Envelhecimento cutâneo e suas particularidades

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O envelhecimento é um processo biológico complexo, contínuo que se caracteriza por alterações celulares e moleculares, com diminuição progressiva da capacidade de homeostase do organismo, levando à senescência e morte celular programada (apoptose). É variável de um indivíduo para outro, de órgão para órgão. O envelhecimento é considerado como um mecanismo de prevenção contra o câncer, uma vez que o DNA genômico é continuamente danificado por fatores nocivos ambientais e pelo metabolismo oxidativo interno e a capacidade de reparação desses danos vai se deteriorando com o tempo. Se não reparado adequadamente, o dano acumulativo ao DNA interfere na divisão e funções celulares, levando a falhas homeostáticas, assim como desencadeia mutações nas células em divisão e, eventualmente, o aparecimento de lesões pré-neoplásicas e neoplásicas.

O envelhecimento da pele tem basicamente duas causas: a passagem natural do tempo (envelhecimento intrínseco, ou envelhecimento cronológico) e fatores ambientais que interagem com a pele (envelhecimento extrínseco). Também conhecido como fotoenvelhecimento, o envelhecimento extrínseco é provocado principalmente pela exposição ao sol, que tem efeito cumulativo e potencializa o surgimento de rugas e manchas.

O envelhecimento cronológico acompanha o processo ocorrido também com outros órgãos diante da degeneração natural do corpo e não tem relação com fatores ambientais. Com o passar dos anos, as células da pele diminuem sua capacidade de renovação, e os fibroblastos reduzem a produção das fibras de colágeno e elastina, que conferem firmeza e elasticidade á pele. Assim, a pele perde elasticidade e se torna mais fina e flácida, passa a apresentar rugas finas, e é acometida também pela atrofia.

Além disso, a menor atividade das glândulas sudoríparas torna a pele mais seca, e a diminuição da microcirculação sanguínea reduz sua vitalidade e luminosidade. Outro ponto relevante seria a fadiga muscular que também está associada no processo de envelhecimento. Todos os dias efetuamos mais de 1.500 contrações faciais, que marcam a epiderme na forma de linhas finas e rugas de expressão. O processo de envelhecimento cronológico acentua as rugas de expressão, que tendem a ficar mais profundas e visíveis.

Já, o fotoenvelhecimento é decorrente da exposição excessiva ás radiações solares. As radiações UVB penetram na epiderme e derme superior, enquanto a UVA atinge a derme profunda. A ação da exposição solar sobre o metabolismo das células da pele, queratinócitos e fibroblastos, gera uma sobrecarga que acaba esgotando os mecanismos celulares de defesa, quando então a célula inicia o processo de senescência. Nesta situação, o estresse oxidativo causa mutações genéticas no DNA, defeitos e alterações funcionais das proteínas e peroxidação dos lipídios das membranas celulares, influindo na sua permeabilidade, com alterações no transporte e nas sinalizações transmembrânicas. O DNA e as proteínas celulares são cromóforos, ou seja, absorvem a radiação UVA e UVB sofrendo ação direta que se soma aos efeitos sobre as membranas celulares.

Para retardar os sinais do processo de envelhecimento o importante é a prevenção. Existem diversos recursos físicos e cosméticos especializados aplicados ao rejuvenescimento da pele. Microcorrente, microdermoabrasão, vacuoterapia, corrente aussie, iontoforese, eletroporação, radiofrequência, entre outros, são recursos validados e altamente utilizados na estética para o rejuvenescimento da pele.

Os princípios ativos presentes nos cosméticos, como a vitamina C, o DMAE, o ácido hialurônico, entre outros, são associados aos recursos físicos no tratamento estético para a obtenção de melhores resultados. Além disso, os cuidados home care como, hidratação, higiene correta da pele e fotoproteção são importantes e devem ser orientados, pois são métodos que complementam e potencializam a terapia.

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