Luz intensa pulsada na estética

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A luz intensa pulsada (LIP ou IPL, do inglês Intense Pulsed Light) incialmente foi utilizada para tratamento de lesões vasculares, na década de 70. Em 1983, Anderson & Parrish publicaram na revista Science a “Teoria da Fototermólise Seletiva”, que veio esclarecer o mecanismo de ação dos equipamentos de alta potência. Assim, houve um grande número de pesquisas realizadas com a LIP e outros recursos da fototerapia, surgindo suas várias outras indicações além do tratamento das lesões vasculares.  A partir de 1994, a LIP deixou de ser apenas um objeto de pesquisa e passou a ser vendida comercialmente e, atualmente, é um dos recursos mais procurados e utilizados para fins estéticos (BABILAS, 2010).

Muitas pessoas confundem a LIP com Laser de alta potência, porém trata-se de equipamentos diferentes. Ambos se baseiam na fototermólise seletiva, mas apresentam aspectos diferentes relacionados ao comportamento da luz que emitem.O Laser é monocromático (possui um único comprimento de onda, que determina sua cor), é coerente (as suas ondas se propagam na mesma frequência) e colimado (propaga-se em apenas uma direção). A LIP é policromática (emite vários feixes com vários comprimentos de onda, entre 400 e 1200 nm), é incoerente (as ondas não possuem a mesma frequência) e não colimado (propaga-se em várias direções, por isso é um flash). Além destas diferenças técnicas, a LIP apresenta um custo reduzido, menor risco de efeitos colaterais, como queimaduras e discromias, além de permitir trabalhar com fototipos de Fitzpatrick maiores (V e alguns equipamentos já possuem tecnologia para atender o VI, porém o resultado é inferior ao obtido em peles claras).

A fototermólise baseia-se na absorção de fótons, emitidos pela LIP, pelos cromóforos da pele (hemoglobina e melanina principalmente), que gera intensa transferência de elétrons e emite energia sob a forma de calor (ANDERSON & PARRISH, 1983; HAEDERSDAL et al., 2012). Este aquecimento ocorre apenas nas estruturas que contem os cromóforos e causa sua coagulação e necrose, que leva a um processo inflamatório subclínico. Deste processo é que virão as principais indicações da LIP: remoção de pelos, hipercromias e telangectasias (FODOR et al., 2009; BABILAS, 2010;  PATRIOTA et al., 2011) Na remoção de pelos, o principal cromóforo é a melanina do pelo. Ela que conduzirá a energia através da haste até o folículo, onde ocorrerá a fotocoagulação e consequentemente não nascerá mais pelo neste local. Lembrando que o pelo deverá estar na fase anágena para que a luz se propague até o alvo, não deve ser retirado por tração (cera ou pinça) e que a presença de tatuagens pode contraindicar o tratamento, uma vez que a luz tem afinidade pelo pigmento.

No caso das telangectasias, a hemoglobina é o cromóforo responsável pela absorção dos fótons e coagulação dos microvasos ectásicos. Nas hipercromias, também é a melanina que participa: o aquecimento, gerado pela transmissão dos elétrons, acarreta no rompimento da membrana do melanossoma e absorção do pigmento fica por conta das células inflamatórias que migrarão para o local da lesão. Neste caso, vale a pena ressaltar que a LIP age apenas no pigmento em questão, a melanina, e não atua sobre os melanócitos, o que leva muitos estudos atentarem sobre a necessidade do uso de algum medicamento ou dermocosmético que atue na função destas células ou então da combinação com o Laser Nd-YAG que inibe a atividade melanocítica (NA et al., 2012).

Uma outra aplicação importante da LIP é no rejuvenescimento e fotorrejuvenescimento. Neste último soma-se à ação nas hipercromias o rejuvenescimento, em que  LIP promove aquecimento rápido do tecido, em torno de 70 oC, que é responsável pela termocontração do colágeno e também aumenta a atividade dos fibroblastos estimulando a síntese de matriz extracelular, em especial colágeno e elastina, que se depositam de modo mais organizado. Este fato foi demonstrado em um estudo clínico de Patriota et al. (2011),  que observaram um aumento da síntese de colágeno e elastina bem como seu melhor alinhamento até 6 meses após o tratamento com LIP em face. Os intervalos entre as sessões são de 2 a 4 semanas conforme o objetivo. Epilação e tratamentos em fototipos maiores, 4 semanas, por conta do ciclo do pelo; as outras indicações ficam entre 2, 3  e 4 semanas. Os parâmetros como densidade de energia, duração do pulso e intervalo entre pulsos, são ajustados pelos equipamentos, hoje em dia mais modernos, em função das informações registradas nele: objetivo, fototipo e no caso de epilação, espessura e cor dos pelos.

Entretanto, é possível programar manualmente também, sendo que fototipos menores permitem o uso de densidades de energia maiores.  O número de sessões varia entre 3 a 10, em média, conforme o equipamento, indicação de tratamento, ajuste adequado dos parâmetros e forma de aplicação. A LIP é um recurso eficaz dentro das indicações estéticas propostas e que requer treinamento e experiência para obtenção de sucesso nos resultados. Como em qualquer tratamento, sempre é conveniente realizar uma boa anamnese e exame clínico, bem como registrar com fotos, termo de consentimento e sempre ficar atento à evolução de cada cliente.

REFERÊNCIAS

Anderson RR, Parrish JA. Selective photothermolysis: precise microsurgery by selective absorption of pulsed radiation. Science. 1983 Apr 29;220(4596):524-7.

Babilas P, Schreml S, Szeimies RM, Landthaler M. Intense pulsed light (IPL): a review. Lasers Surg Med. 2010 Feb;42(2):93-104.

Fodor L, Carmi N, Fodor A, Ramon Y, Ullmann Y. Intense pulsed light for skin rejuvenation, hair removal, and vascular lesions: a patient satisfaction study and review of the literature. Ann Plast Surg. 2009 Apr;62(4):345-9.

Haedersdal M, Beerwerth F, Nash JF. Laser and intense pulsed light hair removal technologies: from professional to home use. Br J Dermatol. 2011 Dec;165 Suppl 3:31-6.

Na SY, Cho S, Lee JH. Intense Pulsed Light and Low-Fluence Q-Switched Nd:YAG Laser Treatment in Melasma Patients. Ann Dermatol. 2012 Aug;24(3):267-73.

Patriota RC, Rodrigues CJ, Cucé LC. Intense pulsed light in photoaging: a clinical, histopathological and immunohistochemical evaluation. An Bras Dermatol. 2011 Nov-Dec;86(6):1129-33.

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