Hidratação cutânea – Parte 1

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A pele, além de ser o primeiro órgão de defesa de nosso corpo contra as adversidades do meio externo, possui papéis importantes, cujas complexidades e higidez contribuem para a manutenção da homeostase do organismo. Tais propriedades, no entanto, só são desempenhadas com excelência se o tecido tegumentar estiver em condições normais e plenas de funcionamento e cuidado.

A pele desidratada se deve a um grau de embebição inferior ao normal, condição muitas vezes mediada pelo clima, como os ventos e o frio, além da umidade atmosférica baixa. A pele é uma interface onde as trocas com o meio ambiente são uma constate. O estrato córneo, produto da diferenciação epidérmica, forma uma eficiente barreira entre o meio externo e os tecidos internos. A quantidade de perda de água transepidérmica é uma boa medida desta função de barreira. Quando esta perda é muito elevada, observamos peles desidratadas, xeroses, icitoses, pruridos, xerodermia, e eczema.

Em ambientes úmidos e quentes, a pele, em geral, é mais lubrificada e “embebida”, às vezes com aspecto “pegajoso”. Já em ambientes secos e/ou frios, a pele perde água, em troca com o ambiente ficando assim desidratada. Apresenta-se ressecada, com descamação fina e, muitas vezes, de aspecto “apergaminhado”, mimetizando rugas finas, (falsas rugas, pois não há alterações na derme). Uma pele desidratada se mostra “quebradiça” e opaca. A pele hidratada se mostra túrgida, lisa, viçosa e de consistência elástica, agradável ao toque.

Para que a nossa pele esteja em um estado adequado de funcionamento, dois processos básicos agem em conjunto, a limpeza e a hidratação cutânea. A limpeza contribui para a remoção dos resíduos  externos da renovação celular , secreções cutâneas naturais e micro-organismos. A hidratação, por sua vez, tem o papel primordial de manter o conteúdo de água na epiderme e manter a barreira epidérmica em perfeito estado.

A hidratação é dada pela capacidade do estrato córneo de reter a água que se ingere. É também determinada pelas trocas da camada córnea com o meio ambiente. A camada córnea normalmente contém de 10-30% de água. Sempre que o conteúdo hídrico da camada córnea for menor que 10%, a pele será, clinicamente, desidratada.

Os hidratantes possuem propriedades que aumentam a maciez, melhoram a textura e flexibilidade da pele e criam uma barreira protetora contra agressores externos, prevenindo e ressecamento.

A hidratação é fundamental para todos os tipos de pele, já que sua principal finalidade é promover e restaurar a função de barreira epidérmica, mantendo a integridade e a aparência da pele, retendo água ou impedindo sua perda transepidérmica. A capacidade de retenção da água pela camada córnea está diretamente relacionada aos seus constituintes, como o fator natural de hidratação (NMF) e lipídios. Estudos bioquímicos e ultraestruturais revelam que a redução da velocidade de regeneração da barreira é devida, em parte, a uma diminuição na capacidade de sintetizar lipídios na epiderme, que surge com a idade.

O aumento da hidratação da pele pode ser obtido com o uso de produto tópicos que atuam através de três mecanismos principais:

  • Oclusão: promovida por substâncias lipídicas, também chamadas emolientes (ex: ceramidas, óleos vegetais e outros lipídios, como lanolina, vaselina e ceras que, com frequência, são usados nas emulsões). Retardam a evaporação e a perda de água através da formação de um filme hidrofóbico na superfície da pele;
  • Umectação: aplicação de substâncias higroscópicas capazes de absorver e reter água na superfície da pele (p. ex., glicerina, sorbitol, propilenoglicol);
  • Hidratação ativa: oferecida por ingredientes intracelulares com capacidade higroscópica como, por exemplo, os constituintes do NMF (ureia, PCA-Na, lactatos), ou através da ação na estrutura celular, como os alfa-hidroxiácidos.

As formulações hidratantes podem conter substâncias oclusivas ou umectantes (higroscópicas) ou a combinação dos dois grupos. A combinação de ingredientes oclusivos e umectantes promove ações complementares para alcançar e manter a hidratação e função da barreira da epiderme. O uso adequado de hidratantes proporciona o aumento do conteúdo de água na pele, prevenindo os danos causados pelo ressecamento e tornando a pele suave e macia, além de proteger a pele danificada ou exposta a agentes irritantes. A avaliação da pele sadia e a sua interpretação correta servem para que o profissional especializado possa orientar seu paciente nos cuidados mais adequados com a sua aparência. Aprender como cuidar da pele sã é de grande importância do ponto de vista da terapia preventiva, pois assim se podem evitar diversas desordens cutâneas, por exemplo, a xerodermia.

As recomendações corretas para os cuidados com a pele são fundamentas para que ela se mantenha jovem, saudável e protegida.

Colaboração: Katia Ferreira, acadêmica de Estética

Referencias Bibliográficas:

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