Toxina botulínica também é utilizada para fins terapêuticos

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Não é estranho associarmos automaticamente a toxina botulínica ao tratamento para rugas. Porém, além de ajudar na suavização de marcas e linhas de expressão, o que pouca gente sabe, é que a toxina pode colaborar com o tratamento de muitos outros problemas terapêuticos.

botox na hiperidroseNo Brasil, por exemplo, tratamentos para combater a distonia, estrabismo, blefaroespasmo (espasmo da pálpebra), espasmo hemificial (contrações involuntárias dos músculos da face), rigidez muscular, hiperidrose, bexiga hiperativa e até mesmo dor de cabeça crônica também são elaborados com o uso da toxina e autorizados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

A aplicação da medicação é intramuscular, sendo injetada diretamente no músculo alvo, independente de qual seja a doença a ser tratada ou o processo estético escolhido. Quando um paciente recebe a toxina, demora em média de três a cinco dias para que comecem a surgir os efeitos.

De maneira geral, segundo a dermatologista Silvia Zimbres, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a toxina não fica para sempre no organismo, varia de quatro a seis meses e não se deve realizar mais que duas aplicações no ano: “com o passar dos meses, o corpo vai consumindo a toxina até que ela suma. No entanto, esse período depende mais especificamente do quanto é aplicado e também do metabolismo de cada paciente”.

Início da toxina

Estudos realizados a partir do século XX sobre os efeitos da bactéria Clostridium botulinum, responsável pela doença do botulismo e caracterizada por intoxicação que causa paralisia progressiva dos músculos, foram à base para o desenvolvimento de tratamentos de outras doenças que causavam espasmos musculares.

A primeira utilização da toxina para fins terapêuticos se deu por volta dos anos 50 e 60, com o oftalmologista americano Alan B. Scott, na busca por alternativas de tratamento para o estrabismo. No Brasil, começou a ser utilizada e comercializada em 1995, sob o nome comercial de BOTOX®, da empresa Allergan.

Efeitos

Luiz Felipe Diniz sofreu há dois anos um acidente de carro que o deixou impossibilitado de andar. Com os membros paralisados devido uma lesão medular, o jovem viu seus sonhos escorrerem pelo ralo. Para amenizar a dor da lesão e a falta de movimentos, o jovem além das diversas sessões de fisioterapia e tantos outros procedimentos, tem recorrido também, em parte dos tratamentos, à aplicação da toxina botulínica.

Ela (toxina) tem ajudado Diniz no processo de reabilitação e amenização da dor. “Sinto-me melhor, meus músculos relaxam e fica até mais fácil para realizar a fisioterapia. Acredito que este uso, tem auxiliado na melhora do meu quadro clínico”, afirma o jovem.

Essa sensação de alívio que Luiz sente é provocada devido ao fato do relaxamento necessário para a aquisição de mais mobilidade, fundamental na melhora da qualidade de vida dos pacientes, possibilitando que eles realizem atividades corriqueiras, como escovar os dentes, abrir as mãos, segurar um objeto e etc.

“A toxina botulínica tem a função de relaxar as fibras musculares, minimizando as contrações involuntárias ou a rigidez excessiva, o que permite tratar não apenas as doenças ligadas a isto, como distonia, mas também, doenças que necessitam que o músculo esteja relaxado para que outras técnicas possam ser aplicadas, como a fisioterapia em pacientes com espasticidade decorrente de uma lesão medular ou AVC – acidente vascular cerebral”, comenta a doutora Matilde Sposito, médica fisiatra do Instituto de Rebilitação Lucy Montoro, ligado ao Hospital das Clínicas de São Paulo.

Além de casos de lesões medulares, como a do Luiz, a toxina é também indicada em situações de distonia, espasticidade e até mesmo acidentes vasculares (AVC).

Estética

Já na década de 90, um casal revolucionou o mercado da estética. A ideia veio enquanto a doutora Jean Carruthers, que é oftalmologista, conversava com uma paciente. Jean realizava a aplicação da toxina para amenizar o blefaroespasmo, enquanto sua paciente começou a informar que o tratamento estava amenizando até suas rugas. Foi ai, que Jean descobriu que tinha uma descoberta em suas mãos: a toxina butulínica também poderia ser utilizada para fins estéticos.

Em conversas com seu esposo, o dermatologista Alastair Carruthers, o casal começou as tentativas. O reconhecimento do sucesso do produto para fins estéticos não foi rápido, durou de quatro a cinco anos, e eles foram até chamados de loucos. Além disto, quando finalmente a técnica começou a engrenar, muitos médicos ainda exageram na dose. Foram anos de experimentos até chegarem a dosagem correta. A medicação para uso estético nos dias atuais é utilizada em forma de injeções não cirúrgicas.

O que se pode conferir atualmente, além do progresso no descobrimento estético da toxina Botulínica, é que a toxina, tanto para fins estéticos quanto terapêuticos, insere resultados positivos, sendo uma das substâncias mais importantes no campo do rejuvenescimento facial e relaxamento muscular.

Esta matéria contou com a colaboração da Dr. Sílvia Zimbres. 

Silvia Zimbres (CRM/SP – 104.406) é médica Dermatologista com especialização em Dermatologia Clínica e Cirúrgica pelo Hospital das Clínicas. É membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD) e autora de diversos artigos científicos apresentados em congressos e periódicos nacionais e internacionais.

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