Microcorrente rejuvenesce. Mito ou verdade?

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Nos últimos anos, o desenvolvimento de estudos sobre o envelhecimento facial tem estimulado o conhecimento sobre os aspectos clínicos funcionais decorrentes deste processo. A fisioterapia dermato funcional possui diversas modalidades terapêuticas para este fim como a microcorrente, utilizada há muitos anos no processo de reparo tecidual, mas que atualmente trata-se de um recurso freqüente no tratamento de envelhecimento cutâneo, desde sua utilização domiciliar através de aparelhos portáteis até seu uso em clínicas de estética.

A microcorrente consiste em uma corrente de baixa amperagem que induz a síntese protéica e que é capaz de acelerar em até 500% a produção do trifosfato de adenosina (ATP), sendo essa molécula a grande responsável pela síntese protéica e regeneração tecidual devido a sua participação em todos os processos energéticos da célula.

Pesquisas mostraram que o crescimento dos fibroblastos e o alinhamento das fibras de colágeno foram incrementados com a estimulação de microcorrentes e que a resposta máxima dos fibroblastos foi observada nas proximidades do catodo. Outros trabalhos mostraram que o pólo negativo retarda o crescimento das bactérias. Ainda, a excitação elétrica de uma ferida aumenta a concentração de receptores de fator de crescimento que aumenta a formação de colágeno.

Diante dos efeitos já comprovados da microcorrente em feridas, a mesma passou a ser utilizada com objetivo de indução da proliferação de fibroblastos no processo de rejuvenescimento. Este fato gera duvidas quantos aos seus reais efeitos como recurso da estética, já que em tratamentos de tonificação da pele, o tecido se encontra integro, sem qualquer lesão.

A partir destes dados, questionamos na literatura os efeitos da microcorrente no tecido dérmico íntegro e sua ação nas fibras colágenas e elásticas, buscando investigar se a microcorrente é efetiva em tratamentos de rejuvenescimento facial, fato pouco descrito na literatura, mas amplamente divulgado para a sociedade através da mídia.

Sabemos que os fibroblastos sintetizam as fibras colágenas, reticulares e elásticas, e as glicoproteínas e proteoglicanas da matriz extracelular e que os fatores derivados dos fibroblastos também são essenciais para o normal crescimento e diferenciação dos queratinócitos, tal como para a manutenção da elasticidade da pele. Portanto, o fato de uma microcorrente estimular fibroblastos poderia ser indicador da sua ação, mas este mecanismo só é comprovado em feridas,

Há estudos que citam que a microcorrente estimulou aumento da produção de fibras elásticas, resultando na diminuição da área da lesão. A existência e vitalidade das células e de todos os tecidos dependem de uma carga eletromagnética apropriada à manipulação dessa energia que pode ser utilizada para incrementar a atividade celular.

Em estudo realizado pelo nosso grupo de pesquisadores da Universidade Potiguar detectamos que a microcorrente em pele integra de animais (ratos wistar) promoveu um incremento na produção de fibras elásticas, em decorrência da estimulação fibroblástica. Mas em relação a fibra colágena, a ação da microcorrente na neoformação deste tecido não foi percebida nas análises em microscopia óptica utilizadas neste estudo, mas poderiam estar ou não confirmadas através de microscopia eletrônica, mas esta avaliação não foi realizada.

Não foram encontrados estudos que corroborassem nosso trabalho, todas as pesquisas encontradas referiam-se a tecidos lesionados. Portanto, devemos valorizar o questionamento: microcorrente em tecido integro:mito ou verdade,  e claro, buscar mais respostas que possam nos proporcionar a evidencia científica.

Referencias:

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