Fotoproteção oral

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A nossa pele pode expressar os efeitos visíveis proporcionados pelo envelhecimento natural chamado intrínseco ou cronológico, porém além deste temos ainda outros fatores que podem gerar danos à pele, denominados fatores extrínsecos ou foto envelhecimento, nos quais se destaca principalmente a radiação solar.

Os efeitos da exposição solar sobre a pele estão relacionados com a dose de radiação ultravioleta recebida, e podem ser divididos em agudos (eritema, queimadura solar e fotossensibilidade) e crônicos (envelhecimento precoce e câncer de pele).

A radiação solar, ao atingir a pele, pode provocar alterações perceptíveis como: o espessamento da camada córnea como medida de defesa, a indução à sudorese e, a produção de melanina, que é o principal mecanismo de defesa da pele contra a radiação. Também pode provocar alterações imperceptíveis como: alterações bioquímicas nas fibras colágenas e, formação de cânceres de pele, por atuação sinérgica das radiações UVA e UVB.  Tanto a radiação UVA, quanto a UVB estão relacionadas à formação de rugas, pois estão envolvidas em mecanismos de degradação das fibras de colágeno.

A prevenção dos efeitos indesejados como discromias, rugas e linhas de expressão é a fotoproteção. A fotoproteção pode ser aplicada através do uso de fotoprotetores solar tópicos, através da administração sistêmica de compostos que combatem os efeitos biológicos deletérios ou, de preferência, através do uso de ambos.

Os compostos citados acima são nutrientes antioxidantes que estabilizam os radicais livres produzidos pela exposição da pele a radiação solar. Vários estudos comprovam que a suplementação de vitaminas, antioxidantes, carotenóides e ácidos graxos poliinsaturados promovem a proteção contra a radiação UV.

 Exemplos de alguns fotoprotetores orais:

Cacau em pó

luisa_wolpe_artigo_02_img1Um estudo publicado no The Journal of Nutrition teve como objetivo investigar os efeitos da ingestão repetitiva de um produto rico em flavonóides do cacau na sensibilidade cutânea frente à exposição UV em mulheres. No estudo havia dois grupos de mulheres que consumiram, durante 12 semanas, 18 g/dia de dois tipos de cacau em pó dissolvidos em 100 ml de água. O grupo A consumiu cacau com 326mg de flavonóides (61 mg de epicatequina e 20 mg de catequina) e o grupo B, cacau com 27 mg de flavonóides (6,6 mg de epicatequina e 1,6 mg de catequina).

Foi observado no Grupo A, além do grupo B:

  • Redução do eritema solar em 15 e 25% após 6 e 12 semanas de tratamento, respectivamente;
  • Aumento do fluxo sangüíneo dos tecidos cutâneos e subcutâneos;
  • Aumento da espessura e da densidade da pele;
  • Aumento da hidratação cutânea, com redução da TEWL (perda transepidermal de água) de 8,7 +/- 3,7 para 6,3 +/- 2,2 g/(h x m2); e
  • A avaliação da superfície da pele mostrou uma diminuição significativa da aspereza e da descamação cutânea.

Conclusão: Os flavonóides do cacau contribuem na fotoproteção endógena, melhoram a circulação sangüínea da derme e afetam os parâmetros da hidratação e do aspecto da superfície esteticamente relevantes.

Heinrich U, Neukam K, Tronnier H, Sies H, Stahl W.Long-term ingestion of high flavanol cocoa provides photoprotection against UV-induced erythema and improves skin condition in women. Institut für Experimentelle Dermatologie, Universität Witten-Herdecke, Germany.

Betacaroteno

luisa_wolpe_artigo_02_img2Cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade do Arizona, EUA, pesquisaram o efeito da suplementação oral de alfa- e beta-caroteno no eritema induzido pela exposição às radiações UVA e UVB.

Metodologia do estudo: 22 voluntários receberam a suplementação de alfa- e beta-caroteno por 24 semanas. Durante esse tempo, eles foram expostos à radiação UVA e UVB (16-42 mJ/cm2).

Resultados: Durante o estudo, o valor da MED (Minimum Erythema Dosis – quantidade de energia mínima capaz de causar um eritema) aumentou significativamente.

Conclusão: a suplementação de carotenóides pode promover parcialmente a proteção da pele humana frente à formação de eritema induzido pelas radiações UVA e UVB, embora esse efeito seja moderado.

Lee J, Jiang S, Levine N, Watson RR. Carotenoid supplementation reduces erythema in human skin after simulated solar radiation exposure.  Proc Soc Exp Biol Med. 2000 Feb;223(2):170-4. 

Chá verde

luisa_wolpe_artigo_02_img4Recentemente, foi demonstrado que a fração polifenólica do chá verde reduziu o risco de câncer de pele induzido pela radiação UV. Esse evento foi acompanhado pela redução da lesão ao DNA UV-induzida. Esses efeitos aparentemente foram mediados via interleucina (IL)-12, cuja ação na reparação do DNA foi previamente confirmada.

Conclusão: Como os estudos prévios reportaram, o efeito protetor UV da fração do chá verde parece ser mediado pela IL-12, nas células humanas, provavelmente através da indução da reparação do DNA.

Schwarz A, Maeda A, Gan D, Mammone T, Matsui MS, Schwarz T. Green tea phenol extracts reduce UVB-induced DNA damage in human cells via interleukin-12. Department of Dermatology, University Kiel, Kiel, Germany. Photochem Photobiol. 2008 Mar-Apr;84(2):350-5. Epub 2008 Jan 7.

 

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