Efeitos do LED em mulheres com candidíase vaginal

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Colaborador: ALEXANDRE MAGNO DELGADO, aluno da Pós Graduação em Fisioterapia Dermatofuncional pela UnP (Universidade Potiguar) e Residente em Saúde da Mulher pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).

A candidíase vulvovaginal (CVV) é definida como sintomas de inflamação e um crescimento excessivo de Candida spp, particularmente C. albicans, sem outras etiologias infecciosas Ela é um dos tipos mais frequente de vulvuvaginites, secundário apenas a vaginose bacteriana bem como a razão pela qual as mulheres procuram atendimento ginecológico. Em uma recente pesquisa, 40% das mulheres com queixas vaginais foram diagnosticados como tendo CVV. Aproximadamente 75% das mulheres experimentam pelo menos um episódio de CVV durante a sua vida, mais comumente entre as idades de 20 a 40 anos. No entanto, cerca de 5% das mulheres com CVV experimenta CVV recorrente, que é definido como quatro ou mais episódios distintos em um único.

A CVV caracteriza-se pela presença de corrimento vaginal branco associado a prurido e ardência na vulva e na vagina. É encontrada principalmente em pacientes grávidas, diabéticas, que receberam terapêutica microbiana prolongada ou que fazem uso de contraceptivos orais. A infecção fúngica constitui-se de uma das formas mais comum de infecção oportunista, e a transformação da condição assintomática para a sintomática indica uma transição da forma saprófito para a forma patógena.

Atualmente, diversos antifúngicos têm sido indicados no tratamento de candidíases, no entanto a literatura tem demonstrado a ocorrência de cepas com sensibilidade diminuída e outras resistentes in vivo e in vitro a determinados quimioterápicos. Um novo tratamento alternativo para esses casos de resistência seria a fototerapia, e o LED (Light emitting diode) é uma opção promissora, mas ainda pouco frequente na prática clínica. O LED emite luz e é utilizado com o comprimento de onda que varia de 405nm (azul) a 940nm (infravermelho). Esta luz age também como antimicrobiano e antiinflamatório, dependendo do comprimento de onda e, por isso, os LEDs são indicados para as mais variadas afecções. Atualmente, eles têm sido utilizados nas mais diversas áreas da saúde.

A terapia com LED de baixa intensidade é não invasiva, atérmica e sem efeitos colaterais, com uma boa relação custo benefício. O LED azul (420-490nm) esta sendo utilizado para tratar candidíase. Ate o inicio da década de 80, desconheciam-se os mecanismos de ação da radiação  eletromagnética em nível molecular e celular.

T. Karu, em uma série  de  trabalhos  científicos realizados ao longo da década de 80 estabeleceu  as  bases  para  a  compreensão  dos mecanismos moleculares associados aos efeitos da luz sobre as células. Sabe-se atualmente que existe um mecanismo fotobiológico universal da ação da luz  na  cadeia  respiratória  de  células  eucarióticas e  procarióticas  com  enzimas  terminais  da  cadeia respiratória,  na  mitocôndria,  atuando  como  fotoaceitadores .

As respostas celulares surgem em reações primárias na cadeia respiratória e secundárias no citoplasma e no núcleo das células. Outro resultado de T. Karu foi a evidência de que a resposta celular à fotoestimulação não está associada a propriedades específicas da luz LASER, como a coerência. Isto abriu espaço para o trabalho com fontes emissoras de luz não coerentes como  os  diodos  emissores  de  luz  –  LEDs.  Estes dispositivos  são mais  baratos,  de maior  facilidade de  manuseio,  e  operam  com  correntes  elétricas relativamente baixas em comparação aos LASERs.

No entanto, há uma escassez de estudos que comprovem que as ações isoladas do LED atuem na melhora clinica de mulheres com candidíase vulvaginal, de modo que se tornam desconhecidos seus reais efeitos, bem como os parâmetros para sua utilização.

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Patricia Froes
Patrícia Froes é Fisioterapeuta, doutora em Ciências da Saúde pela UFRN, especialista em Avaliação Fisioterapêutica, Coordenadora da Pós-graduação em Fisioterapia Dermato-funcional na UNP, Natal, RN, autora de diversos livros dedicados a Fisioterapia Dermato Funcional e Dermatologia.

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