Estudo quer ampliar uso de erva-mate para cosméticos

0
349

Uma pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) pretende abrir caminhos para ampliar o uso da erva-mate em outros produtos como cosméticos, energéticos e detergentes. Desde então, a planta, que é típica do Sul do Brasil, estava associada tradicionalmente ao chimarrão e chás.
A descoberta consiste no desenvolvimento de plantas com teores diferenciados de cafeína e outros componentes que podem interessar a novos segmentos de mercado, além do aumento do valor agregado do produto.
Somente na região do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul são cerca de 180 mil agricultores que vivem do plantio da erva-mate . Aproximadamente, 80% da produção brasileira da planta destina-se ao mercado interno. Desse total, 96% são para o consumo de chimarrão, e 4% na forma de chás e outros usos.

A pesquisa propõe uma identificação de árvores-matrizes com boa produtividade e características de interesse como, por exemplo, o teor de cafeína. Depois disso, as plantas são clonadas através de uma técnica conhecida como miniestaquia. Na sequência, as mudas passam a ser cultivadas em viveiros ou canteiros.
“Plantas com índices de cafeína acima de 2% já são consideradas com alto teor da substância e, em nossas pesquisas, encontramos plantas que apresentam naturalmente índices de até 3%”, explica a pesquisadora Cristiane Helm.
O estudo apontou ainda que 60% da característica genética da erva-mate está associada ao alto teor de cafeína. De acordo com Ivar Wendling, que também é pesquisador da Embrapa, com algumas ações de manejo e cultivo diferenciado, é possível obter plantas com mais de 5% de cafeína.
Cristiane Helm destaca ainda que a erva-mate pode seguir o mesmo caminho do café, que atualmente é encontrado com diferentes teores de cafeína ou até mesmo descafeinado.
Além da cafeína, que pertence ao grupo das metilxantinas, encontradas em diversas plantas e que são uma das responsáveis pelo sabor amargo e pelo efeito psicoativo, também tem destaque na erva-mate a teobromina, ainda de acordo com a Embrapa. Além disso, compostos fenólicos, como os flavonóides, também fazem parte da pesquisa.

Chimarrão mais suave
A Embrapa acrescenta que com o desenvolvimento da pesquisa, mesmo o tradicional mercado de chimarrão pode ser beneficiado.
O foco principal nesta questão está relacionado a diminuição do teor de cafeína, já que muitos consumidores evitam a bebida por conta de sua ação energética. “Pode ser lançado um chimarrão naturalmente descafeinado, que poderá ser ingerido por essas pessoas”, ressalta Cristiane.
De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para que um produto seja considerado descafeinado, o valor máximo permitido de cafeína deve ser de 0,1% (g/100g), e, caso seja um descafeinado solúvel, o valor máximo poderá chegar até 0,3% (g/100g).

Fonte: G1

Deixe uma resposta

Please enter your comment!
Please enter your name here