Estética Científica

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Há algum tempo vemos a expansão do termo ” estética científica” ,  “estética como ciência”, “estética baseada em evidencias”, mas o que é realmente isso? Será que é isso mesmo que estamos vivendo?

Todos esses termos vem da Medicina Baseada em Evidências, um “movimento” quem vem ganhando força nas ultimas décadas e que busca aplicar na pratica clínica técnicas e terapêuticas que sejam realmente baseadas em evidencias científicas.

O que é Medicina Baseada em Evidências?

MBE se traduz pela prática da medicina em um contexto em que a experiência clínica é integrada com a capacidade de analisar criticamente e aplicar de forma racional a informação científica de forma a melhorar a qualidade da assistência médica

Veja o que Lopes diz: “No processo de praticar MBE, que vai da identificação do problema à escolha da alternativa a ser adotada, não se pode esquecer que cada pessoa que procura cuidados médicos é um ser único, apesar de possuir características similares a diversos outros pacientes. Evidências que vêm de estudos realizados com grupos de pacientes ajudam a tomar as decisões mais acertadas, mas não podem ser desvinculadas da experiência clínica.”

A prática da medicina baseada em evidências significa a integração da experiência clínica individual com a melhor evidência externa avaliada, oriunda de revisão sistemática de pesquisas (Sacket, 1992).

Estética Baseada em Evidencias ou a tal estética científica, seria portanto a aplicação correta de recursos ao cliente, podendo estar baseado na experiência clínica, mas que essas técnicas sejam reconhecias pela ciência como realmente eficazes. De nada adianta eu escolher usar um produto X se a ciência não considera a técnica eficaz. Tudo isso é muito complexo porque para isso é necessário um amplo conhecimento de metodologia científica e de capacidade de analisar os artigos científicos de forma crítica. E na verdade para muita gente isso parece é muito chato. É chato mas é necessário.

Os estudos científicos são classificados em relação a sua complexidade e grau de cientificidade conforme a seguir (Veja no final do texto). Infelizmente na nossa área pouquíssimos são os artigos com metodologias adequadas e de alto nível. A maioria se baseia em casos clínicos, estudos de caso, revisões bibliográficas simples e dessa forma muitas técnicas nossas não são consideradas eficazes.

Um exemplo na fisio dermato é a Carboxiterapia que, pela medicina, não é considerada uma técnica eficaz por falta de estudos de qualidade que realmente comprovem seus benefícios, apesar de ser amplamente divulgada e utilizada por clientes e profissionais.

Infelizmente, muitos divulgam técnicas sem fundamento. Isso não é ruim por um lado, já que os clientes procuram e lotam as clinicas, professores ganham dinheiro com cursos. Mas por outro não temos garantias de resultados e a longo prazo veem os efeitos rebotes, veem as queixas de insucesso, as frustrações e os profissionais médicos muitas vezes nos encaram como charlatões e sem conhecimento. Experiência clínica é fundamental, sou super a favor disso mas evidencias científicas também são necessárias!

Que todos nós façamos uma reflexão: Será que realmente estou praticando a tão falada estética científica?

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ESTUDOS CIENTÍFICOS

Nível 1 (o mais alto) – Revisão sistemática da literatura ou metanálise:
É a comparação de ensaios clínicos semelhantes feitos sobre um tratamento.

Nível 2 – Ensaios clínicos randomizados com mais de mil casos:
Pacientes aleatoriamente divididos; um grupo recebe o tratamento e o outro é controle. Ensaios clínicos duplo-cego: nem pacientes nem cientistas sabem qual grupo recebe o tratamento pesquisado.

Nível 3 – Ensaios randomizados com menos participantes (50, por exemplo).

Nível 4 – Estudo caso-controle:
Pesquisa em que se compara dois grupos tratados de forma diferente.

Nível 5 – Opinião do especialista e relatos de casos.

Abraços e até a próxima!

Mariana Negrão

 

Referencias

– Lopes, AA. Medicina Baseada em Evidências: a arte de aplicar o conhecimento científico na prática clínica. Rev Ass Med Brasil 2000; 46(3): 285-8

– Sackett DL, Rosenberg WMC, Muir Gray JA, Haynes RB, Richardson WS. Evidence based medicine: what it is and what it isn’t. Br Med J 1996 January; 312(7023):71-2

 

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