Rosácea – Parte I

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Sinto-me extremamente atraída por tecnologias diferentes, técnicas pouco estudas e patologias intrigantes e complexas. Por isso, escolhi fazer alguns textos sobre essa doença tão frequente, complexa e difícil de controlar e tratar, mas extremamente comum em nosso cotidiano profissional. Nesse primeiro texto vamos conhecer um pouco mais sobre a Rosácea.

A rosácea é uma dermatose inflamatória crônica que acomete principalmente a face de adultos, podendo acometer pescoço e colo.

rosacea1

Segundo uma pesquisa realizada pela Sociedade Nacional de Rosácea (Americana) estima-se que 10% da população seja afetada pela doença.

De causa ainda desconhecida é caracterizada por um processo inflamatório que envolve vasos da pele e a unidade pilossebácea, levando ao desenvolvimento de eritema, com sintomas de dor, queimação, prurido e flushing. Seu pico ocorre entre a terceira e quarta década de vida, as mulheres são mais afetadas que os homens porém os casos mais graves são em indivíduos do sexo masculino.

Graças a esse processo inflamatório a pele se torna extremamente sensível e  intolerante a uma série de produtos tópicos, se tornando num problema em centros de estética.

O quadro clínico é caracterizado por eritema, presença de pápulas, pústulas, telangiectasias, placas eritematosas e os clientes/pacientes se queixam de coceira, vermelhidão, sensação de calor no local além do incômodo com a coloração avermelhada que a pele se apresenta. A doença passa por períodos de exacerbação e remissão e os fatores desencadeantes para essa exacerbação podem ser:

Agentes locais: cosméticos, retinoides, corticosteroides, sabonetes com alta detergência
Drogas: álcool, tabaco
Alimentos: pimenta, chocolate, cafeína, alimentos quentes
Alterações ambientais: frio excessivo, calor excessivo, vento
Outros: fatores emocionais, exercícios físicos, alterações hormonais.

A doença pode ser diagnosticada quando um ou mais dessas características estão presentes em áreas convexas da face: eritema transitório ou flushing, eritema permanente, pápulas, pústulas e telangiectasias. Sintomas secundários da rosácea incluem queimação, prurido, edema, manifestações oftalmológicas, ressecamento e fima.

Classificação da Rosácea:

A Rosácea pode ser classificada em quatro subtipos de acordo com os sinais e sintomas apresentados:

rosacea1Tipo 1 ou Rosácea eritêmato-telangectásica:
Ocorrem longos períodos de flushing facial, geralmente maiores que 10 minutos e desencadeados por estímulos como os citados acima. O eritema é mais frequente e intenso na região centro-facial, poupando as áreas perioculares. Esses pacientes geralmente têm um limiar baixo de sensibilidade para uso de produtos tópicos, que podem desencadear queimação ou prurido.

rosacea2Tipo 2 ou Rosácea pápulo-pustulosa
Geralmente é vista em mulheres de meia-idade e é caracterizada pela presença de uma área de eritema nas regiões centrais da face, associada à pápulas e pústulas. O flushing pode ocorrer nesse subtipo, mas numa intensidade menor que a forma eritêmato-telangectásica.

 

rosacea3Tipo 3 ou Rosácea fimatosa
Caracteriza-se pela presença de fima, levando a acentuado espessamento da pele. Esses são mais comumente vistos na superfície do nariz (rinofima), mas também podem estar presentes nas bochechas, fronte, orelhas e/ou pálpebral.

 

rosacea4Tipo 4 ou Rosácea ocular
Caracteriza-se por achados oculares e perioculares que incluem blefarite e conjuntivite e, eventualmente, podem evoluir para ceratite, esclerite ou irite. Os pacientes com rosácea ocular podem sentir queimação ou prurido, lacrimejamento, aumento da sensibilidade a luz e sensação de corpo estranho.

 

Referências

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Wilkin J, Dahl M, Detmar M, Drake L, et al.  Standard classification of rosacea: Report of the National Rosacea Society Expert Committee on the Classification and Staging of Rosacea.  Journal of the American Academy of Dermatology.  2002;46(4):584-587.

Blount BW, Pelletier AL.  Rosacea: A common, yet commonly overlooked, condition.  American Family Physician.  2002;66(3):435-440,442.

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Litt JZ.  Recognizing rosacea.  The Female Patient.  2000;25:50-58.

Bikowski J.  Rosacea: The great imitator.  Family Practice Recertification.  1997;19:61-65,70-76,81.

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