Tratamento seguro e eficaz para a pele negra

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Em nosso país, a diversidade étnica proporcionou uma grande variedade de fototipos, especialmente os mais altos (IV, V e VI de Fitzpatrick).

A pele negra apresenta diferenças estruturas comparadas com a pele mais clara como um estrato córneo mais compacto, com maior número de camadas de células, o que torna-o mais resistente a agressões externas e a penetração de substâncias ativas. O calibre dos vasos sanguíneos e linfáticos é maior, com maior perda de água (Mateus & Palermo, 2012).

Se por um lado, a maior quantidade de melanina presente na pele negra a torna mais resistente ao sol e a maior concentração de fibras colágenas adia o aparecimento das primeiras rugas, por outro se trata de um tipo de pele mais suscetível ao aparecimento de manchas e outros problemas. Outra característica da pele negra é o fato de possuir um número maior de glândulas sebáceas, responsáveis pela produção de secreção sebácea em maior quantidade, facilitando o surgimento de acnes e comedões.

Queimaduras ou determinados procedimentos estéticos aplicados com dosagem inadequada também podem estimular o aparecimento de manchas (Mateus & Palermo, 2012).

Em relação ao processo de envelhecimento, a pele negra, assim como a pele clara, exige cuidados especiais após os 30 anos de idade, pois, a partir desta fase da vida, surgem os primeiros sinais decorrentes do processo de envelhecimento.

A pele negra tem diversas particularidades no que concerne ao uso de novas tecnologias, levando os profissionais a ter uma atenção especial nos seus cuidados. Com suas características peculiares, a pele negra é particularmente suscetível a hipercromia pós-inflamatória, especialmente em procedimentos ablativos. Assim, é preferível o uso de tecnologias não ablativas (Mateus & Palermo, 2012).

Atualmente observa-se um crescimento de 15 a 20% ao ano nos EUA no mercado de produtos específicos para a pele negra.

Dispositivos de radiofrequência (RF) são atualmente utilizados para o tratamento de várias condições estéticas, especialmente, rugas e flacidez de pele, bem como no tratamento da celulite e da gordura localizada. Estes sistemas são considerados não ablativos, não invasivos e quando bem conduzidos não causam reações adversas (Alster & Tanzi, 2004; Goldenberg et al., 2008; Anolik et al., 2009; Atiyeh & Dibo; 2009; Elsaie, 2009).

Esta modalidade de tratamento apresenta inúmeras vantagens quanto comparadas ao resurfacing por laser ablativo ou não ablativo ou ainda ao peeling químico, pois pode ser aplicada em qualquer fototipo e o paciente pode voltar a suas atividades de vida diária imediatamente após a sessão. O eritema e o leve edema apresentados são reações transitórias e desaparecem espontaneamente algumas horas após a sessão.

A RF trata-se de um equipamento para tratamento médico, estético e cosmético. Existem duas configurações de equipamentos no mercado, as RF resistivas com frequências em kHz (baixas frequências) e ondas longas, que promovem aquecimento tecidual por resistência capacitiva da pele em relação à corrente elétrica produzida pelo aplicador. E as RF capacitivas e indutivas com frequências em MHz e ondas curtas (figura 1), nas quais, o gerador de RF produz campo eletromagnético que aquece o tecido através da rotação dos dipolos da água produzindo atrito entre as moléculas e, consequentemente, calor. Essa termoestimulação leva á contração e encurtamento das fibras de colágeno e, secundariamente, estimula a neocolagênese e neoelastogênese para melhor estruturação tecidual (Mateus & Palermo, 2012). Essa interação da energia eletromagnética da radiofrequência com o tecido biológico é ilustrada na figura 2.

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Figura 1: A, radiofrequência com frequência em MHz (alta frequência) e ondas curtas; e B, radiofrequência com frequência em kHz (baixa frequência) e ondas longas.

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Figura 2: Sistema tegumentar e as respostas teciduais à energia eletromagnética. Na figura é possível visualizar o encurtamento e espessamento das fibras colágenas (estruturas em roxo), a lesão mediada pelo calor que pode ser visualizada pela presença de macrófagos na derme (estruturas em verde) e a ativação dos fibroblastos (estruturas em azul).

Equipamentos de RF com frequências em MHz permitem a aplicação da energia de RF através de dois aplicadores: o aplicador bipolar para uma aplicação superficial (até 4 mm de profundidade) e o aplicador monopolar para uma penetração volumétrica profunda (15 a 20 mm de profundidade).

Diversos estudos descrevem pesquisas clínicas sobre o uso proposto da RF para fins estéticos e fundamentam sua aplicabilidade no tratamento da flacidez de pele facial e corporal (Alster & Tanzi, 2004; Goldenberg et al., 2008; Anolik et al., 2009; Atiyeh & Dibo; 2009; Elsaie, 2009). A flacidez de pele da face, colo e pescoço é uma queixa frequente e a aplicação de RF bipolar é a configuração mais citada para o tratamento.

A análise da viscoelasticidade da pele por meio da bioengenharia cutânea é uma técnica que avalia as propriedades viscoelásticas da pele e é empregada em estudos para avaliar a eficácia de tratamentos para a melhora da firmeza e elasticidade da pele utilizando o Cutometer MPA580 (Courage & Khazaka Electronic GmbH, Cologne, Germany), equipamento validado que apresenta probe de 2 mm e é aplicado sob condições ambientais controladas (temperatura 22+/-2°C, umidade relativa 50+/-10%). Este equipamento fornece diversos parâmetros que são comumente utilizados para análise da viscoelasticidade da pele.

Um estudo recente desenvolvido pelo Centro de Estudos e Formação Avançada Ibramed (CEFAI) teve como objetivo avaliar a eficácia da RF bipolar de 27,12 MHz no tratamento da flacidez da pele da face, do colo e do pescoço em mulheres com média de idade de ± 53,2 anos e fototipos de pele com variação de I a VI pela classificação de Fitzpatrick. Neste estudo foram realizadas seis sessões de RF bipolar em face, colo e pescoço com intervalos de quinze dias entre as sessões. Do grupo de voluntárias, três apresentavam pele negra e todas mostraram resultados extremamente significativos quando comparadas as condições pré-tratamento e pós-tratamento, através da análise da viscoelasticidade da pele e fotografia digital padronizada. Este estudo utilizou para análise os parâmetros referentes à firmeza e elasticidade da pele.

No pós-tratamento, os resultados referentes a pele da face, colo e pescoço das três voluntárias de pele negra mostraram aumento da firmeza e elasticidade devido ao encurtamento significativo da pele comparado com os valores coletados no pré-tratamento, com p<0,05. As fotografias digitais padronizadas mostram melhora visível da qualidade da pele com suavização das rugas e dos sulcos e melhora do contorno facial. As voluntárias relataram melhora da hidratação da pele nas áreas tratadas.

Referências

Alster, T.S.; Tanzi, E. Improvement of Neck and Cheek Laxity with a Nonablative Radiofrequency Device: A Lifting Experience. Dermatologic Surgery, 2004; 30: 503–507.

Anolik, R.; Chapas, A.M.; Brightman, L.A.; Geronemus; R.G. Radiofrequency Devices for Body Shaping: A Review and Study of 12 Patients. Seminars in Cutaneous Medicine and Surgery, 2009; 28: 236-243.

Atiyeh, B.S.; Dibo, S.A. Nonsurgical Nonablative Treatment of Aging Skin: Radiofrequency Technologies between Aggressive Marketing and Evidence-Based Efficacy. Aesthetic Plastic Surgery, 2009; 33: 283–294.

Elsaie, M.L. Cutaneous remodeling and photorejuvenation using radiofrequency devices. Indian Journal of Dermatology, [serial online] [cited 2010 Dec 30], 2009; 54: 201-205.

Goldberg, D.J.; Fazeli, A.; Berlin, A.L. Clinical, Laboratory, and MRI Analysis of Cellulite Treatment with a Unipolar Radiofrequency Device. Dermatologic Surgery, 2008; 34: 204–209.

Mateus, A; Palermo, E. Cosmiatria e laser: prática no consultório médico. São Paulo: AC Farmacêutica, 2012, 1ed, 596 p.

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