Nutrição e cirurgia reparadora após cirurgia bariátrica

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A obesidade é uma doença crônica não transmissível caracterizada pelo acúmulo de gordura que causa prejuízos à saúde, tanto física quanto psicológica, do indivíduo (NATIONAL INSTITUTES OF HEALTH CONSENSUS DEVELOPMENT CONFERENCE STATEMENTE, 1985). A obesidade classe III é uma doença endêmica em todo o mundo. Trata-se de um problema de saúde pública em decorrência de sua incidência progressiva.

Até o final do século XIX, a obesidade esteve presente nos corpos de homens e mulheres como padrão de beleza e fertilidade, ou seja, relacionados a aspectos estéticos. Mas, a partir do século XXI, além de uma mudança para uma silhueta mais delineada, inicia-se uma preocupação com os aspectos patológicos relativos ao excesso de peso corporal. Essa preocupação se deve a uma tendência mundial ao aumento da massa corporal gorda, como apontam os dados da World Health Organization (WHO): prognósticos futuros indicam que, no ano de 2015, aproximadamente 2,3 bilhões de adultos estarão acima do peso e 700 milhões serão obesos.

Diante desse panorama a maioria dos indivíduos obesos busca o emagrecimento a partir de tratamentos convencionais como dietas, atividade física e medicamentos. No entanto, vários pacientes não respondem a essas manobras, necessitando de uma intervenção mais radical, mais invasiva como a cirurgia bariátrica.

A cirurgia bariátrica oferece alternativa de redução ponderal, visando ao melhor controle das doenças que têm a obesidade como fator de risco e à melhoria da qualidade de vida.

O tratamento cirúrgico das deformidades secundárias a grandes emagrecimentos é um novo desafio ao cirurgião plástico.

A NUTRIÇÃO

Fatores importantes na reeducação alimentar após a cirurgia:

• Incorporar novos hábitos alimentares.

• Mastigar lentamente, com intervalo entre as porções ingeridas.

• Não ingerir líquidos durante as refeições.

• Fazer refeições ou lanches intermediários.

• Alimentar-se em local adequado, sentado.

• Manter a ingestão de líquidos mínima em 2 litros/dia.

• Evitar alimentos ricos em gorduras e açúcar.

• Evitar doces, balas e chocolates.

• Evitar frituras, maionese, molhos gordurosos (branco, queijo,

molhos prontos).

• Fazer exercícios físicos conforme orientação da equipe médica.

• Ingerir produtos dietéticos como doces, balas pães, biscoitos,

massas em baixa quantidade, pois também engordam se consumidos em excesso.

Alimentos que devem ser evitados no pós operatório:

Cafeína, bebidas gaseificados (água com gás, refrigerantes), bebidas alcoólicas, açúcar, doces em geral, alimentos com alto teor de gordura, frituras, alimentos industrializados (balas, salgadinhos, bolachas recheadas).

Alimentos que devem ser estimulados no pós-operatório:

Proteína – Carnes em geral, ovos, leite, iogurte, queijos, leguminosas (feijões, lentilha, ervilha, soja e derivados).

Ferro – Carnes em geral, miúdos, gema de ovo, leguminosas (feijão, lentilha, ervilha), vegetais de cor verde escura, beterraba, moranga, pimentão, ameixa seca, cereais integrais, alimentos fortificados com ferro.

Ácido fólico – Fígado, peixes, feijão branco, soja e derivados, brócolis, couve, espinafre, couve-flor, repolho, beterraba crua, aspargos, ovo, laranja, melão, maçã, pães integrais.

Vitamina C – Moranga, beterraba, brócolis, couve-flor, ervilha, repolho, tomate, alho, pimentão, rabanete, salsa, abacaxi, acerola, bergamota, caju, goiaba, kiwi, laranja, limão, maracujá, morango e uva.

Vitamina B12 – Carnes em geral, fígado, atum, leite, iogurte, queijo.

Vitamina B1 (Tiamina) – Carnes vermelhas, fígado, atum, feijão, ervilha, cereais integrais, leite, gema de ovo, abobrinha, berinjela, batata doce, beterraba, cenoura, couve-flor, pimentão, goiaba, laranja, maçã, morango, pêssego, tomate, uva.

Cálcio – Iogurte, leite, queijo, leite de soja enriquecido com cálcio, queijo tofú, couve-flor, vegetais folhosos verde-escuros, salmão, laranja, feijão branco, abóbora, abobrinha, palmito, morango, rabanete, ervilha.

Vitamina D – Fígado, leite, gema de ovo, arenque, sardinha, atum, salmão.

Vitamina A – Fígado, leite, ovos, vegetais folhosos verde-escuros, legumes e frutas alaranjados e amarelados (cenoura, laranja, abóbora, tomate, pêssego, maracujá, caqui, goiaba, caju), batata doce, abobrinha.

Vitamina E – Óleos vegetais (girassol, canola, milho, soja), azeite de oliva, margarina, gema de ovo, aspargos, amêndoas, nozes, castanhas.

A CIRURGIA REPARADORA

A cirurgia plástica tem como objetivo retirar o panículo dermogorduroso decorrente da grande perda de peso que ocorre após agastroplastia redutora) tornando-se em alguns casos uma cirurgia higiênica. A planificação e a ordem das cirurgias devem ser seguidas conforme a indicação médica e a queixa do paciente. O procedimento mais realizado é a abdominoplastia. Esta cirurgia apresenta variações na técnica conforme o tipo de cicatriz anterior; a presença de hérnias e excessode pele. Também são necessárias mastopexias com ou sem inclusão de prótese de silicone, lifting crural, toracobraquial e cervicofacial. Nos pacientes ex-obesos) algumas táticas devem ser empregadas para otimizar o resultado final. Estas cirurgias também têm como objetivo retirar o último estigma da obesidade, permitindo ao paciente uma melhor qualidade de vida.

O tratamento da obesidade através da cirurgia redutora é só o começo do tratamento contra o obesidade. O real resultado vem através da adesão do tratamento multiprofissional (cirurgia reparadora, acompanhamento nutricional, atividade física e etc) que deve ser adotado desde antes até a pós cirurgia e para toda vida.

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