Psoríase – Parte 1

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Como já disse em outro texto, eu tenho certo apreço em estudar as doenças de pele. Realmente, eu acredito que a estética vai além de tratar alterações estéticas, mas para se aventurar no incrível mundo das patologias, faz-se necessário um amplo conhecimento da mesma, sua fisiopatologia, sua evolução antes de propor qualquer tratamento. Quero reforçar que todos os meus pacientes fazem acompanhamentos com dermatologistas e que trabalhamos de forma conjunta. No próximo texto vamos falar sobre o tratamento, aguarde!

A psoríase é dermatose inflamatória crônica progressiva e recorrente da pele de causa ainda desconhecida.  Acomete ambos os sexos, surge em qualquer idade, com maior incidência na segunda e quinta década de vida; sendo comum no Brasil e atingindo de 1 a 3% da população mundial, com prevalência variável conforme a raça e localização geográfica (CARNEIRO, 2007; ARRUDA et al, 2010). Por ser uma doença crônica os pacientes apresentam exacerbações, remissões ou lesões recorrentes (GALADRI, SHARIF & GALADARI, 2005)

É importante ressaltar que a psoríase não é uma doença contagiosa e está associada a fatores genéticos, ambientais e imunológicos.

A história familiar revela que ao menos um terço dos pacientes com psoríase refere algum parente com a doença, em especial se a doença ocorre precocemente. Pode ser desencadeada por fatores ambientais, dentre estes podemos citar, trauma mecânico, infecções, medicamentos e estresse emocional (SANCHEZ, 2010).

Caracteriza-se por lesões de pele eritemato-escamosa. Sabe-se que suas lesões se devem ao crescimento rápido da troca das células da epiderme, ou seja, a substituição de células epidérmicas ocorre em apenas quatro dias, o que acentua o encurtamento do tempo de diferenciação entre a camada basal da epiderme até o desprendimento dos queratinócitos da camada córnea (MACHADO, 2009).

A morfologia das lesões de pele da psoríase, bem como sua apresentação, é muito variada. A maioria dos pacientes psoriáticos tem doença limitada, com placas eritematoescamosas nos cotovelos, joelhos, dorso e áreas retroauriculares ou com lesões eruptivas gutatas localizadas no tronco e extremidades proximais; uma pequena porcentagem apresenta-se com doença grave, até com risco de vida, por comprometimento generalizado da pele (psoríase eritrodérmica), das articulações (psoríase artropática) ou pelo desenvolvimento de pústulas e sinais toxêmicos (psoríase pustulosa).  A forma que evolui com pústulas pode ser generalizada, sendo usualmente denominada psoríase pustulosa (von Zumbusch), ou uma variante localizada, restrita a palmas e plantas (FERNADEZ et al, 2000).

Carneiro (2007) cita ainda que suas lesões podem surgir em qualquer região do corpo, sendo que áreas como couro cabeludo, cotovelos e joelhos são as mais acometidas, porém podem também comprometer unhas e articulações.

A tríade formada pela diferenciação epidérmica anormal com hiperproliferação queratinócita, inflamação imunológica mediada por linfócitos T e fator genético com herança poligênica, podem caracterizar a patogênese da psoríase.

A atividade exagerada de queratinócitos acarreta a formação de proteínas marcadoras de queratinização, que incluem involucrina, queratolinina, transglutaminas-1, além da expressão de outras não reveladas na epiderme (CARNEIRO, 2007).

No que concernem às manifestações clínicas, é frequente a presença de prurido, ardência, descamações e sensibilidade dolorosa das lesões, assim como dores articulares e artrite, que produzem desconforto físico. Quanto maior for a quantidade/extensão da lesão, maior a visibilidade (cabeça, pescoço e mãos), prolongação da doença e quanto mais jovem for o paciente mais transtornos emocionais e dificuldades sociais este estará sujeito (CARNEIRO, 2007).

Fonte das imagens: www.lookfordiagnosis.com

Referências:

  1. Machado MCR. Psoríase na Infância. Ver Brás Medicina Pediatria Moderna 2009; 45 (6).
  2. Sanchez APG. Imunopatogênese da psoríase. An Bras Dermatol 2010; 85 (5): 747-9.
  3. Arruda CS, Nogueira E, Oliveira MS, Pereira RE, Silva RMCA. Avanços e desafios da enfermagem na produção científica sobre psoríase. Rev Bras Enferm 2010; 63 (2)
  4. Carneiro SCS. Mecanismos de doença e implicações terapêuticas. São Paulo. Tese [Livre – Docência em Dermatologia]–Universidade de São Paulo; 2007
  5. Fernandes, e. I.; ferreira, c.t.; silveira, t. R.; cestari, t.f. Psoríase pustulosa associada à doença de Crohn; relato de caso. An bras Dermatol. , Rio de Janeiro, 75(1):57-64, jan/fev, 2000
  6. Galadari, i.; sharif, m. O.; galadari, h. Psoriasis: a fresh look. Clinics in Dermatology, n. 23, p. 491-502, 2005.

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