Shampoos sem sulfato: você precisa saber sobre eles

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Você já ouviu falar sobre uma técnica cabelística chamada low poo/no poo?
Se trata de um procedimento que visa levar e manter a saúde dos fios através de uma pegada mais natural, o que significa preferir a utilização de produtos menos nocivos e com menos componentes químicos, como o sulfato.
Tudo em nome da beleza e vitalidade do cabelo – pelo menos é o que informa o livro “Curly Girl”, escrito por Lorraine Massey, uma espécie de “Bíblia” para a técnica, que a princípio era voltada para as pessoas com cabelos cacheados, que tendem a sofrer mais com o ressecamento.
Mas, afinal… Funciona?
De acordo com a engenheira química, pesquisadora e cosmetóloga Sônia Corazza, o sulfato (ou sulfatos, já que existe uma gama deles) é sim um componente agressivo – e não apenas para os fios, mas para o organismo como um todo. “Os tensoativos sulfatados não são os grandes vilões do cabelo, mas representam perigo para a saúde geral do organismo, pois são produtos etoxilados, que geram dioxanas (composto orgânico com alto índice cancerígeno). Hoje, existem possibilidades de se formular um bom shampoo com alto poder de limpeza, suavidade e sem a toxicidade ou presença desses tensoativos sulfatados”, afirma Corazza.

Todavia, a porção “detergente” do sulfato faz com que o componente e suas variações (Lauril Sulfato de Sódio, Lauril Sulfato de Amônio e Lauril Éter Sulfato de Sódio, para citar algumas) sejam amplamente utilizados pelas fabricantes de cosméticos, ainda que combinados com outros ativos nutritivos e hidratantes.
A sensação de cabelos limpinhos, somada à presença de espuma, pode fazer com que o consumidor acredite que os fios estarão limpos apenas com produtos sulfatados. “A função de um tensoativo aniônico sulfatado é fazer uma limpeza intensiva, formar bastante espuma, que o consumidor gosta, e deixar os cabelos livres de resíduos. Porém, isso é possível sem sulfatos. Volto a ressaltar que o perigo dos sulfatados não para o fio de cabelo, mas para o organismo humano e para a ecologia do planeta”, alerta a engenheira química, que cita ainda outros componentes, como parabenos e óleo mineral, como nocivos à saúde. “São compostos que fazem mal não só ao cabelo, mas para o ser humano, pois são potencialmente cancerígenos, como provou o Dr. Samuel Epstein em sua obra Unreasonable Risk, de 2007”, revela.

A ânsia pelo cabelo perfeito, ainda, pode fazer com que as pessoas recorram à tratamentos com base nos óleos vegetais (argan, coco, rícino), que possuem alto poder de nutrição dos fios.
No entanto, o uso ou não uso de shampoos com sulfato pode gerar dúvidas sobre o procedimento. Será que o sulfato, devido à detergência, tira esta nutrição? “São duas coisas diferentes. A primeira delas é a pessoa reconhecer o risco toxicológico que algumas matérias primas comuns em cosméticos causam. A outra é o dano ao fio do cabelo, que ocorre por meio de tratamentos químicos agressivos como alisamento, descoloração, tintura e escovas progressivas, que desestruturam o fio e causam ruptura, ressecamento, perda das propriedades naturais de brilho, maciez e permeabilidade. Um cabelo assim, nessas condições, precisa ser reestruturado para poder resgatar tais qualidades”, afirma, e dá dica: “Para reestruturar o cabelo e melhorar a condição do fio quimicamente tratado, você precisa escolher um shampoo suave, preferencialmente sem sulfato ou outros agentes de limpeza agressivos, seguido de um condicionador ativado por ingredientes como aminoácidos (presentes na queratina), cisteína, lisina, serina, triptofano, etc, combinados com vitaminas como o pantenol e ácido graxos vegetais ou animais, como os óleos, manteigas e até a lanolina retirada da lã de carneiro”, finaliza.

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