Fitoterápicos e fitocêuticos

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Devido à falta de informação adequada, quando comparados aos remédios prescritos, os fitoterápicos e fitocêuticos costumam ficar em desvantagem ou são encarados com certo preconceito. O que muitos fisioterapeutas não sabem é que nós podemos recomendar e prescrever estes medicamentos naturais aos nossos pacientes, ao contrário das drogas convencionais. Portanto, acredito ser de grande valia conhecer um pouco mais sobre os benefícios dos fitoterápicos e fitocêuticos, a fim de aliá-los aos tratamentos estéticos indicados e realizados nas clínicas e consultórios [1].

Antes de continuarmos, acho importante entendermos estes dois conceitos abaixo:

  • PLANTA MEDICINAL: é a espécie vegetal, cultivada ou não, utilizada com propósitos terapêuticos.
  • FITOTERÁPICO E FITOCÊUTICOS: produtos obtidos a partir de planta medicinal com finalidade profilática, curativa ou paliativa.

Os profissionais precisam ver que os fitocêuticos são baseados em estudos clínicos e em investigações, e não em “crendices populares”. Os melhores resultados terapêuticos são obtidos utilizando um “fitocomplexo vegetal”, isto é, utilizando a totalidade de ativos da planta em forma de extratos garantindo maiores margens de eficácia e segurança que os compostos químicos separados.

Abaixo elaborei um esquema para fazer a distinção entre algumas categorias e formas nas quais os encontramos ou podemos prepará-los:

  • INFUSÃO: preparação que consiste em verter água fervente sobre a droga vegetal e em seguida tampar ou abafar o recipiente por tempo determinado.
  • EXTRATO SECO: é a preparação de consistência líquida, sólida ou intermediária, de determinada planta.
  • TINTURA: preparação alcoólica ou hidro alcoólica resultante da extração de drogas vegetais ou da diluição dos respectivos extratos. Pode ser simples ou composta conforme preparada com uma ou mais matérias-primas. Importante saber: 10 ml de tintura simples = 1 g de droga seca.
  • EXTRATO OU PÓ: na Fitoterapia é importante saber se as cápsulas são preenchidas com o pó ou o extrato seco da planta desejada. O pó é empregado quando o vegetal é rico em princípios ativos e de baixa toxicidade. Já o extrato seco é empregado quando é necessário purificar e retirar elementos contaminantes ou tóxicos da planta (FARAGO, 2005)
  • EXTRATO SECO PADRONIZADO: um inconveniente de cápsulas fitoterápicas é a ocorrência frequente de hipodosagem, levando o paciente à administração de várias unidades e, com isso, podendo diminuir a sua adesão ao tratamento. Uma alternativa a esse problema são os extratos secos padronizados, cujo teor de ativos já foi analisado e sua segurança e eficácia terapêuticas comprovadas. (FERREIRA, 2002)

Em minha experiência como fitoterapeuta, pude comprovar os benefícios dos mesmos nos tratamentos de alguns problemas de saúde ou estéticos, como, por exemplo, o uso do extrato seco de PICNOGENOL (PINUS PINASTER) no tratamento de HIPERCROMIAS. Uma pesquisa realizada na Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, concluiu que o ativo desta planta estimula o sistema imunológico e é capaz de reduzir os danos causados pela radiação UVB. A sua ação seria na alteração das células endoteliais e da matriz proteoglicana, aumentando a resistência do colágeno e da elastina contra a degradação pela colagenase e pela elastase. A sugestão de uso é de até 150mg ao dia. Além disso, outros pesquisadores verificaram a atividade antitirosinase e a supressão da biossíntese de melanina (o forte efeito inibitório sobre a tirosinase e a síntese de melanina foram correlacionadas com a modulação do stress oxidativo).

Já a ACNE ADOLESCENTE ou MADURA pode ser tratada com o auxílio de HIDROXITIROSOL, encontrado no extrato seco padronizado da folha da oliveira. Essa substância inibe os marcadores inflamatórios, reduz a hiperpigmentação pós-inflamatória e aumenta os níveis de glutation, poderoso antioxidante endógeno. Outro benefício deste ativo é estimular a produção de óxido nítrico que modula a diferenciação de queratinócitos, estimulando a renovação celular e reduzindo a hiperqueratinização produzida pela pele acnéica. Seu uso recomendado deve ser de 150 a 300 mg por dia.

As tão temidas CELULITES e FIBROSES podem ser suavizadas e tratadas com a CASTANHA DA ÍNDIA (AESCULUS HIPPOCASTANUM L), que tem grande atividade anti-inflamatória. A escina, constituinte da Castanha da Índia, possui propriedade ante edematosa ainda maior que a do flavonóide rutina. O seu extrato seco, diminui a ação deletéria das glicosaminoglicanases sobre os proteoglicanos, fortalecendo a estrutura do colágeno e diminuindo a fibrose (ALONSO, 1998).

Quando há presença de LIPOEDEMA /CELULITE o tratamento com o extrato seco de CENTELLA ASIÁTICA (GOTU KOLA), administrado por via oral em 60 mg ao dia, durante 90 dias, oferece grandes benefícios e ótimos resultados. Este ativo provoca a redução da fibrose entre os adipócitos, diminuindo significativamente o diâmetro dos mesmos, especialmente na região gluteofemoral (local bastante problemático para grande parte das mulheres).

Quando o foco do paciente é o EMAGRECIMENTO ou a redução de EDEMAS, gosto muito de utilizar a alga FUCUS VESICULOSUS L. Esta planta marinha é rica em sais minerais e iodo, que confere uma ação estimulante da tireóide. Este estímulo favorece os processos catabólicos, auxiliando no tratamento de emagrecimento. Além disso, o Fucus é uma planta remineralizante e os seus sais potássicos são diuréticos. Sugiro o extrato seco, em concentração de 150 mg, aos meus pacientes.

Para o tratamento da FLACIDEZ DE PELE, um ótimo aliado é a erva CAVALINHA (EQUISETUM GIGANTEUM L), rica em oligoelementos (principalmente o silício) e flavonoides. Possui, também, ação anti-inflamatória, drenante e remineralizante. A indicação é do extrato seco, variando de 200 a 500 mg por dia. A CENTELLA ASIÁTICA (GOTU KOLA), que já mencionei acima, também é adequada para o tratamento da flacidez de pele devido ao seu elevado poder de regeneração do tecido conjuntivo através do estimulo da produção de colágeno.

A última de minhas dicas é para o tratamento das OLHEIRAS, que interferem na beleza de grande parte das pessoas e conferem um aspecto pouco saudável ao rosto. Para isso, é importante utilizar um ativo que aumente a circulação local, como é o caso do RESVERATROL. O Polifenol, encontrado na semente da uva, fortalece a parede dos capilares e estimula a produção da SIRT-1, proteína que aumenta a vida útil das células. Como teríamos que consumir uma tonelada de sementes de uva para obter a quantidade indicada de 1 g de Resveratrol – o que, obviamente, é impossível -, torna-se muito mais prática a administração do extrato seco padronizado a 100 mg ao dia.

Unindo estes ativos às práticas e tratamentos estéticos que já realizamos em nossos consultórios e clínicas, potencializamos os resultados e aumentamos a satisfação dos clientes. Afinal, o poder das plantas, administradas em via oral sob alguma das formas descritas acima, promove melhorias no funcionamento do organismo, de forma endógena, o que fortalece os tratamentos externos que aplicamos.

 1- ALBINO,R. Pharmacopeia dos Estados Unidos do Brasil. 1926.

2- ALONSO, J. R. Tratado de fitomedicina: bases clínicas y farmacológicas. Buenos Aires: Isis, 1998.

3- CORRÊA,M.P. Dicionário das Plantas Úteis do Brasil. IBDF. 1984.

4- FARAGO, P. V. Aulas de Farmacotécnica. Ponta Grossa, 2005.

5- FERREIRA, A O. Aspectos críticos na manipulação de fitoterápicos na forma de

cápsulas e comprimidos para uso oral. Revista Anfarmag v. 1, n. 35, p. 32-36,

2002.

6- FINTELMANN, V.; WEISS, R. F. Manual de fitoterapia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010, 526 p.

7- Ni Z, Um Y, Gulati O, (2002) Treatment of melasma with Pycnogenol . Phytother Res, 16:567-571.

8- BRASIL. Ministério da Saúde. Práticas Integrativas e Complementares em Saúde: uma realidade no SUS. Revista Brasileira Saúde da Família. Ano IX, Ed. Especial (maio/2008). Brasília: Ministério da Saúde, 2008. 76 p.

[1] A resolução do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional – COFFITO, de número 380, de 3 de novembro de 2010, regulamenta o uso pelo Fisioterapeuta das Práticas Integrativas e Complementares de Saúde, podendo ser lida na íntegra no link abaixo:

www.coffito.org.br/site/index.php/home/resolucoes-coffito/458-resolucao-n-380-2010-regulamenta-o-uso-pelo-fisioterapeuta-das-praticas-integrativas-e-complementares-de-saude-e-da-outras-providencias.html

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