Apesar de haver uma aceitação crescente das estrias nas redes sociais e até na moda, fato é que mulheres e homens continuam sofrendo com essas cicatrizes que não doem na pele, mas podem marcar a autoestima. Para que você possa oferecer resultados ainda mais satisfatórios aos seus pacientes, reunimos o que há de mais atualizado, eficaz e seguro sobre essas mal traçadas linhas.
Shâmia Salem @shamiasalem
1. Com o nível de tecnologia a que chegamos, por que tratar estrias ainda é tão difícil?
“O sucesso está em acertar na escolha do tratamento. Na prática, estrias vermelhas podem responder bem a tratamentos tópicos, desde que o produto seja formulado com ativos realmente eficazes para esse fim, como é o caso do ácido retinóico, que, vale ressaltar, é contraindicado para gestantes”, alerta o dermatologista Renato Soriani, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e ex-coordenador do departamento de laser e tecnologias da SBD (2017-2021).
2. Por que estrias vermelhas respondem melhor aos tratamentos?
“Fatores como gravidez, estirão durante a adolescência, aumento excessivo dos músculos por exercícios exagerados, ganho rápido de peso ou perda abrupta geram um estiramento repentino da pele, causando um rompimento das fibras de colágeno e elastina, que levam ao sangramento responsável pelo aparecimento de estrias vermelhas. E, justamente pelo fato de ainda existirem vasos sanguíneos funcionais na região é que essas marcas são mais fáceis de tratar. Em contrapartida, se nada for feito, com o processo de cicatrização essas estrias adquirem uma coloração esbranquiçada característica e já não respondem tão bem ao tratamento, pois esses vasos estão ausentes, o que dificulta o estímulo de colágeno”, esclarece o dermatologista Renato Soriani.
3. É perda de tempo usar cosméticos em pacientes que já têm estrias?
De forma alguma, porém, o tratamento não pode ser baseado somente em produtos. Mesmo o aclamado ácido retinóico têm uma ação limitada nas estrias brancas, que, por já estarem cicatrizadas, exigem o uso de tecnologia para reparar as fibras danificadas. “O laser de CO2 fracionado, que muita gente acha fantástico apenas para tratar envelhecimento facial, no corpo pode ser usado até mesmo em estrias mais antigas, que, além de esbranquiçadas, são largas e flácidas. Isso porque ele provoca pequenas lesões na camada profunda da pele, que aumenta a produção de colágeno para se recuperar da agressão causada. Com mais colágeno à disposição, o tecido se restabelece e a estria é ‘preenchida’ de dentro para fora, ficando mais curta, mais estreita, menos flácida e menos profunda”, descreve a dermatologista Tatiana Mattar. Outras boas opções são a luz intensa pulsada de pulso quadrado, uma tecnologia de terceira geração que reforça a segurança por prevenir picos de energia no início do pulso e otimiza a eficiência ao evitar perdas no final do pulso, potencializando os resultados; e a radiofrequência microagulhada. “Essa última desde que realizada com agulhas capazes de penetrar de 2mm até 9mm na pele para provocar pontos de coagulação em diferentes camadas da pele, estimulando a produção e reorganização das fibras de colágeno e elastina”, acrescenta o dermatologista Abdo Salomão, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
4. Pensando em prevenção de estrias, quais tipos de cosméticos são mais indicados?
Além de controlar o peso, hidratar a pele é fundamental, e isso tanto por dentro, com a ingestão adequada de água, quanto por fora, topicamente, com a aplicação de cosméticos formulados com ativos de alta capacidade hidratante. “Éinteressante utilizar também produtos que contribuam com os processos regenerativos da pele e estimulem a síntese das fibras de colágeno, como é o caso do hydroxyprolisilane, que promove regeneração tecidual e biossíntese de colágeno, sendo capaz de recuperar a espessura e densidade da pele, com atividade comprovada contra a formação de estrias”, diz a farmacêutica Maria Eugênia Ayres, gerente técnica da Biotec Dermocosméticos. Outra estratégia de prevenção, especialmente para mulheres que planejam engravidar, é a aplicação prévia de bioestimulador de colágeno de hidroxiapatita de cálcio na região abdominal. “Quando injetado na pele, o produto promove uma inflamação local controlada para estimular os fibroblastos a produzirem mais colágeno. Dessa forma, melhoramos a firmeza e a qualidade dessa pele, o que ajudará na prevenção das estrias e flacidez, que surgem após a gravidez devido ao estiramento da pele”, completa a médica Cláudia Merlo, que reforça que o procedimento deve ser realizado antes da gestação, pois é contraindicado para gestantes. Então, o planejamento é fundamental.
5. Especialistas defendem a associação de procedimentos como a forma mais eficaz de combater estrias; qual seria um bom combo de tratamentos?
“Por experiência própria, e partindo do princípio que atuo com saúde integrativa e protocolos baseados em resultados de exames laboratoriais, tenho excelentes resultados ao combinar microagulhamento com drug delivery de ativos para estimulo de colágeno e elastina, injetáveis, ozonioterapia e suplementação oral. Meu objetivo é sempre tratar o indivíduo de dentro para fora e atuar em todas as camadas da pele”, resume a biomédica esteta, cosmetóloga e dermaticista Raquel Andrade. “Segundo ela, se os exames indicam, por exemplo, falta de água na pele ou deficiência de vitamina B, B12 ou D, não há subsídios para a célula atender nosso estímulo de produzir mais colágeno, pelo menos não da forma otimizada que pretendemos. Nessa associação que uso, a ozonioterapia tem a função de aumentar a oxigenação e a energia do tecido, colaborando para que ele se regenere com mais eficácia. Já o microagulhamento provoca uma micro inflamação que por si só estimula o colágeno e a elastina, algo que é potencializado pela aplicação na sequência de drug delivery com fatores de crescimento, vitaminas, aminoácidos e minerais, para garantir a formação de fibras elásticas e colágenas de boa qualidade”, esclarece ela.
6. Peeling é um dos tratamentos-estrela para combater estrias; quais ativos estão entre os mais indicados?
“Podemos considerar que entre os melhores estão o de ácido glicólico e de ácido retinóico. Como acontece com outros tratamentos, os resultados desses peelings são mais satisfatórios nas estrias vermelhas, porém, eles também podem ser usados nas brancas com a associação de tecnologias, como o laser”, diz a fisioterapeuta dermatofuncional Lorice Issa Miguel. Segundo ela, a escolha do ácido deve levar em consideração o fototipo do paciente. “Dito isso, o mais seguro para todos os tons de pele é o ácido glicólico a 70% e com pH baixo. Mas, antes de aplicá-lo é necessário fazer um pré-peeling e o preparo da pele e, depois, realizar uma boa hidratação com ativos como vitamina E, alantoína e rosa mosqueta, além de indicar o uso de cremes à base de ácido retinóico”, completa ela.
7. Por vezes, a colocação da prótese de silicone pode causar estrias nos seios. Em casos assim, o que pode ser feito?
“Os protocolos são os mesmos usados em estrias que aparecem, por exemplo, devido ao estirão do crescimento ou à gravidez. Na minha prática, tenho resultados bastante satisfatórios com lasers, microagulhamento e radiofrequência. Peelings também são uma boa opção para estimular novas fibras de colágeno e elastina, melhorar a cicatriz e a coloração formada, além do tamanho”, diz a dermatologista Bruna Vallcorba. Ela alerta: “No pós-cirúrgico é preciso ter cuidado com uso de alguns ativos, como o retinol, se a pele está sensível e ainda em processo de cicatrização. Os ácidos, em geral, quando utilizados sem um preparo adequado da pele, podem causar irritação, vermelhidão, manchas e até piora da queixa inicial”.
8. Estrias em áreas com pouca gordura, como costas e parte de trás dos joelhos, exigem algum cuidado adicional ao escolher o tipo de ativo utilizado?
“Sim, é preciso redobrar a atenção, já que essas regiões costumam ter uma pele mais fina e menos suporte de tecido adiposo, o que as torna mais suscetíveis a irritações e sensibilidades. Por isso, o uso de ativos mais suaves e hidratantes é essencial para não agredir a pele e garantir melhores resultados”, destaca a farmacêutica Maria Eugenia Ayres, especialista em farmacologia clínica e gerente técnica da Biotec. “Sugiro o uso de ativos hidratantes, regeneradores, que aumentem a elasticidade cutânea e a firmeza. No mercado magistral contamos com ativos de uso tópico baseados em silício, um elemento extremamente importante quando pensamos em regeneração cutânea e reorganização das fibras de colágeno e elastina. É o caso do hyaxel, um ácido hialurônico de baixo peso molecular, que penetra mais profundamente na pele, vetorizado pela molécula do silanol, que trará uma excelente hidratação e maciez para pele. Outra opção é o novo pro.renov BF, um retinoic like composto por um fermentado rico em enzimas que renovam a superfície da pele através de uma esfoliação suave – uma alternativa aos AHA’s. As enzimas pósbióticas favorecem a quebra dos desmossomos (estruturas que unem firmemente as células da pele, ajudando a manter sua resistência e integridade), ajudando na renovação celular da epiderme, sem irritação. Daí pode ser usado até mesmo nas peles mais finas e sensíveis, até porque esse lançamento contém ainda alto teor de ácido poliglutâmico, um importante fator de hidratação, que contribui para elasticidade e retenção de água na pele”.
9. Quais cuidados extras devem ser tomados ao tratar estrias em peles negras?
“A pele negra possui maior quantidade de melanina, o que a torna mais propensa a desenvolver hiperpigmentação pós-inflamatória em resposta a inflamações. Isso significa que procedimentos mais agressivos, que podem ser usados em peles brancas, têm maior risco de causar manchas ou cicatrizes em pele negra. Além disso, a pele negra possui uma derme mais densa e fibrosa, o que a torna mais resistente a alguns tratamentos, mas também suscetível a cicatrizes hipertróficas ou queloides. Por isso, o cuidado deve ser adaptado para estimular a regeneração de colágeno sem desencadear inflamações excessivas”, alerta a biomédica estética Cris Boneta. “Por tudo isso meu protocolo inclui várias etapas, como a avaliação personalizada, o tipo de estrias, o histórico da pele, para entender a predisposição a hiperpigmentação, cicatrizes e sensibilidade. A partir daí podemos optar por tecnologias, como microagulhamento com exossomas, jato de plasma e laser de baixa potência; e ativos, entre eles exossomas, ácido hialurônico, centella asiática, niacinamida e clareadores suaves, como ácido tranexâmico e alfa-arbutina”, lista ela.
10. Por que é preciso pensar também em ativos com ação firmadora para tratar estrias e não se limitar aos que hidratam e regeneram a pele?
“As estrias surgem devido à ruptura das fibras de colágeno e elastina, responsáveis pela sustentação e elasticidade da pele. daí ativos hidratantes e regeneradores serem fundamentais para a recuperação, mas não são suficientes para restaurar sua firmeza e elasticidade”, resume a farmacêutica Maria Eugenia Ayres. Ela completa: “Ativos firmadores, como hydroxyprolisilane, estimulam a produção de colágeno e elastina, promovendo a reestruturação da pele e fortalecendo-a para que se torne mais resistente. Isso não só ajuda a reduzir a aparência das estrias já existentes, mas também previne a formação de novas marcas. Devem sempre ser utilizados em conjunto com ativos hidratantes e regeneradores como óleo de rosa mosqueta, óleo de coco e triglicerídeos de cadeia média, para um tratamento mais completo e eficaz para as estrias”.
PRATELEIRA
Estriout Nanoserum, Adélia Mendonça Cosmiatria. O sérum combate a degradação da matriz extracelular, que contribui para a formação das estrias e promove ação antagônica ao efeito destrutivo das enzimas proteolíticas, estimulando a síntese de novas macromoléculas matriciais. Estudos mostraram que o produto reduz em até 72% a profundidade e estiramento da pele, promovendo o seu preenchimento, além de estimular o colágeno em até 102%. Uso liberado para gestantes, lactantes e pacientes oncológicos.
Creme Corporal Antiestrias, Cicatricure. Com óleo de rosa mosqueta e niacinamida, diminui as estrias e melhora a aparência da pele nas primeiras semanas de uso. Também ajuda a manter a elasticidade cutânea, uniformizando seu tom e deixando-a mais lisa. Estudos feitos pela marca após 30 dias de uso contínuo mostraram que 84% das entrevistadas sentiram uma diminuição visível na aparência das estrias e 100% consideram que o uso do cosmético melhora a elasticidade da pele.
Creme Strease, Ellementti Dermocosméticos. De uso profissional, nutre e hidrata a pele e previne e combate estrias. Destaque para sua rápida absorção, que elimina a sensação de repuxamento, deixando um toque suave e macio na pele. Também aumenta a produção e a resistência das fibras de colágeno e elastina e regenera as células epiteliais com rapidez e restaura a barreira protetora cutânea.
Skin Fill XSome, Mezzo Dermocosméticos. Desenvolvido com exossomos, o produto para uso profissional atua no preenchimento e regeneração do tecido, na redução da inflamação e estímulo do colágeno. Para tanto, sua fórmula ainda contém ácido hialurônico de baixo peso molecular, cinco minerais, 10 tipos de fatores de crescimento, 10 peptídeos e 20 aminoácidos.
Óleo de Amêndoas, Nupill. Turbinado com semente de uva e colágeno,possui ação emoliente e antioxidante, favorecendo, assim, a hidratação, a firmeza, a elasticidade e a regeneração da pele, que ainda fica macia e aveludada. Com textura leve, não deixa o toque pegajoso nem mancha a toalha ou a roupa.
Gel Creme Corporal Firmador e Redutor de Estrias, Raavi Dermocosméticos. Por combinar hidroxiprolisilane, óleo de semente de abóbora, nanocápsulas de cafeína e centella asiática, ofereceação regeneradora e lipolítica. Na prática, atua na reorganização das fibras de colágeno, melhorando o aspecto das estrias, bem como na quebra de adipócitos, auxiliando na redução de medidas. Possui sensorial leve e refrescante, além de uma rápida absorção, com ação desodorante.
Striaimpact Firmador Antiestrias Body Shape, Vita Derm. À base de silício orgânico, açúcares raros, nano hialurônico, vitamina E, óleo de algodão, extrato de romã e aloe vera, o gel-creme reúne uma série de vantagens: espalha fácil, não é pegajoso, hidrata, tem efeito firmador, estimula a produção de colágeno, combate a ação dos radicais livres e auxilia na melhora das estrias.
L’Essentiel Loção Corporal Multifuncional, Mustela. Parte da linha Maternité, compatível com amamentação e com 99,8% de ingredientes de origem natural, com destaque para o maracujá, que é rico em ômega 6 e polifenóis, mantém a hidratação, alivia coceiras, melhora a firmeza e recupera a elasticidade da pele, prevenindo e corrigindo as estrias antes, durante e depois da gestação.
Óleo para Prevenção de Estrias, Weleda. A fragrância delicada e livre de aromas artificiais, derivados de óleos minerais, cortantes e conservantes sintéticos, guarda uma fórmula que contém apenas ingredientes vegetais, como óleo de amêndoa doce e de jojoba, gérmen de trigo e extrato arnica. Juntos, eles deixam a pele lisa, elástica, flexível e mais firme. Pode ser aplicado em gestantes desde o início da gravidez.
Sérum de Vitamina C 20%, Adcos Profissional. Baseado em estudos que demonstraram que a vitamina C é fundamental para a síntese de colágeno e elastina, dois componentes estruturais essenciais para a elasticidade e firmeza da pele, o sérum ainda promove a regeneração celular e o aumento da espessura cutânea. Possui ação contínua por 24 horas.
Onde encontrar
Adcos Profissional www.lojaadcos.com.br / @oficialadcos
Adélia Mendonça Cosmiatria (37) 3551-2000 / www.adeliamendonca.com.br / @adeliamendoncaoficial
Cicatricure 0800-7700566 / www.cicatricure.com.br / @cicatricurebrasil
Ellementti Dermocosméticos www.ellementti.com.br / @ellementtidermocosmeticos
Mezzo Dermocosméticos (11) 4942-5181 / www.lojamezzo.com.br / @mezzodermocosmeticos
Mustela www.mustela.com.br / @mustelabrasil
Nupill www.nupill.com.br / @nupill_oficial
Raavi Dermocosméticos (11) 2236-5888 / www.raavidermocosmeticos.com.br / @raavidermocosmeticos
Vita Derm www.vitaderm.com / @vitaderm.oficial
Weleda www.weleda.com.br / @weledabrasil