Filtro Solar: a educação vem de casa

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Eu tenho duas filhas: a Isabela e a Marya Clara. Coitadas! Filhas de farmacêuticos, desde pequenas, são convocadas a participar da nossa vida profissional e dos nossos conceitos de saúde.

E todo dia é a mesma coisa…

-“ Escovou os dentes, penteou os cabelos, passou filtro solar?”

Afinal, não custa nada lembrar: a maioria da população não se protege do sol apesar de viver sob a radiação ultravioleta e luz visível. Mesmo vivendo em um país quente como o nosso, cujo padrão de beleza é a pele bronzeada, as questões negativas relacionadas ao sol e as radiações não são levadas a sério. E o sol é vingativo!

Em curto e médio prazos, as radiações UV provocam perda de água e ressecamento da pele, deixando-a com aspecto opaco e fazendo-a perder a elasticidade, provocando eritema, descamação e futuras manchas. Os 18 primeiros anos de vida, quando protegidos das ações nefastas do sol, evitam manchas, pele ressecada e rugas. Aos 45, 50 anos você pode ter sua pele mais preservada do que aquela pessoa que se expos exageradamente, sem qualquer tipo de proteção… mas que estava na moda e no padrão de beleza. O Brasil, cheio de misturas raciais, que produziram mulheres e homens com estilos diferentes do resto do mundo, não precisa ter um padrão de beleza. Somos a beleza.

O que precisamos nos conscientizar é que a radiação é imunosupressora natural. Um exemplo clássico é o aumento da recorrência de herpes simples desencadeada pela exposição solar no verão; as doenças de pele podem ser agravadas pelas radiações causando fotoalergias, fotossensibilidade, fototoxicidade, quando em associação com cosméticos e medicamentos; as radiações podem estimular doenças como o câncer de pele, que hoje ocupa lugar nas pesquisas de doenças mais comuns no Brasil.

A radiação solar

O espectro solar é composto por uma série de radiações, quase todas podem atuar de forma benéfica, porém, quando a quantidade de energia absorvida é superior à dose tolerável, os riscos são inevitáveis. As principais radiações solares são:

· Raios infravermelhos – Responsáveis pela sensação de calor e desidratação da pele durante a exposição ao sol

· Radiação ultravioleta, de acordo com a faixa de comprimento de onda, é dividida em:

– UV-A (320-400 nm): presentes com intensidade praticamente constante durante o dia todo, produzem pouco eritema, são os principais responsáveis pelos fenômenos de hiperpigmentação (bronzeamento) e de alterações profundas na pele que levam ao câncer de pele.

– UV-B (280-320 nm): predominam entre 10 e 14 horas e são os principais responsáveis pelo eritema, queimadura solar e câncer de pele.

– UV-C (270-290 nm): são absorvidas pelas camadas mais altas da atmosfera e estratosfera e, raramente, atingem a superfície terrestre. São bastante prejudiciais, não estimulam o bronzeamento e causam queimaduras solares e câncer.

· Radiação visível (de 400-760 nm):

– Estimula a retina humana, é responsável pela visão.

Até o início dos anos 80 não havia muita evidência dos efeitos nocivos da radiação ultravioleta A. O foco principal das pesquisas era sobre a radiação UV-B. A partir dos estudos de vários autores, os fenômenos de envelhecimento cutâneo tiveram sua correlação com a radiação UVA comprovada; este comprimento de onda é atualmente considerado o maior estímulo externo para a aceleração dos mecanismos de fotoenvelhecimento, através da ativação das metaloproteinases (enzimas que degradam o colágeno responsável pela manutenção da arquitetura da pele) e a maior geração de radicais livres. Além disso, seu papel coadjuvante na carcinogênese, por dano oxidativo ao DNA dos queratinócitos, está amplamente documentado. Em decorrência da destruição da camada de ozônio, os raios UV-B, que estão intrinsecamente relacionados ao surgimento do câncer de pele, têm aumentado progressivamente sua incidência sobre a terra. Da mesma forma, tem ocorrido um aumento da incidência dos raios UV-C, que são potencialmente mais carcinogênicos do que os UVB.

Mesmo antes do dano visível clinicamente, a interação da radiação com as moléculas já vem sendo comprovada. Alterações de DNA já foram demonstradas, por técnicas de imuno-histoquímica, com alterações do gene p53 e formação de dímeros da pirimidina em áreas de pele expostas a doses suberitematógenas.

A consciência dos benefícios e malefício do sol para a pele, não tenha dúvida, tem de ser iniciada na infância. Usar as primeiras horas do sol pode ajudar como um excelente antidepressivo. Sem querer criar polêmica sobre o assunto, alguns estudos sugerem que o melhor sol para estimular a síntese de vitamina D é justamente o sol do meio dia! Outro estudo sugere que as mulheres que usam burcas são propensas a ter osteoporose porque, por questões religiosos, não podem se expor ao sol.

Então, como combinar o binômio saúde-beleza?

Simples assim: vá com calma e aproveite o que a radiação tem de melhor sem exageros. O meio termo é sempre o melhor caminho.

Eu acredito que a diferença virá com as próximas gerações que forem educadas sobre os benefícios e os malefícios do sol. Assim como você ensina a uma criança que não deve atravessar a rua sem olhar, que precisa escovar os dentes após as refeições, que precisa tomar vacinas, é necessário insistir em informação sobre a importância da proteção solar e do uso consciente da radiação solar. Não é um trabalho fácil, mas… vamos lá?

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