Mesoterapia e sua ação na Lipodistrofia localizada

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Também utilizada para tratamentos de flacidez de pele, atenuação de estrias, queda de cabelo e celulites, a Mesoterapia ganha cada vez mais espaço mercado estético como um ótimo aliado no combate de uma das maiores queixas daqueles que procuram uma clínica estética: a indesejada e popularmente chamada gordura localizada (lipodistrofia localizada).

A técnica surgiu na década de 50 através de observações empíricas feitas por um médico na França. Era utilizada para fins terapêuticos ao adicionar fármacos em injeções no tecido subcutâneo. Para fins estéticos foi utilizado pela primeira vez nos Estados Unidos no intuito de induzir redução de gordura localizada e suavizar o aspecto da pele, sendo utilizada ainda hoje a fim de introduzir substâncias especificas através de microinjeções dependendo do que será tratado.

Alguns estudos científicos discutem a técnica e apresentam pesquisas realizadas com diferentes composições de fármacos e diferentes ações. Em um artigo de revisão publicado em 2013 na revista Obesity, os autores dividem a mesoterapia em duas categorias: Mesoterapia lipolítica e a Mesoterapia ablativa.

pic_mesotherapy1A Mesoterapia Lipolítica é baseada na ativação de lipólise dos adipócitos. Estudos recentes mostram que a lipólise pode ocorrer por alguns mecanismos que aumentam a lipólise no tecido, como a inibição de enzimas diretamente envolvidas na ativação de HSL (Hormone-sensitive lipase) que promove a quebra da gordura a nível celular; ainda pela ativação de receptores β adrenérgicos e inibição de receptores α-2 adrenérgicos, esse último responsável pela distribuição ginóide da gordura no corpo feminino (mas esse já é assunto para uma próxima conversa). Alguns desses poderosos lipolíticos conhecidos são a Ioimbina e o Tiratricol, este último com utilização proibida pela ANVISA.

A Mesoterapia Ablativa consiste na destruição dos adipócitos utilizando detergente. Um desses agentes ablativos mais conhecido é a Fosfatidilcolina, proibida no Brasil pela ANVISA por não haver comprovação de segurança em estudos clínicos. Outro bastante utilizado é o Desoxicolato, que causa a lise da membrana de adipócito. No entanto o uso desses agentes provoca inflamação e pode deixar cicatrizes por necrose da gordura destruída.  Por terem a ação de destruição da célula de gordura, o tratamento com esses fármacos demandam menos tempo.

Para que não ocorram problemas como infecções posteriores ao tratamento devem ser seguidas corretamente as normas de biossegurança antes, durante a após o procedimento, como assepsia correta do local de aplicação, além do uso do material devidamente esterilizado. É possível que a área fique edemaciada e com leve vermelhidão após as aplicações. Problemas como erupções cutâneas e necroses podem surgir devido a reações à substância utilizada ou a má execução do procedimento.

Assim como todo tratamento que promove a mobilização de gordura e/ou liberação desta para o meio celular, é extremamente necessário e conveniente ao resultado que após uma sessão de mesoterapia seja realizada atividade física aeróbica, para que ajude na eliminação desta gordura liberada, para que a mesma não se acumule novamente. Além de exercícios é indicado que o paciente faça uma reeducação alimentar, para que não as indesejáveis gordurinhas localizadas não voltem a aparecer por conta da má alimentação e sedentarismo.

O número de sessões e quais serão as substâncias utilizadas ao realizar a mesoterapia varia de acordo com o objetivo do paciente. Em geral em torno de 5 a 10 sessões os resultados são satisfatórios, mas isso não se torna uma regra já que cada caso tem sua particularidade. Outros tratamentos associados à mesoterapia garantem ótimos resultados na eliminação da gordura localizada. Importante analisar qual tratamento será combinado para que não se utilize após as microinjeções já que dependendo da técnica escolhida podem interferir no tratamento.

Referências bibliográficas:

Jayasinghe S, Guillot T, Bissoon L, GreenwayF. Mesotherapy for local fat reduction. Obes Rev. 2013 Oct;14(10):780-91.

Herreros FOC, Moraes AM, Velho PENF. Mesoterapia: uma revisão bibliográfica. An Bras Dermatol. 2011; 86(1): 96-101.

Caruso MK, Roberts AT, Bissoon L, Self KS, Guillot TS, Greenway FL.An evaluation of mesotherapy solutions for inducing lipolysis and treating cellulite. J Plast Reconstr Aesthet Surg. 2008 Nov;61(11):1321-4.

RESOLUÇÃO – RE N° 128, DE 11 DE JANEIRO DE 2013 – ANVISA

http://www.anvisa.gov.br/divulga/noticias/2002/301202.htm

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