Melasma: uma visão microscópica

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Verão no auge, praia, sol, muitos passeios ao ar livre e alto índice de radiação UV. Essa combinação somada ao descuido no uso de proteção solar adequada e fatores de risco intrínsecos pode trazer problemas futuros, como o surgimento de melasmas.
O melasma representa grande parte das queixas em consultórios estéticos e a literatura sobre o tema é vasta, tanto no âmbito científico, quanto em artigos voltados à população. Basta entrar num blog voltado para a beleza, que lá está um artigo falando sobre o tema. O foco geralmente abrange suas causas e formas de tratamento, o que sem dúvida são pontos importantíssimos a serem esclarecidos e aprofundados.
Porém, suas características histológicas são quase sempre negligenciadas. As características macroscópicas são evidentes, mas o aspecto mais importante no entendimento desse distúrbio é compreender o que ocorre a nível microscópico. O que acontece com os melanócitos? Será que estas células encontram-se em número aumentado? Será que a produção de melanossomos está alterada de alguma forma? Existem outros distúrbios associados à sua formação?
Estudos recentes sugerem que o tecido acometido por melasma possui algumas características particulares:
1. Os melanócitos, ao contrário do que se pensava anteriormente, não estão em maior número. Por outro lado, seu corpo celular encontra-se aumentado, com dendritos mais proeminentes e com maior produção de melanossomos;
2. Esse aumento na síntese de melanossomos aumenta consequentemente a secreção citócrina de melanina, dos melanócitos para os queratinócitos;
3. Menor degradação dos melanossomos nos queratinócitos;
4. Nos melasmas dérmicos há presença de melanófagos;
5. Presença de elastose dérmica.
Estes são pontos chave para que o profissional saiba bem com o que está lidando ao realizar uma anamnese e traçar uma estratégia de tratamento.
A partir dos dados histológicos, podemos compreender que há alteração significativa no metabolismo celular e isso pode ser um indicativo de que somente “atacar” a pele lesada com inibidores de tirosinase e outros tipos de peelings químicos pode não ser o caminho mais adequado para o tratamento do melasma.
Da mesma forma, a presença de elastose dérmica associada, sugere que a exposição à luz solar de maneira crônica é uma condição sine qua non na formação do melasma e é o seu principal mantenedor.
De posse de todas estas informações é óbvio que restaurar o equilíbrio da pele através de ações que estimulem o pleno funcionamento de seu sistema imunológico, devolução de nutrientes, hidratação e síntese de colágeno e elastina sejam fundamentais para obter resultados seguros e duradouros para os clientes acometidos por melasma.
Para saber um pouco mais sobre como restaurar o equilíbrio da pele leia os artigos: “Os 5 pilares básicos para promover a reestruturação da pele hipercrômica” e “Os 5 pilares para reestruturação da pele hipercrômica parte II”. Até breve!

Referências
H. Young Kang, J.-P. Ortonne. Melasma Update. Actas Dermosifiliogr.100:Supl. 2:110-3, 2009.
L. D. B. Miot, H. A. Miot, M. G. Silva, M. E. A. Marques. Estudo comparativo morfofuncional de melanócitos em lesões de melasma. An Bras Dermatol. 82(6):529-34, 2007.
M. A. Nicoletti, E. M. A. Orsini, A. C. N. Duarte, G. A. Buono. Hipercromias: aspectos gerais e uso de despigmentantes cutâneos. Cosmetics & Toiletries (Edição em Português). Vol. 14, mai-jun, 2002.
Salmon JK, Armstrong CA, Ansel JC: The skin as an immune organ. West j Med 1994; 160:146-152).
Sarita M. F. M. de Carvalho Bezerra, Mirian N. Sotto, Noemia Mie Orii, Cleiton Alves, Alberto Jose da Silva Duarte. Efeitos da radiação solar crônica prolongada sobre o sistema imunológico de pescadores profissionais em Recife (PE), Brasil. An Bras Dermatol. 2011;86(2):222-33.
*Foto no texto: lâmina mostrando melanócitos grandes e com dendritos proeminentes na epiderme.

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Laura Carmona
Laura Carmona é graduada em Biologia pela Ferlagos/RJ e em Fisioterapia pela UNESA/RJ, pós-graduada em Fisioterapia Dermato Funcional pela Escola Superior de Ensino Helena Antipoff - Faculdades Pestalozzi/RJ (2011), Mestre em Ciências da Reabilitação - UNISUAM/RJ e proprietária do Consultório de Fisioterapia & Estética Laura Carmona, em Cabo Frio/ RJ.

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