Procedimento padrão de biossegurança em cabines estéticas garante saúde para equipe e clientes

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Profissionais de Saúde Estética sabem que a biossegurança é um assunto fundamental para o bom funcionamento da cabine estética. “A biossegurança mostra profissionalismo de quem atua na área e é uma excelente forma de conquistar a fidelidade dos clientes, na medida em que uma série de condutas é seguida a fim de garantir proteção e segurança da saúde de todos que frequentam o ambiente: equipe de trabalho e clientes”, explica Isabel Luiza Piatti, tecnóloga em Estética e diretora de pesquisa e desenvolvimento de produtos na Buona Vita Cosméticos. Mas apesar da sua importância, alguns profissionais ainda têm dúvida na hora de colocar em prática os procedimentos exigidos pela legislação, cumprindo alguns, mas deixando a desejar com relação a outros. Para resolver esse problema, a profissional dá algumas dicas específicas sobre o POP – Procedimento Operacional Padrão, relacionado aos produtos químicos de manutenção do ambiente, cosméticos e equipamentos utilizados na clínica, que são aspectos nos quais comumente se encontram falhas quando se refere à biossegurança em cabine.

De acordo com a especialista, na atuação prática, os profissionais de Saúde Estética devem seguir regras e normas estipuladas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, a fim de obter o Alvará Sanitário para o funcionamento do estabelecimento. “Entre essas regras estão também várias normas de biossegurança. E é extremamente importante seguir o Manual de Rotina e Procedimentos, cuja função é trazer uma descrição detalhada por escrito dos serviços, produtos, esterilização e higienização”, explica. Esse modelo de Procedimento Operacional Padrão está relacionado aos Produtos, Cosméticos e Equipamentos Utilizados no Estabelecimento.

Então, segundo Isabel, é preciso preencher uma ficha com a descrição de todos os produtos e cosméticos utilizados no estabelecimento, para controle de aplicações ou reclamações. “No caso dos cosméticos, por exemplo, esse documento deve ser arquivado por pelo menos um mês após o término do respectivo produto ao qual se refere. Esse material ajudará o profissional de saúde estética nos cuidados básicos que devem ser observados no produto que vai ser utilizado em cabine”, explica. Entre as informações importantes que devem ser registradas estão: nome do produto, marca, lote, prazo de validade e registro. “Tudo isso porque se essas normas não forem cumpridas em cabine, o estabelecimento poderá ser autuado”, completa. É recomendado ainda que os profissionais incluam a informação sobre o Período Após Aberto (PAO, em inglês) para garantir que o produto seja utilizado dentro do prazo que garante sua eficácia.

Isabel ressalta que produtos manipulados, por exemplo, são para uso individual e não podem ser utilizados pelo profissional de saúde estética em cabine, pois não possuem registro no Ministério da Saúde/Anvisa, podendo resultar na aplicação de medidas legais para o estabelecimento.

Procedimentos — Quanto às outras exigências em procedimentos, Isabel destaca a Saúde Ocupacional: “Os proprietários dos estabelecimentos devem capacitar e manter registro atualizado de treinamento dos funcionários contendo data, carga horária, nome e formação do instrutor, conteúdo, nome e assinatura do funcionário”, explica. Também é responsabilidade dos estabelecimentos elaborar e tornar disponíveis aos funcionários o Manual de Procedimentos Operacionais, contendo rotinas de procedimentos técnicos, biossegurança e medidas de controle de transmissão de doenças, devendo ser atualizado anualmente. “Além disso, os profissionais dos estabelecimentos devem comprovar conhecimento básico em controle de infecção, processamento de artigos e superfícies, biossegurança e gerenciamento de resíduos, com carga horária mínima de 20 horas e realizado por profissional habilitado”.

Proteção — Equipamentos de proteção individual devem ser disponibilizados aos funcionários. Óculos, máscaras, luvas e jalecos devem estar de acordo com as funções exercidas e em número suficiente, de modo que seja garantido o imediato fornecimento ou reposição, entre outros requisitos.

Produtos — Com relação aos produtos químicos de manutenção, a especialista enfatiza a preocupação com o uso de produtos obrigatoriamente dentro do prazo de validade, obedecendo a legislação específica quanto ao registro no órgão competente. “Os produtos químicos e saneantes que forem submetidos a fracionamento ou diluição deverão ser acondicionados em recipientes devidamente identificados, de forma legível, por etiqueta com o nome do produto, composição química, sua concentração, data de envase e de validade e nome do responsável pela manipulação, entre outras normas.”

Prazo Após Aberto — O profissional também deve estar atento à data de abertura da embalagem cosmética, ou seja, a data em que se iniciou o uso de determinado cosmético, pois eles apresentam uma validade após a abertura diferente da data de validade tradicional. “Ou seja, depois de aberto, o produto deve ser consumido em determinado período de tempo, conforme indicado no rótulo de cada um; essa indicação é chamada de PAO, geralmente identificada pela figura de um frasco e um número, que é o número de meses em que o produto deve ser utilizado após iniciado o uso”, explica. No caso das duas validades, qual seguir? “Nesse caso, de olho nas duas validades, tenha sempre como base a que expirar primeiro”, garante. Esse dado não é uma exigência da Anvisa, mas vale ressaltar que empresas que oferecem esse diferencial da informação do PAO contribuem ainda mais para a segurança de aplicação, segundo Isabel.

Equipamentos — Os estabelecimentos, entre outras exigências, deverão dispor de todos os equipamentos necessários à realização das atividades propostas, mantendo-os higienizados e em condições de funcionamento e ergonomia adequados. “Eles devem estar em quantidade suficiente para atender a demanda do estabelecimento respeitando os prazos para limpeza, desinfecção ou esterilização. Além disso, todos os equipamentos deverão possuir registro no órgão competente, sendo observadas suas restrições de uso e os proprietários deverão instituir manutenção preventiva e corretiva de equipamentos, mantendo os registros atualizados”, considera.

Mais informações sobre o tema biossegurança podem ser conseguidas no site da Anvisa (http://portal.anvisa.gov.br) e no livro Biossegurança – Estética & Imagem Pessoal, de autoria da tecnóloga em estética, Isabel Luiza Piatti.

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