Estudos das medidas e linhas faciais na aplicação de dossiês visagistas

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Segundo o Centro National de Ressources Textuelles et Lexicales (CNRTL), o Visagismo serve para mostrar a beleza de um rosto, a harmonia das linhas e cores (http://www.cnrtl.fr/definition/visagisme. Acessado em 15 de julho de 2011).

Visagismo é um termo que deriva do francês visage, e seu significado é: “para o rosto”.

O termo foi criado por Fernand Aubry, célebre maquiador Francês, que apesar de seu conhecimento e criatividade, não deixou nem um texto escrito, somente imagens, sendo que desta forma, seus seguidores foram responsáveis por dar continuidade ao seu trabalho. Fernand Aubry também não criou um método de ensino (HALLAWELL, 2009).

O Visagismo se encaixa em uma categoria do segmento de beleza em que vários aspectos são levados em consideração como cita Louis Sullivan, famoso pai da arquitetura moderna que afirma: “A forma segue a função”.  Muitos outros foram responsáveis pelo fortalecimento do visagismo. Não podemos deixar de citar Claude Juillard, cabeleireiro, que foi responsável pelo desenvolvimento do conceito de beleza plena (HALLAWELL, 2009).

Além disso, foi através da observação de seus alunos, que sempre buscavam desenhar usando cores complementares a seus tons de pele, cabelos e olhos que Johannes Itten criou a teoria das cores sazonais (CARVALHO, 2011).

Suzanne Caygill, modista que iniciou nos anos 40 uma profunda pesquisa sobre as tonalidades de pele e identificou 32 tons, criou um conceito completo de cores pessoais amplamente usadas hoje por profissionais da área de moda, beleza e comunicação visual (CAYGILL, 1980).

Linhas e Formas

A estética facial tem sido discutida desde a antigüidade. Naquela época, os conceitos de estética dependiam em maior grau da preferência tradicional ou pessoal. Alguns autores definem a estética como estudo da beleza, juntamente com a ética, política, lógica e a metafísica. Seriam no caso uma ramificação da filosofia básica. Outros afirmam que a beleza da face pode ser definida como um estado de harmonia, ou seja, um equilíbrio entre as proporções faciais, um relacionamento de equilíbrio entre as estruturas esqueléticas, dentes e os tecidos moles.

O visagismo indica possibilidades de correção pela geometria, onde é possível obter uma melhor solução estética, envolvendo cores, maquiagem e cabelos entre outros fatores. Hoje, a imagem pessoal é a marca que você deixa nas pessoas, é como será lembrado, seja de maneira positiva ou negativa.

Padrões Faciais

Segundo RAMIRES et al (2010), a antropometria analisa o corpo humano de uma maneira efetiva e não invasiva, segundo o peso, proporções e medidas de tamanho. Essa técnica pode ser mensurada através do modo indireto, por radiografias, fotografias bi ou tridimensionais, ou modo direto usando a pessoa estudada. Deve ser levado em consideração o método utilizado devido à variação entre os resultados obtidos na forma direta e indireta. Deve ser considerada a tipologia facial nos estudos relacionados à antropometria, pois as medidas diversificam dependendo do tipo de face.

Cefalometria é a ciência que estuda de formas a dimensões estruturais da face e do crânio, também pode ser o termo para designar o conjunto de técnicas para estudo das estruturas anatômicas da face e do crânio. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Cefalometria, acessado em 20 de agosto de 2011).

Com os estudos da cefalometria radiográfica realizada nos Estados Unidos e Alemanha tornaram-se possível analisar com maior precisão, os tecidos moles e duros, seus contornos e relações. Daí o surgimento de alguns métodos de avaliação que tem como objetivo definir o perfil harmônico. Para que tenhamos uma boa proporção na face, é sugerido que observemos alguns traços importantes como a altura e a largura facial. As faces podem ser largas ou estreitas, curtas ou longas, redondas ou ovais, quadradas ou retangulares (COSTA et al, 2004).

Os tipos faciais têm uma relação fundamental com a forma de crescimento craniofacial, com a parametrização das estruturas orofaciais, musculatura, funções estomatognáticas e oclusão (RAMIRES et al, 2010) 

Instrumentos e Métodos de Medição

A Radiografia Cefalométrica é usada para se determinar o tipo de face, a cefalometria que é a mensuração das estruturas craniofaciais a partir de telerradiografias é um dos meios mais utilizados. A investigação científica trouxe inúmeros benefícios, porém ainda se faz necessário o uso do controle de erros na identificação dos pontos de referência (GUEDES et al, 2010).

Também podemos fazer uso da cefalometria computadorizada segundo o site Radio Memory (http://www.radiomemory.com.br/produtos_cefalometria.php, acessado em 11 de setembro de 2011). Uma das análises cefalométricas mais usadas para esse fim é a análise de Ricketts, a partir do cálculo do coeficiente vertical da face ou índice VERT com a utilização de cinco grandezas cefalométricas, desenvolvido na década de 60. O método consiste na medição crânio facial através da marcação dos pontos anatômicos sobre uma radiografia, através de bissetrizes, perpendiculares e outros.

Índice Facial

Segundo COLOMBO et al (2004) o Índice Facial é a proporção entre a altura da face (N’ – Me’) e a largura da face superior (Zid’ – Zie’) (Figura 11).

É calculado pela seguinte fórmula (COLOMBO et al, 2004; VOLKMANN et al, 2003):

Altura facial X 100 

Largura bizigomática

O resultado mostra se a face é estreita e longa, dolicofacial (valores maiores que 90.0), curta e larga, braquifacial (valores menores que 85.0) e mesofacial (valores entre 85.0 – 89.9).
Linha Média da Face

Segundo VIAZIS (1996), ARNETT et al (2004), a linha média vertical verdadeira passa pelo meio da testa (Gl), ponta do nariz (Pn) e lábios, divide a face em duas partes (figura 14).

A partir dessa linha pode se determinar outras estruturas da linha média no tecido mole e duro (SUGUINO et al, 1996).

O filtro é uma estrutura da linha média confiável e pode ser utilizado como base para a determinação da linha média, segundo ARNETT et al (1993) e SUGUINO et al (1996). Geralmente é um ponto menos assimétrico, e pode ser usado como ponto de partida para a construção da linha média (figura 15)

Regra dos Terços Faciais

As linhas de referência horizontal são um conjunto de linhas paralelas que criam um ângulo de 90° em relação à linha média facial, são utilizadas para análise de estruturas, como borda inferior da mandíbula e mento. As linhas que não seguem o padrão descrito são consideradas inclinadas (ARNETT et al, 2004).

Segundo SUGUINO et al (1996), ARNETT et al (2004) e VIAZIS (1996) a face é dividida  em três terços (figura 16) e é apresentado em uma face equilibrada, altura entre 55 e 65mm. São elas:

  1. Terço Superior da Face – Linha do Cabelo às Sobrancelhas – é uma linha variável, pois é afetado pela linha do cabelo (COSTA, 2004);
  2. Terço Médio da Face – Sobrancelhas à Subnasal;
  3. Terço Inferior da Face – Subnasal ao Mento.

Outra explicação encontrada na literatura para a divisão do terço horizontal (PRADO, 2004) é que, o terço superior vai desde a inserção do couro cabeludo na região frontal até a glabela. O terço médio vai da glabela até a porção inferior da columela nasal e o terço inferior da columela nasal até a parte inferior da região mentoniana.

Por que visagismo?

Estudar os formatos de rosto é um ponto primordial para o visagismo, já que cabelo, maquiagem e comportamento são estudados através destes.

Diante da escassez de literatura cientifica na área do visagismo, a análise foi direcionada principalmente pela área da odontologia estética, onde foram encontrados estudos que definem os formatos de rosto de forma geral em três padrões básicos: braquifacial, mesofacial e dolicofacial.

De acordo com a literatura disponível, constatou-se que através da análise inicial destes padrões é possível chegar à identificação de diferentes formatos faciais e que em cada fórmula a harmonia das proporções ósseas e musculares se faz diferente.

Portanto, este estudo traz informações iniciais, entretanto não pouco importante, de forma a auxiliar na elaboração de dossiês visagistas e suas peculiaridades.

 

* Material extraído do TCC de Cristiane Yumi Soares

 

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