Mecanismos que favorecem a permeabilidade cutânea

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A pele apresenta como uma das suas principais características, a função de barreira contra traumas físicos, microorganismos e contra diversas outras agressões exógenas. Devido a sua estrutura fisiológica, a pele possui também capacidade de selecionar a passagem de determinadas substâncias. O conhecimento sobre aspectos relacionados à permeabilidade cutânea é de extrema relevância ao profissional e, fatores promotores de permeação aperfeiçoam diversos procedimentos estéticos.

Existem várias formas capazes de facilitar a permeação de ativos na pele, sejam através de aparelhos, da propriedade físico-química do cosmético, do veículo utilizado, de aspectos cutâneos fisiológicos, etc.

Dentre os aparelhos terapêuticos que aumentam a permeabilidade da membrana e facilitam uma maior permeação de ativos, destacam-se os seguintes: ionização ou iontoforese, eletroporação e ultrassom (através da fonoforese). Em relação aos fatores cosmetológicos dar-se-á evidência aos que seguem: baixo peso molecular, veículos lipossomados, lipossolubilidade e pH do cosmético.

Ainda há procedimentos estéticos que de certa forma, auxiliam a uma maior permeabilidade e receptividade aos ativos, como por exemplo, as massagens e a esfoliação. Neste universo de fatores promotores de permeação, serão abordados a seguir, a ionização, os lipossomas e a esfoliação.

A ionização, iontoforese ou dieletrólise é uma técnica que utiliza a corrente galvânica, facilitando a passagem de ativos através da pele. Neste procedimento é imprescindível a observação da polaridade do ionto, ou seja das substâncias ionizáveis e da polaridade selecionada no aparelho, levando em consideração a lei de Du Fay preconizadora da ideia que “ cargas elétricas de sinais iguais se repelem, e cargas de sinais opostos se atraem”.Desta forma, a polaridade do produto deve apresentar a mesma polaridade do eletrodo ativo.

Em relação aos veículos vetoriais, alguns sistemas utilizados na veiculação de princípios ativos favorecem a uma maior permeação cutânea, pode-se citar como exemplo: os lipossomas. Com grande afinidade com os fosfolipídios cutâneos, os lipossomas encapsulam e conseguem carrear ativos, facilitando sua permeação nas camadas epidérmicas. Formado por estruturas uni ou multilamelares, eles são utilizados na dermocosmética, para aumentar a incorporação de substâncias ativas à célula, servindo também como veículo para liberação gradativa e controlada de princípios ativos.

Outro procedimento antigo, mas bastante eficiente no auxílio de permeação de ativos na pele é a esfoliação. A esfoliação que pode ser física, química ou enzimática, remove células mortas, reduz a espessura do estrato córneo, diminui a coesão entre os corneócitos, melhorando a permeabilidade da pele. Convém salientar que deve sempre respeitar o intervalo entre uma esfoliação e outra, conforme o processo de renovação da pele ou turn-over celular.

Além destes, o profissional de estética pode e deve lançar mão de outros recursos que favoreçam a permeação de ativos e com isso auxiliar no tratamento estético proposto ao cliente. Porém, é fundamental uma avaliação criteriosa e um atendimento personalizado para obtenção de resultados favoráveis.

Referências

Chorilli M, Leonardi GR, Oliveira AG, Scarpa MV. Lipossomas em formulações dermocosméticas. Infarma. 2004; 16(7-8): 75-9.

Rebello T. Guia de produtos cosméticos. 6 ed, Senac São Paulo,2005.

Borges F. Dermato Funcional: Modalidades Terapêuticas nas disfunções estéticas. 2 ed. São Paulo: Ed. Phorte; 2010.

Matos SP. Cosmetologia Aplicada. 1ed. São Paulo: Érica,2014.

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