ácido hialurônico e outros ativos, além de equipamentos. Eu gosto muito da combinação dos exossomos com radiofrequência bipolar microagulhada, por exemplo” Carla Vidal

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