Microcorrentes Elétrica e Laser em cicatrizes de mamoplastia

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No decorrer dos últimos anos, a mamoplastia estética tornou-se o procedimento cirúrgico mais realizado no mundo, objetivando melhorar a auto-estima e, muitas vezes, a qualidade da saúde das pacientes. A cicatriz é clinicamente uma marca visível, resultante de uma agressão ao tecido dérmico e de uma reação fibroblástica.

A Microcorrente (Microcurrent Electrical Neuromuscular Stimulators; MENS) produz correntes contínuas ou pulsadas, promovendo bons resultados no controle da dor, cicatrização de feridas e controle de edemas. O tratamento com MENS compila os efeitos intrínsecos da corrente contínua e dos processos da inflamação aguda dos tecidos e também das respostas vasomotoras. Deve ser usado o polo negativo para inibição do crescimento bacteriano e o polo positivo para cicatrização, porém, em experimentos com animais observou-se que as correntes bipolares têm melhores efeitos.

Já o Laser (Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation) é a amplificação de luz por emissão estimulada da radiação, em que emite luz coerente, monocromática, com alta concentração de energia, e a capacidade de provocar valterações físicas e biológicas. O laser de baixa potência tem ações antiinflamatórias, bioestimulante e analgésica, ajuda na proliferação de fibroblastos e no aumento da produção de colágeno, melhorando a resistência do tecido novo.

Este trabalho é um estudo clínico comparativo, com a finalidade de explorar a ação de duas ferramentas da eletrofototerapia (Laser e MENS) no tratamento de cicatrizes de mamoplastia, buscando qual o método que promove resultados mais satisfatórios.

A mamoplastia é um dos procedimentos cirúrgicos com finalidade estética mais requisitado no Brasil e no mundo, compreendida em mamoplastia de aumento, correção de ptose ou redutora. Com o objetivo comum de buscar harmonia e melhora da autoestima (PITANGUY, 2000). Os cirurgiões plásticos vêm desenvolvendo técnicas que resultam em mamas com formas e volume adequados, e com o mínimo de cicatrizes aparentes, com o objetivo de que a cirurgia promova uma transformação física que alcance uma satisfação psicológica plena (MAUAD, 2000).

A cicatriz é a resposta inevitável de uma lesão, que pode ser intencional ou não, da pele. Sendo variável e imprevisível, apresentando-se de forma hipertrófica, atrófica, quelóide ou normotrófica. Na qual ocorre a substituição do tecido lesado por conjuntivo neoformado, indicado como cicatricial. Este processo compreende um conjunto de fases fisiológicas e bioquímicas, resultando com o reparo tecidual (GUIRRO & GUIRRO, 2004). É clinicamente uma marca visível e histológicamente é resultante de uma reação fibroblástica. Caracterizada inicialmente por uma coloração rosada ou avermelhada, e posteriormente por uma coloração próxima à pele após cerca de seis meses (GUIRRO & GUIRRO, 2004).

Nas cicatrizes hipertróficas, o colágeno é produzido em quantidade normal, porém desordenadamente e resultando em um aspecto não harmônico, mas que respeita os limites da injúria e sua extensão de origem. Na cicatriz atrófica em seu processo de maturação não ocorre o trofismo fisiológico esperado, ocasionado por perda tecidual ou de sutura inadequada. Em caso de quelóide ocorre o excesso de produção de colágeno jovem.

Na cicatriz normotrófica a pele continua com mesmo aspecto e consistência anterior a injúria (CÂNDIDO, 2006). São nos estágios iniciais da cicatrização, onde estão mais propensas as falhas na reparação tecidual, na qual ocorre a acentuação do edema, redução da proliferação vascular e dos elementos celulares, como leucócitos, macrófagos e fibroblastos, assim comprometendo a síntese de colágeno e aumentando o risco de infecção (CARVALHO, 2003; ORTIZ, 2011).

Com o objetivo de restabelecer as características iniciais de uma pele saudável, o estudo em questão apresenta como opções de tratamentos o uso da eletrofototerapia através da Microcorrentes e do Laser de baixa intesidade. A Microcorrente (Microcurrent Electrical Neuromuscular Stimulators; MENS) pode ser uma corrente polarizada ou não, sendo pulsada ou continua com intensidade medida em mA (miliampére) variando de 0,1 a 0,9 mA, e quando em modo pulsado apresenta frequências variáveis entre 1 e 1000hz (BORGES, 2006).

Por ser uma corrente polarizada de baixa amperagem, acelera em até 500%, a produção do Trifosfato de adenosina (ATP) e em consequência possibilita o aumento da síntese proteica e a regeneração tecidual, devido a sua participação nos processos enérgicos da célula. (AGNE, 2004).

Em razão dos estímulos elétricos emitidos pelo o aparelho de microcorrentes serem iguais aos fisiológicos e bioquímicos do corpo humano e na mesma proporção de intensidade, é possível trabalhar respostas endógenas e obter excelentes devolutivas terapêuticas. (CRAFT;LANCERS,1998), pois “em teoria o tecido saudável é o resultado do fluxo direto da corrente elétrica pelo organismo” (MILANI et aL, 2006).

Segundo Robinson e Snyder-Mackler (2001), a aplicação da técnica da microcorrentes em seu modo normal atinge níveis que não se consegue ativar fibras nervosas sensoriais subcutâneas, não resultando nenhum tipo de percepção da sensação de formigamento ao paciente, mesmo sendo classificada como um procedimento eletroterapêutico.

Quanto à sua utilização deve ser usado o polo negativo para inibição do crescimento bacteriano e o polo positivo para cicatrização, sendo que em experimentos com animais observou-se que para processos de cicatrização as correntes bipolares têm melhores efeitos (GUIRRO & GUIRRO, 2004).

A estimulação produzida promove bons resultados no controle da dor, cicatrização de feridas e controle de edemas. O tratamento com MENS compila os efeitos intrínsecos da corrente contínua e dos processos da inflamação aguda, incrementa o edema obtido pela inflamação causada pela mobilização da água que se encontra nos tecidos e também das respostas vasomotoras.

O Laser (Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation) é uma fonte de energia elétrica e luminosa na qual emite uma luz coerente, monocromática e colimada, representada pela energia da radiação eletromagnética onde sua unidade de medida é Joules (J), esta radiação pode ser classificada como refletida, transmitida, absorvida ou espalhada pelo tecido (ROTTAS, 2008).

Sua resposta aos tecidos depende do comprimento de onda, regime de pulso e quantidade de energia depositada, sendo a pele uma barreira à penetração da radiação óptica. A absorção da mesma pelos tecidos depende do laser utilizado, pois cada tecido absorve diferentes comprimentos de onda. O laser de baixa potência, que será o tipo utilizado neste estudo, promove resultado pelos efeitos da irradiação e não pelo aquecimento, pois sua potência de radiação é baixa, de 2 a 30 mW (GUIRRO & GUIRRO, 2004).

As ações do laser de baixa potência são anti-inflamatória, bioestimulante e analgésica, o que promove uma melhora nos processos de cicatrização tecidual, por meio de interação fotoquímica, aumentando o metabolismo celular e contribuindo para os fatores de crescimento por macrófagos, proliferação de queratinócitos e desgranulação da população de mastócitos e angiogênese, desta forma ajuda na proliferação de fibroblastos e aumenta a produção de colágeno, melhorando aresistência do tecido neoformado (RIBEIRO, et al; 2011).

Demir et al (2004) realizou estudos in vivo e in vitro demostrando que o tratamento com o Laser acelera reações bioquímicas, ativação de fibroblastos, síntese de colágeno, neovascularização, bem como aumenta a atividade fagocítica de leucócitos.

Este trabalho foi realizado em cicatrizes de mamoplastia com o objetivo de comparar e eleger entre o uso do laser de baixa intensidade e a microcorrentes elétrica qual é a melhor opção na diminuição das cicatrizes e também confrontar e padronizar os protocolos disponíveis na literatura analisando os resultados do quadro clínico no tratamento das cicatrizes, já que existem poucos estudos nesse assunto e atualmente o número desses procedimentos estéticos têm aumentado muito e as sequelas como as cicatrizes interferem diretamente na auto-estima das pacientes.

Este artigo é parte do Trabalho de Conclusão do Curso de Graduação em Estética da Universidade Anhembi Morumbi, apresentado como exigência para a obtenção do título de Bacharel. O texto foi feito pelas autoras Adriana Raimunda da Silva Melo, Dayane Domínguez da Silva e Ursula de Souza Gomes, orientadas pela professora Margareth Feres

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