Guerra contra o melasma!

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Como o melasma é uma condição crônica e com altas taxas de recorrência, as clientes podem achar os tratamentos disponíveis desnecessários, frustrantes e difíceis. O melasma é uma desordem benigna da pele caracterizada por manchas irregulares e hiperpigmentadas da pele. O melasma acomete mais mulheres adultas, que representam aproximadamente 90% dos casos conhecidos e aparece como resultado da produção exagerada de melanina pelos melanócitos, as células responsáveis pela pigmentação da pele.

 Para entender o melasma 
O melasma pode acometer as mulheres durante toda a sua idade fértil. Acredita-se que a combinação da exposição ao sol sem proteção adequada, hormônios e predisposição genética favorecem ao desenvolvimento das manchas na pele características do melasma. Entenda melhor:

> Condição genética: O melasma têm um fator genético que ainda não é bem entendido. Atualmente, acredita-se que alguns genes façam com que alguns indivíduos sejam mais suscetíveis à radiação UV e influências hormonais. Se a sua cliente tem algum caso de melasma na família, ela já mostra uma predisposição maior ao desenvolvimento da mesma condição durante a vida adulta e mesmo que não apresente hiperpigmentações, deve tentar prevenir o aparecimento do melasma, caprichando no uso de filtro solar.

> Hormônios: O melasma pode ser influenciado por níveis normais ou anormais de estrogênio e progesterona (hormônios femininos). As influências hormonais internas incluem níveis basais circulatórios de estrogênio ou progesterona, gravidez ou níveis hormonais anormais causados por anormalidades endócrinas.

O uso de drogas para fertilidade, contraceptivos orais ou terapias de reposição hormonal podem ser consideradas influências hormonais externas. Alimentos ricos em fitoestrogênios, como os derivados de soja, também podem influenciar o desenvolvimento do melasma. Suas clientes devem entender que essas influências hormonais devem ser controladas para que o tratamento seja o mais eficaz possível!

> Sol: Este já foi considerado o único fator capaz de desencadear o aparecimento do melasma. Ainda não se consegue explicar porque apenas os melanócitos localizados dentro das manchas do melasma são tão suscetíveis à exposição dos raios UV, enquanto que o tecido em volta, parece não ser afetado. O fato é que já se sabe que a exposição aos raios UV estimula a melanogênese, fazendo com que os melanócitos produzam melanina em excesso.

 Uma frente de batalha 
Tradicionalmente, o tratamento é baseado em quatro modalidades diferentes, mas interrelacionadas, que você vai conhecer a seguir:

> Evitar exposição aos raios UV: O uso de filtros solares com fator de proteção solar 30, no mínimo, é obrigatório. Aconselhe a sua cliente a diminuir ao máximo a exposição aos raios UV, seja de forma direta ou indireta, principalmente durante os horários de maior incidência solar. Manter o rosto sempre protegido com chapéus e óculos de sol também ajuda. Ao evitar a exposição direta aos raios UV, suas clientes evitam que a produção de melanina seja estimulada.

> Controle tópico da produção de melanina: Este é um dos principais pilares do tratamento. Os principais ativos para o tratamento do melasma são: ácido kójico, arbutin, hidroquinona e retinóides. O mecanismo de ação destes ativos inclui o bloqueio enzimático da produção de melanina, mediação inflamatória não-seletiva, inibição da tirosinase (enzima responsável pela síntese de melanina que fica armazenada no interior dos melanócitos), estímulo da atividade dos queratinócitos e mediação da maturação dos melanossomas (corpúsculos intra-celulares que armazenam a melanina da pele).

Estudos clínicos, contudo, observaram que a ação de muitos ativos pode não ter uma relação direta com a dose administrada, como se pensava anteriormente. Concentrações mais altas podem levar a reações adversas mais severas.

> Fototermólise seletiva: Lasers não ablativos e de Luz Intensa Pulsada (LIP) que destróem determinados “alvos” na pele (como a melanina, hemoglobina, água e pelos, por exemplo). Estes aparelhos emitem luz com comprimentos de onda bem absorvidos por estes alvos e têm uma duração de pulso rápida o suficiente para limitar o dano térmico, protegendo os tecidos adjacentes ao alvo. A energia é absorvida pelos alvos e a luz é convertida em energia térmica, mecânica ou química capaz de romper o tecido-alvo.

Tratamentos de fototermólise para combater o melasma têm como alvo tanto o pigmento (melanina) quanto os melanócitos super ativos. Teoricamente, esses tratamentos têm potencial para inibir irreversivelmente a produção de melanina, causando hipopigmentação; ou paradoxalmente, aumentar as taxas de produção de melanina, piorando o quadro de hiperpigmentação.

> Esfoliação química ou mecânica: Promovem uma rápida eliminação da melanina depositada na superfície da epiderme. As limitações do tratamento esbarram na profundidade da esfoliação adotada. Definitivamente, a microdermoabrasão não penetra fundo o suficiente na pele para alterar os depósitos mais profundos de melanina. Enquanto isso, a eficácia de peelings químicos está diretamente relacionada à sua concentração.

 Como controlar a frustração 
O tratamento do melasma pode ser difícil e bastante frustrante, portanto você pode facilitar o processo, utilizando as seguintes regras para o controle do melasma.

> Educação: O tratamento do melasma começa com educação e informação. Se a sua cliente não entender o mecanismo básico do desenvolvimento do melasma, ela não vai conseguir se comprometer com um tratamento a longo prazo… Separe o tempo necessário e explique a sua cliente porque eles são fatores importantes para o controle do melasma.

> Exame de consciência: Mesmo que seja difícil discutir a falta de comprometimento delas com o tratamento, é melhor encarar o problema de frente e abordar o assunto. Elas esperam que os seus protocolos garantam uma pele livre das hiperpigmentações e querem ver resultados a cada sessão. Mas no caso do melasma, é preciso avaliar se houve falta de comprometimento por parte da cliente, a cada consulta de avaliação de resultados. Discuta o estilo de vida dela e explique que os resultados podem ficar abaixo do esperado se não ela não seguir as recomendações. Pode ser chato, mas lembre-se que a sua cliente pode indicar o seu trabalho para as amigas e familiares.

> Consultoria para o home care: Se você recomendar cremes de uso tópico para uso em home care, você deve explicar detalhadamente como usar, especificando as quantidades a serem utilizadas em cada aplicação. Na prática, pode ser mais fácil se você conseguir estipular uma quantidade com instrumentos simples de medida: uma colher de café, uma gota e etc. Não se esqueça de mencionar a frequência da aplicação e a duração do tratamento.

> Estilo de vida: Lembre sempre a sua cliente que a exposição excessiva ou mesmo intermitente aos raios UV, pode piorar o quadro de melasma e ainda pode escurecer áreas que já tinham respondido ao tratamento. A exposição aos raios UV pode ocorrer de forma direta, ou indireta, por exemplo, através da reflexão dos raios na água, areia ou neve. Sua cliente pode achar muito difícil evitar a exposição aos raios solares, já que moramos em um país tropical e porque no estilo de vida dela é simplesmente impossível ficar longe do sol. Mesmo assim, é prudente mostrar os riscos para o desenvolvimento do melasma e mostrar a ela novas opções de filtro solar e chapéus com proteção UV.

 Os resultados não aparecem como mágica 
As expectativas da sua cliente nem sempre refletem a realidade. No caso do melasma, é preciso enfatizar que esta é uma condição crônica e progressiva, com uma alta taxa de recorrência. Mesmo que os cremes de uso tópico sejam os pilares do tratamento contra o melasma, a melhora é gradual e pode levar meses ou anos até que a sua cliente consiga notar alguma diferença significativa. Uma linha do tempo, com fotos das lesões podem ser uma boa ideia, para que a ela consiga comparar e visualizar a melhora.

Por ser um tratamento longo, é fundamental que você estabeleça um plano de ação com a sua cliente e, de preferência, em parceria com um dermatologista, de maneira a incluir sessões de laser, peelings químicos e luz intensa pulsada no tratamento. Suas clientes se sentirão mais seguras com um plano de ação e menos frustradas quando as manchas não sumirem completamente depois de um mês.

O tratamento do melasma pode trazer resultados muito gratificantes tanto para a cliente quanto para a esteticista. A melhora requer um esforço concentrado da profissional esteticista, educando, orientando e apoiando suas clientes durante todo o processo de tratamento, portanto… mãos à obra!

Fonte: www.skininc.com

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