Tecnologias e suas particularidades para pele negra

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Atualmente, observa-se um crescimento de 15 a 20% ao ano nos EUA no mercado de produtos específicos para a pele negra. A etnia confere características peculiares que devem ser valorizadas na indicação de procedimentos, tratamentos e na avaliação de possíveis complicações (Kede & Sabatovich, 2009).

Cuidados especiais com a pele negra
A limpeza com agentes desengordurantes é indicada na maioria dos casos, por ser, em geral, uma pele mais oleosa. A hidratação é outro ponto importante para evitar o tom acinzentado quando ressecada.
No procedimento de limpeza de pele ou em outros protocolos, a esfoliação deve estar inserida para a remoção de células mortas, tornando a pele mais fina e macia, o que facilita a absorção de substâncias, pois a pele negra apresenta estrato córneo mais compacto e resistente com maior número de camadas de células.
Em relação aos peelings superficiais, estes podem ser indicados, porém os peelings médios e profundos devem ser controlados e, em alguns casos, evitados devido ao alto risco de complicações (Kede & Sabatovich, 2009).
A orientação em relação a fotoproteção é de extrema importância, tendo em vista que os pacientes de pele negra normalmente tem o hábito de não usarem filtro solar regulamente. A recomendação seria aplicações diárias de filtro solar com FPS mínimo de 15 e com proteção anti UVA e UVB, a fim de evitar o risco de pigmentação e também o envelhecimento precoce (Mateus & Palermo, 2012).

Tecnologias e suas particularidades para a pele negra

Luz Intensa Pulsada
A luz intensa pulsada desenvolvida por Goldberg, embora não seja um laser, é uma luz não coerente, que abrange comprimento de onda amplo para ser absorvido pelo cromóforo desejado, pois trata o alvo com um feixe de luz específico, por meio da utilização de filtros de corte, regulagem do tempo de exposição do pulso de luz e intervalo entre estes (Goldberg & Cutler, 2000).
A combinação de determinados comprimentos de onda, duração de pulso, intervalos de pulso e fluências permite o tratamento de várias condições inestéticas da pele, tais como acne vulgar, lesões pigmentadas, lesões vasculares, excesso de pêlos, pele danificada pelo sol e cicatrizes (Erol et al., 2008).
O fotorejuvenescimento não-ablativo com a luz intensa pulsada funciona causando dano térmico reversível do colágeno pela penetração da luz na derme e aquecimento direto destas estruturas, poupando a epiderme. Desta forma, obtém-se a contração das fibras de colágeno e a remodelagem propriamente dita das fibras após o período inflamatório (Patriota et al., 2011).
Entretanto, é relevante considerar que, de uma forma geral, há maior incidência de hipocromia pós-LIP no pescoço e colo, em comparação a incidência nas mãos e na face (Mateus & Palermo, 2012). Portanto, os tratamentos nessas regiões exigem maiores cuidados. Na pele negra, devido a maior quantidade de melanina presente, os parâmetros de energia utilizados na LIP no pescoço e colo são ainda mais conservadores com fluências mais baixas, tempo de exposição (ms) maior, resfriamento adequado e aplicadores com spots maiores que não condensam tanto a energia.
Um efeito colateral da LIP nas peles mais escuras é a hipercromia transitória, porém comprimentos de onda mais longos são menos absorvidos pela melanina, protegendo dos efeitos colaterais os indivíduos bronzeados ou de fototipos mais altos (Mateus & Palermo, 2012). Além do fototipo, a espessura da derme e o menor número de anexos (glândulas sebáceas por exemplo) em algumas regiões da pele, podem contribuir para a maior prevalência de efeitos colaterais.

Laser
O uso da densidade energética do laser foi iniciada na Europa através de pesquisas do professor Endre Mester na Hungria, que fez os primeiros relatos clínicos sobre a terapia laser em 1968 (Pinto, 2011).
A fototerapia promove incrementos na produção de trifosfato de adenosina (ATP) celular (Karu et al., 1995), aumenta a síntese de proteínas, estimula a microcirculação com melhoria da contribuição nutricional, o que, associado com um aumento na atividade mitótica, resulta na multiplicação celular e formação de novos vasos. O laser contribui para a deposição de fibras de colágeno, assim como a redução do número de células inflamatórias na área lesada na fase inicial do processo de cicatrização.
Na pele negra sugere-se o uso de lasers com comprimento de onda longo ou com duração de pulso mais longa, a fim de evitar queimaduras e hiperpigmentação pós-inflamatória. O uso concomitante de um sistema de refrigeração adjuvante, além de uma área de teste prévia, são medidas adicionais de segurança a fim de evitar epidermólise.
O laser diodo possui um comprimento de onda de aproximadamente 800-810 nm e é uma das tecnologias mais utilizadas para epilação. Seu mecanismo de ação envolve a afinidade da energia por um alvo específico, a melanina do folículo piloso (cromóforo), sendo utilizado para fototermólise seletiva das células germinativas do folículo com eficácia e segurança. Nos pacientes de pele mais escura, o cromóforo alvo é encontrado em maior quantidade na epiderme, além dos folículos, aumentando o risco de efeitos colaterais como queimaduras e discromias. Esses pacientes merecem atenção especial na escolha do equipamento e dos parâmetros utilizados (Shah & Alster, 2010). Atualmente, existem equipamentos com ponteira resfriada e duração de pulso mais longa, promovendo maior segurança para esses pacientes (Mateus & Palermo, 2012).

Correntes Terapêuticas
As correntes elétricas utilizadas com fins terapêuticos na estética permitem excelentes resultados na pele negra, sem apresentar restrições ou complicações referentes ao fototipo.
Em protocolos de rejuvenescimento, a corrente Aussie ou a corrente Russa são utilizadas para o tratamento da flacidez muscular. Além disso, a corrente Aussie permite a drenagem linfática tecidual que contribui para melhores resultados.
Outra opção de tratamento que pode ser inserida no protocolo de rejuvenescimento é a microcorrente, a qual trata-se de uma modalidade de terapia não invasiva que utiliza corrente de baixa amperagem, em microampéres (μA), com alternância de polaridade positiva e negativa a cada 3 segundos. Seus efeitos terapêuticos relacionam-se ao aumento do metabolismo celular, estímulo do processo de reparo e regeneração tecidual, normalização do pH local e aumento da síntese de proteínas (colágeno e elastina).
A iontoforese é realizada por meio das correntes polarizadas e apresenta excelentes aplicabilidades no tratamento de pacientes de pele negra, sem restrições quanto ao fototipo, porém, vale ressaltar, que as correntes polarizadas apresentam contraindicações específicas que devem ser levadas em consideração independente do fototipo.
A técnica da iontoforese permite a permeação de princípios ativos ionizados através do fenômeno de eletrorrepulsão de cargas. É importante a escolha de produtos cosméticos adequados para peles com fototipos mais altos. Atualmente, as empresas cosméticas possuem um arsenal de produtos para cuidados especiais com a pele negra que podem ser associados na iontoforese.

Referências

Erol OO, Gurlek A, Agaoglu G, Topcuoglu E, Oz H. Treatment of hypertrophic scars and keloids using intense pulsed light (IPL). Aesthetic Plast Surg, 2008; 32(6):902–909.
Goldberg DJ, Cutler KB. Nonablative treatment of rhytids with intense pulsed light. Lasers Surg Med. 2000; 26:196-200.
Karu T, Pyatibrat L, Kalendo G. Irradiation with He-Ne laser increases ATP level in cells cultivated in vitro. J Photochem Photobiol Chem,1995; 27: 219–223.
Kede, M.P.V.; Sabatovich, O. Dermatologia Estética. São Paulo: Editora Atheneu, 2009, 2ed, 994p.
Mateus, A; Palermo, E. Cosmiatria e laser: prática no consultório médico. São Paulo: AC Farmacêutica, 2012, 1ed, 596 p.
Patriota RCR, Rodrigues CJ, Cucé LC. Luz intensa pulsada no fotoenvelhecimento: avaliação clínica, histopatológica e imuno-histoquímica. An Bras Dermatol, 2011; 86(6):1129-33.
Pinto MVM. Fototerapia: aspectos clínicos da reabilitação. São Paulo: Andreoli, 2011, 1ed, 440 p.
Shah S, Alster TS. Laser treatment of dark skin: an updated review. Am J Clin Dermatol, 2010; 11(6): 389-97.

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