Fibrose pós-lipoaspiração

0
1464

Essa semana decidi me dedicar um pouco a esse tema, que me tem sido questionado por diversas pessoas. Portanto, neste artigo, reúno um pouco da minha experiência de como consigo recuperar as peles com fibrose pós-operatória.
O campo da cirurgia plástica do Brasil, ocupa o 2º lugar em eficiência, técnica cirúrgica, resultados e volume de procedimentos, perdendo apenas para os Estados Unidos. As cirurgias plásticas estéticas mais realizadas no Brasil são a lipoaspiração e o implante de prótese de silicone nos seios. A Cirurgia Plástica pode ser feita com intenções puramente estéticas ou como medida reparadora.

O que é a Lipoaspiração:

É a remoção de gordura com cânulas introduzidas sob a pele através de pequenas incisões perto da área a ser aspirada. As incisões têm geralmente de 4 a 8 mm de comprimento e ficam escondidas em sulcos e marcas naturais. Infiltra-se no local a ser aspirado uma solução composta basicamente por soro fisiológico à temperatura corporal. Inicia-se o procedimento com a introdução das cânulas realiza-se, com elas, movimentos repetidos de ir e vir. Essas cânulas ficam conectadas a um aspirador, assim, entram no tecido adiposo e aspiram a gordura por onde passam. Após a aspiração da quantidade indicada, fecham-se as pequenas incisões através de pontos e é realizado curativo compressivo local.

Pós-operatório

Os cuidados no pós-operatório cirúrgico tem demonstrado ser um fator preventivo de inúmeras intercorrências, além de promover um resultado estético mais rápido, mais eficiente e funcional. Entre os principais benefícios estão: redução do edema, das nodulações fibróticas no tecido subcutâneo e de aderências teciduais, alívio da dor, maior rapidez na recuperação das áreas com diminuição de sensibilidade, bem como no retorno do paciente às suas atividades cotidianas. As aderências, anteriormente citadas, são agravantes no pós-operatório, impedindo o fluxo normal de sangue e linfa e aumentando ainda mais o quadro edematoso e fibrótico, que retarda a recuperação.

Avaliação personalizada:

Toda pele é diferente e a combinação de cada uma de suas particularidades gera um conjunto único de características. É fundamental entender as suas variadas condições, assim como os fatores que lhe são potenciais destruidores.
A pele envolve todo o corpo e, por isto, relaciona-se com todas as mudanças internas do organismo, boas ou ruins. Em uma avaliação personalizada temos que observar o paciente como um todo, investigando sua imunidade, sua alimentação, seu tom de pele (que pode denotar problemas ou doenças internas), o funcionamento intestinal, doenças pregressas e até mesmo se trata-se de um organismo que já recebeu uso constante de Roacutan. Todo programa adequado de cuidados e tratamentos deve partir de uma avaliação específica de cada condição de pele, principalmente em casos de agressões pós-cirurgicas .

Conduta estratégica

Quando encaramos os pacientes como únicos, nos deparamos com o desafio de entendê-los de maneira integral para que tenhamos resultados bem sucedidos, seja tratando de determinado acometimento, sintoma ou simplesmente focando a fase de manutenção de um procedimento. É por acreditar que a individualização na abordagem do tratamento leva a resultados mais assertivos, que defendo essa prática no tratamento pós-operatório.
Temos uma cultura estética para o atendimento do pós-lipoaspiração: realizar o atendimento ao paciente assim que ele chega ao consultório, iniciando a drenagem linfática e alguns recursos eletroterápicos com até três sessões por semana e, normalmente sem nenhum critério específico de avaliação. Não avaliamos a qualidade da pele e muito menos avaliamos o estado imunológico de nosso cliente. Enfim, realizamos sempre o mesmo protocolo engessado e  comum a todo paciente de pós-operatório que recebemos.
Então, associar de forma inteligente os procedimentos habituais do pós-operatório de lipoaspiração à nutracêuticos, aos tratamentos tópicos e à antiglicação do colágeno são ferramentas primordiais para uma recuperação rápida nos casos da fibrose.
É principalmente na pele que se encontram pelo menos 80% do nosso sistema linfático, feito de capilares linfáticos iniciais onde a linfa se forma. Temos que  diminuir o edema pós-cirúrgico e, por isto, precisamos de mais qualidade de pele e de  tecido subcutâneo para que estes capilares recolham com maior facilidade todas as estruturas do insterstício.

É importante entender que a fibrose pós-lipoaspiração é uma condição que não pode ser considerada habitual. Se usarmos  estratégias inteligentes para gerenciar a saude da pele podemos evitar que as fibroses apareçam ou diminuí-las definitivamente. Se maximizarmos a performance do conjunto estrutural da pele, melhorando a vascularização na derme, reequilibrando a homeostase celular, normalizando a energia mitocondrial, estimulando a produção de glicosaminoglicanos, hidratando mais o colágeno e aumentando sua capacidade funcional, a fibrose näo acontece ou, se já instalada, tem recuperação facilitada.
A utilização dos antioxidantes e antiglicantes, seja via tópica ou oral, em produtos de tratamento ou alimentícios, todos com ênfase em ativos que combatam a produção de radicais livres, aumentam a imunidade e a capacidade de regeneração deste tecido. Se diariamente aplicarmos um ou mais ativos em associação que evitem a oxidação e que sejam biodisponíveis na pele, contribuiremos para isso. É com esta terapêutica de renovação e sinalização celular na epiderme e derme que otimizo meu trabalho na recuperação das fibroses em pós-lipoaspirações.

Conduta básica: Home care

Nutrientes Funcionais para prevenção e redução da fibrose

O excesso de radicais livres liberados pelo estresse e pelo pós-cirúrgico é um gatilho para o desequilíbrio da homeostase celular. Espécies reativas originadas pela agressão afetam a nossa “casa geradora de energia” – a mitocôndria -, e também as estruturas protéicas que perdem a sua função.
Micronutrientes essenciais são o que movem a nossa máquina humana. Os hábitos alimentares estão cada vez mais carentes de oligoelementos, vitaminas e PUFAS (ácidos graxos poliinsaturados), que são fundamentais para a comunicação celular. Este quadro é refletido também em nosso tecido subcutâneo e pele mas, principalmente, em estado de lesão, potencializando a deficiência energética.

Pensando nos micronutrientes, sabemos que todos são essenciais, mas, alguns têm impacto maior no colágeno, como é o caso do silício. Ele participa do tecido conjuntivo e é responsável pela capacidade da derme se manter estruturada e hidratada.
Considerando pele e interstício, quanto mais sinergia na funcionalidade das estruturas que compõem este tecido, mais mobilidade saudável o capilar linfático terá para recolher macroestruturas para seu interior. Para isto, quanto mais bem organizada a malha de colágeno estiver, maior será a sustentação aos filamentos de anclave, facilitando assim o movimento dos capilares para recolhimento do edema. Para manter a estrutura íntegra, é essencial uma melhora na alimentação diária com proteína animal de boa qualidade,  afinal, a proteína é a chave para sinalização e fornecimento de aminoácidos que alimentam o colágeno.

Já com relação à mobilidade da fibra colágena, o alvo a se combater (que causa o endurecimento desta estrutura) é o açúcar. A formação dos A.G.Es, produtos finais de glicação avançada (caramelização das proteínas), está diretamente associada a alterações na estrutura e na função de proteínas como o colágeno (Cárdenas-Leon et al.,2009). Por isso, a importância do conhecimento da conduta antiglicante na recuperação da fibrose pós-operatória é crucial. A glicação compõe uma das mais fortes teorias para explicar o excesso de fibrose pós-operatória devido aos hábitos alimentares que privilegiam açúcares e o estresse oxidativo ao qual o organismo está exposto diariamente.
Trabalhando dessa maneira, com uma visão holística de todo o processo, conseguimos resultados mais positivos, tanto sob o  aspecto clínico quanto pessoal do cliente que, por sua vez, atinge um alto nível de satisfação e de confiança no tratamento.

ALGUMAS REFERÊNCIAS:

AGNE, Jones Eduardo. Eletro termo foto terapia. 1 Ed. Santa Maria: O Autor, 2013.
KEDE, Maria. P. V.; SABATOVICH, Oleg. (Orgs.). Dermatologia Estética. 2ª ed. São Paulo: Atheneu, 2009.
YAMAGUCHI, C. Procedimentos Estéticos Minimamente Invasivos. Conduta Baseada em Experiência Clínica e Visão Estética Atual. São Paulo: Ed.Santos, 2010.
LANGE, A. Drenagem Linfática Manual no pós-operatório das Cirurgias Plásticas. Curitiba, PR. Vitória Gráfica & Editora, 2012.
AREL, A.; CALOMME, M.; TIMCHENKO, A.; DE PAEPE, K.; DEMEESTER, N.; ROGIERS, V.; CLARYS, P.; VANDEN BERGHE, D. Effect of oral intake of choline-stabilized orthosilicic acid on skin, nails and hair in womem with photodamaged skin. Arch Dermatol Res. 2005, Oct. 297(4):147-53. epub 2005 Oct 26.

Deixe uma resposta

Please enter your comment!
Please enter your name here