Reflexões sobre a Toxicidade em Cosméticos

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Outro dia, na correria entre uma aula e outra, uma aluna se aproximou e me perguntou:

-“Profa., veja os meus olhos. Acho que estou com conjuntivite!”

Observando na claridade e pelos sintomas… não sei, mas não parecia conjuntivite mas sim uma reação alérgica. Imediatamente a aluna começou a enumerar os possíveis causadores deste sintoma tais como o sabão em pó que a mãe trocou e que ela não gostou do cheiro e a coitadinha da carne de porco que havia comido dois dias antes. Sempre ela, pensei comigo.

Mas, ao ser questionada sobre as maquiagens que havia usado, o retorno foi imediato:

– “ Ai, profa., imagina se foi o rímel! Paguei uma fortuna por ele… não pode ser!”

Pois é, o cosmético tem este lado quase santo de tanto que o consumidor gosta e sente prazer em usá-lo.

Mas, acompanhe a minha reflexão sobre o assunto:

A segurança de um produto cosmético depende do ingrediente, do produto acabado e, notadamente, da via de exposição, representada pelo complexo sistema anatômico, a pele, que preconiza sólidos fundamentos e conhecimentos sobre dermatotoxicologia, possíveis interações com os sistemas nervoso central, autônomo e endocrinológicos.¹

As ciências toxicológicas passam por incríveis avanços científicos e de tecnologia e preocupam-se, entre outras coisas, a avaliar e minimizar os efeitos adversos que podem ser ocasionados por cosméticos.

O fato de ser um produto que não precisa necessariamente de uma indicação, do pesado marketing que esses produtos apresentam e que induzem ao consumo e, partindo do pressuposto que os cosméticos podem ser usados por um longo período, é necessário que se garanta a segurança desses produtos. Certo?

Com o crescimento da indústria cosmética e as pesquisas que desenvolvem ativos dermatológicos e bases diferenciadas, observa-se que são raros os casos de intoxicação por cosméticos, mas eles podem acontecer. O grande problema é o usuário que nunca ou quase nunca relaciona seu processo alérgico ou sua intoxicação ao uso do “Santo Cosmético”. O consumidor acredita no cosmético e nos benefícios associados.

O grande problema da questão da toxicidade nos cosméticos talvez seja o grande número de cosméticos usados no dia a dia, produtos que estão em contato direto com o corpo humano. Faça a conta, você, minha leitora: quantos cosméticos diferentes você usou hoje?

Ao acordar você escovou os dentes, tomou banho com um sabonete, aplicou um hidratante corporal e um desodorante, usou um hidratante no rosto, fez sua maquiagem com 4 ou 5 produtos, passou filtro solar .

Se cada um destes cosméticos possuir 10 componentes teremos o contato com pelo menos 100 diferentes matérias-primas!

Se a irritação ou alergia é dependente da dose e, esta sim pode ser controlada, os estudos sugerem a redução da concentração ou restringir a frequência de aplicação.

Mas, uma das condições para o desenvolvimento de cosméticos é a exclusão dos ingredientes que possam ter um potencial de agressão. Alguns critérios utilizados pensam na alta qualidade das matérias-primas em termos de pureza, estabilidade e através da exata comprovação do que os certificados de análise confirmam.

Mas não podem controlar a resposta imunológica do usuário que é absolutamente pessoal.

Portanto, embora não seja comum, como falado anteriormente, a reação alérgica aos cosméticos pode acontecer.

Pense em mudar seu lápis para os olhos quando seus eles começarem a coçar no canto externo e lacrimejar, ou quando algum tipo de coceira aparecer depois do uso do creme hidratante, ou mesmo depois daquele batom que te deixou com a boca da Angelina Jolie sem que este fosse o objetivo dele!

Até a próxima.

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