Toda a arte da Beleza!

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A história de como a Beleza é vista pela humanidade se confunde com a história da Arte, pois foram – e ainda são! – os artistas que nos contam, através de suas obras, o que eles consideram belo. É observando e estudando as obras de arte mais antigas que podemos traçar um perfil do que é considerado belo, desde a pré-História até a nossa história contemporânea, e concluímos que a Beleza não é um conceito absoluto e imutável, mas pode assumir diversas facetas, segundo o período histórico, o país e a cultura de cada povo. Usamos o adjetivo “belo” para nos referirmos a algo que nos agrada, alguma coisa que se fosse nossa, nos deixaria muito felizes, afinal ninguém consome o que é feio (mas isso já é uma outra história…). 

 O que é Belo, afinal? 
Para um artista, representar a beleza de um corpo significa, tanto responder à pergunta “O que é a Beleza?”, quanto adequar-se aos padrões de beleza de sua época (“O que é considerado belo?”). O artista precisa pensar no conceito de perfeição de sua época, e mesmo numa mesma época e numa mesma cultura, é possível que vários conceitos de Beleza coexistam. Se hoje, um corpo bronzeado e “sarado”, esculpido através de exercícios físicos é considerado belo; para Pierre-Auguste Renoir, pintor impressionista francês, por exemplo, belo era um corpo voluptuoso, cheio de curvas e de pele branca, leitosa. O que é belo afinal? Onde está a perfeição que tanto buscamos? O que pode ser considerado perfeito?

As banhistas, Pierre-Auguste Renoir, 1918-1919



 Desde os primórdios, até hoje em dia 
O homem usa a arte para representar a sua vida, o seu dia a dia, os seres amados, as suas descobertas, as suas religiões e rituais, e, desde a pré-história, podemos observar a representação do corpo feminino na Arte.

Um dos exemplos mais antigos é a a pequena estatueta chamada “Vênus de Willendorf”, que tem cerca de 11cm de altura e data de cerca de 24.000 a.C. Ela não pretende ser uma representação fiel ou um retrato de uma mulher, mas uma idealização da figura feminina. O ventre, os seios e a barriga são bastante volumosos, enquanto os braços são frágeis e estão apoiados sobre os seios, ficando quase imperceptíveis. A face da mulher não é visível e a sua cabeça é coberta de tranças (ou mesmo de vários olhos). Com essas características, o principal conceito representado com a Vênus de Willendorf é a fertilidade feminina, mostrando as características de uma mulher grávida. Se formos pensar, a gravidez era considerada um fenômeno envolto em mistério, considerado quase “mágico”! Levou tempo até que se fizesse a relação direta entre o ato sexual e o nascimento de uma criança e, até isso acontecer, as mulheres eram consideradas “fantásticas” e as características de seus corpos durante a gravidez eram exaltadas.

Vistas da Vênus de Willendorf



Já a escultura que retrata Nefertiti, rainha do Antigo Egito, por exemplo, traz linhas retas, marcadas e a pele escura. O busto possui apenas um dos olhos pintados, o outro é um olho branco, o que nos deixa inquietos e que pode ser a representação de um olhar para o interior, para os problemas da “alma”. É uma outra visão da mulher…

Nefertiti, 1370 – 1330 a.C.



Vênus de Milos

Para os gregos antigos, a Beleza residia na harmoniosa proporção entre as partes. Eles estudaram incansavelmente as proporções, e toda representação humana tinha como base a busca pela simetria. Por exemplo, foram os gregos que determinaram que a altura considerada ideal para a representação de um corpo humano adulto é de oito cabeças (até hoje essa proporção é utilizada, principalmente em ilustrações, como os super-heróis dos quadrinhos). Os gregos procuravam retratar a realidade ao mostrar a anatomia perfeita de músculos, ossos, expressões faciais e posturas corporais, mas sem nunca abandonar o ideal de perfeição simétrica.

 A representação do feminino a gosto do freguês 
Em todos os séculos, as proporções para expressar a Beleza foram amplamente discutidas, mesmo que segundo as épocas, essas proporções mudem. A Arte estabeleceu que deve haver, por exemplo, uma determinada relação entre os dedos da mão e a própria mão, entre a mão e o resto do corpo. Mas e qual é a melhor relação? Qual a melhor proporção entre as partes do corpo? Bem, isso é outra coisa completamente diferente, é questão de gosto e o gosto muda completamente ao longo dos séculos. Afinal, o “gosto” de quem vê define o que é Belo!

Podemos dizer que a Beleza reside naquilo que agrada de maneira desinteressada. É verdade que sempre esperamos que o nosso gosto seja universal, ou seja, que todos vejam Beleza onde também vemos, mas não é assim que acontece. A percepção do Belo não é universal, mas sim subjetiva, dependendo da visão, da cultura e do gosto de cada um.

A representação do corpo feminino, ao longo de toda a história da Arte passou por diversas fases. As mulheres foram retratadas através de Maria e de personagens bíblicas, através da mitologia da antiguidade clássica (com representações de Vênus, Palas-Athenea, Diana e etc.), foram apenas retratos do dia a dia de trabalho (como os retratos das serviçais feitos pelo holandês Johannes Vermeer), foram lânguidas, sexies e castas… enfim, cada época, cada período da história da Arte procurou representar a realidade dos corpos das mulheres e os hábitos e costumes de cada cultura.

A leiteira, Johannes Vermeer, 1660



 Fotografia fiel? 
A modernidade trouxe novas técnicas e os avanços científicos possibilitaram o aparecimento da fotografia, e posteriormente, do cinema. Para alguns artistas, a fotografia imobilizava de forma cruel a realidade, tirando o mistério das representações dos corpos mostradas através da pintura e escultura. Para alguns artistas, a fotografia simplesmente “matava” as possibilidades da imaginação. Hoje, sabemos que não é assim! Mesmo antes dos computadores e da “Era Digital”, os retoques e as montagens nas fotos já eram possíveis, tornando ainda mais reais os elementos de sonho ou “fake” das fotos. Nem precisamos mencionar os “milagres” conseguidos com a manipulação de imagens em softwares como o Photoshop, por exemplo…

 A Beleza contemporânea e o profissional de Beleza 
E se olharmos para o nosso tempo, qual é o ideal de Beleza que procuramos? Podemos dizer que, atualmente, assim como assistimos à produção exagerada de objetos manufaturados em série, também assistimos à reprodução e “pasteurização” de um único tipo de Beleza: a mulher magra, jovem, sem celulite, mas com os seios e o bumbum empinados, de cabelos lisos e com a pele sem rugas ou manchas, basicamente. As pessoas buscam incansavelmente esse padrão, e assim como os objetos, acabam perdendo os traços que determinam a sua própria Beleza e que as tornam únicas.

Por isso, o profissional da Beleza deve fugir dessa massificação, dessa busca frenética por um ideal de Beleza pré-determinado e pensar na Beleza possível para cada cliente, focando no bem-estar, na saúde e na auto-estima de cada um. E por incrível que pareça, esse movimento está mais dentro da filosofia da Arte vanguardista do que pensamos! A vanguarda não se propõe a fornecer uma imagem de Beleza natural, intocada; nem quer proporcionar o simples prazer da contemplação de belas proporções. Ao contrário, a ideia é ensinar a cada um interpretar o mundo e enxergar Beleza na diversidade!

 Toda a arte da Beleza! 
A campanha da Estética in São Paulo 2017 evoca, justamente, a relação entre arte e Beleza. Sejam as representações da beleza na arte, ou a arte de levar a beleza para o dia a dia das suas clientes. Através das texturas, buscamos a beleza da imprevisibilidade, como vemos na formação de nuvens, na espuma das ondas do mar, nos tecidos do corpo humano, na íris dos olhos e nos fios de cabelo. As texturas são igualmente ímpares, mas obedecem a um mesmo padrão, como a mistura de cromossomos que torna cada ser humano único.

 Redes Sociais 
Para mostrarmos a diversidade de representações do corpo feminino ao longo da História da Arte (e da própria humanidade!), vamos publicar alguns posts nas nossas redes sociais mostrando essas representações. Acompanhe e veja que, na verdade, como dizem por aí, a “Beleza está nos olhos de quem vê!”. Aproveite!

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