Magnetoterapia

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Desde o final do século XVIII, com as observações de Michael Faraday, e seus conceitos de associação entre a corrente elétrica e o magnetismo, diversos estudos têm sido realizados nos diferentes ramos do conhecimento humano sobre os efeitos do campo eletromagnético 1,2. Hoje, as nações industrializadas de todo o mundo, bem como as universidades e institutos científicos, empreendem a pesquisa no magnetismo e em sua exploração na indústria tradicional, tecnológica e também na área das ciências biológicas e da saúde. Entre os diversos tipos de tratamentos na área de saúde utilizando os campos eletromagnéticos, destacamos o uso dos campos eletromagnéticos pulsados de baixa freqüência (CEMP-BF), que são uma importante ferramenta para o tratamento de diversas patologias caracterizadas, principalmente, por dor, inflamação e lesão, causando efeitos biológicos em organismos, sistemas e órgãos3.

Trata-se de um recurso da fisioterapia, pouco difundido no Brasil, mas de comum utilização na América Latina, EUA e Europa. É um método não invasivo, seguro de fácil aplicação4. Acredita-se que os principais mecanismos que justifiquem a aplicação e a ação da magnetoterapia (Utilização do campo magnético pulsado de baixa frequência- CEMP, utilizando como recurso da fisioterapia), sejam seus efeitos: bioestimulantes, analgésicos, antiinflamatórios e antiedematoso, induzindo mudanças no corpo da membrana celular, nos processos metabólicos da atividade enzimática, na reconstrução e normalização dos potenciais de ação dos tecidos nervosos5.

No entanto, esse recurso têm se destacado na modulação do processo inflamatório e conseqüente na aceleração do processo cicatricial. Os mecanismos biológicos que explicam os efeitos da magnetoterapia no processo de cicatrização de lesão são: A teoria da função celular, na qual o eletromagnetismo atua em átomos e elétrons, promovendo interações moleculares e alterações enzimáticas, favorecendo o processo bioquímico de reparo. A teoria do circuito elétrico fechado, na qual a indução eletromagnética estimula a circulação e a formação de neovasos na região afetada. Outro princípio que explica a atuação do magnetismo é a sensibilização de moléculas e receptores celulares, o qual através da associação e indução sensibilizam-se as moléculas facilitando a interação com os receptores. A última teoria é a da ressonância de íons, que declara que os íons cálcio, potássio e magnésio são induzidos e ativados pelo eletromagnetismo, ordenando e acumulando-os no tecido estimulado6.

Com a utilização da Magnetoterapia observa-se um aumento da proliferação de células epiteliais, da atividade fibroblástica e produção do tecido colágeno, bem como redução do infiltrado inflamatório ao longo do processo de reparo, constatando-se através de evidencias histológicas a aceleração do processo de reparo na zona de cicatrização dos animais submetidos ao campo magnético7.  Verifica-se ainda uma maior formação de neovasos e congestão vascular na região aplicada, com a regressão a normalidade histológica de lesões e alinhamento do colágeno indicando um aumento da atividade fibroblástica8.

Provavelmente, um dos principais efeitos da magnetoterapia seja sobre os fibroblastos e conseqüentemente na produção das fibras de colágeno. Observa-se, uma reorganização do tecido conjuntivo, assim evitando o desenvolvimento de um aglomerado de fibras e a formação de tecido fibrótico. Essa propriedade têm ganho espaço na prática clínica através do uso desse recurso no mundo, aplicando-se ao tratamento de lesões em diferentes tecidos, na cicatrização do Pós-Operatório de cirurgias plásticas, na cicatrização de lesões após queimaduras, na redução de hematomas e equimoses e na consolidação de fraturas ou distúrbios de calcificação óssea como na osteoporose9,10,11,12,13.

Autor: Rodrigo Marcel Valentim da Silva, Mestre em Fisioterapia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte

REFERENCIAS

1.Díaz DS, Mulens IF, Mahojo LAF, Aguilera SG, Rodríguez ZP. Magnetoterapia en el tratamiento de la neuropatía óptica epidémica. Rev Cubana Oftalmol. 1995;8:(1)13-7.

2. Guillot JDZ. La magnetoterapia y su aplicación em la medicina. Rev. Cubana Med Gen Integr. 2002; 18(1): 60-72.

3. Meyer PF. Investigação sobre possíveis efeitos biológicos in vitro de agentes físicos utilizados em fisioterapia. Tese (Doutorado) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal: 2008; p.1-52.

4. Meyer PF.Magnetotherapy: can this resource be part of Brazilian physiotherapist routine?. Arquivos Brasileiros de Ciências da Saúde. 2011; 36(1): 35-39.

5. Govea AP. La naturaleza, el hombre y el magnetismo.  Revista  Cubana Med Gen Integr. 2002; 18(10): 73-75.

6. Sánchez MAC et al. Tratamiento de las fracturas no-unión y en el retardode la consolidación con aplicación de la magnetoterapia. Revista Mexicana de Medicina Física Y Rehabilitación. 2002; 14(1): 26-30.

7. Paz AH, Deben  MGY, Ceballos  AQ. Acción del campo magnético de baja frecuencia en la cicatrización de la piel. Rev Cubana Invest Biomed.2001; 20(3):178-183.

8. Lee EWC, Maffulli N, Li CK, Chan KM. Pulsed magnetic and electromagnetic fields in experimental Achilles tendonitis in the rat: a prospective randomized study. Arch Phys Med Rehabil.1997; 78: 399-404.

9. COSTA, Leandro; SILVA, Rodrigo. Efeitos da magnetoterapia na cicatrização do tecido muscular. Monografia,Universidade Potiguar, UnP, Natal, 2010.

10. Giordano N, Battisti E, Geraci S, Fortunato M, Santacroce C, Rigato M etal. Effect of electromagnetic fields on bone mineral density and biochemical markers of bone turnover in osteoporosis: a single-blind, randomized pilot study. Current Therapeutic Research. 2001;62(3):187-93.

11. Hannemann P, Göttgens KWA, Wely BJV, Kolkman KA, Werre AJ, Poeze M, Brink PRG. Pulsed Electromagnetic Fields in the treatment of fresh scaphoid fractures. A multicenter, prospective, double blind, placebo controlled, randomized trial. BMC Musculoskeletal Disorders 2011; 12(9); 2-8.

12. Strauch B, Herman C, Dabb R, Ignarro LJ, Pilla AA. Evidence-based use of pulsed electromagnetic field therapy in clinical plastic surgery. Aesthet Surg J. 2009 Mar-Apr;29(2):135-43.

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