Um estudo recente com mulheres com celulite grau 3, publicado no Journal of Cosmetic Dermatology, investigou os efeitos da Terapia por Ondas de Choque Extracorpóreas (ESWT – Extracorporeal Shockwave Therapy) em pacientes submetidos à lipoaspiração. Os resultados apontaram que o tratamento reduziu a fibrose em 25%,melhorou a elasticidade da pele em 30%eotimizou a textura da gordura subcutânea em 20%, quando comparado à drenagem linfática manual.
Esses efeitos indicam que a ESWT também pode atuar como uma estratégia complementar no manejo clínico dessa doença, que afeta cerca de 10 milhões de mulheres no Brasil.
A Terapia por Ondas de Choque Extracorpóreas é um tratamento não invasivo que usa ondas acústicas de alta energia para estimular a cura e reduzir a dor em lesões musculoesqueléticas e condições crônicas, como fascite plantar, tendinites e fraturas por estresse, promovendo a regeneração dos tecidos e aumentando a vascularização sem cirurgia.
ESWT e lipedema
O lipedema é caracterizado por acúmulo anormal de gordura, dor e fibrose em alguns membros, fatores que impactam diretamente a qualidade de vida das pacientes. Estudos como este reforçam que a ESWT pode ser uma ferramenta importante, complementando os tratamentos clínicos geralmente utilizados, como drenagem linfática, fisioterapia e uso de compressão.
Embora o estudo tenha envolvido pacientes pós-lipoaspiração para fins estéticos, os efeitos observados, como redução da espessura da gordura subcutânea e melhora da fibrose, têm forte relevância para o tratamento não-cirúrgico do lipedema, especialmente em estágios iniciais da doença. A ESWT atua promovendo estímulo da circulação, quebra de fibrose e melhora da textura cutânea, podendo ser incorporada até em protocolos clínicos multidisciplinares.
O objetivo é oferecer abordagens individualizadas, respeitando cada paciente e, assim, melhorando a qualidade de vida das mulheres com lipedema, minimizando dor e restrições. Ferramentas não invasivas, como a ESWT, representam mais um avanço importante no tratamento clínica da doença.
Forma de atuação:
> Redução da dor e da inflamação crônica devido aos efeitos anti-inflamatórios e antifibróticos das ondas de choque;
> Melhora da textura e da aparência da pele graças à diminuição de fibrose;
> Estimula o metabolismo local e auxilia a lipólise;
> Favorece a circulação sanguínea e linfática.
Resumo do estudo
Introdução: a celulite está associada às alterações na aparência da pele. As áreas mais comuns para essas lesões são a parte posterior ou superior das coxas e as nádegas, afetando principalmente mulheres após a puberdade. O objetivo deste estudo foi determinar se a Terapia por Ondas de Choque Extracorpóreas (ESWT) ou a Drenagem Linfática Manual (DLM) é mais eficaz na redução do grau de celulite após lipoaspiração.
Métodos: este estudo é um ensaio clínico randomizado controlado simples-cego. Trinta mulheres com celulite grau 3 foram distribuídas aleatoriamente em dois grupos de igual número ( n = 15): o grupo A foi submetido à Terapia por Ondas de Choque Extracorpóreas (ESWT) e o grupo B à Drenagem Linfática Manual (DLM). A escala de classificação da celulite foi utilizada para avaliar o grau da celulite e o adipômetro foi utilizado para avaliar a espessura da gordura subcutânea. A avaliação foi realizada antes e quatro semanas após o início do tratamento. Ambos os grupos receberam retinol tópico duas vezes ao dia durante quatro semanas; além disso, o grupo A recebeu ESWT, enquanto o grupo B recebeu DLM, duas vezes por semana durante quatro semanas.
Resultados: os valores médios da prega cutânea no grupo A diminuíram 24,4%; e no grupo B, 15,38%, com diferença significativa entre os dois grupos (p < 0,001). Além disso, os valores médios da escala de classificação da celulite diminuíram significativamente após o tratamento no grupo A em comparação com os valores médios do grupo B (p < 0,001).Conclusões: observou-se maior redução no grau de celulite e na espessura da gordura subcutânea no grupo ESWT do que no grupo MLD após a lipoaspiração.