Edema e Linfedema

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A grande maioria de nós, quase todos os dias, atende pelo menos uma cliente com queixa de edema.  Existem diversos tipos de edema, e nos próximos textos irei abordar esse tema tão complexo. Hoje vou abordar a diferença dessas duas alterações que é imprescindível para que o tratamento seja adequado.

Edema é definido como acúmulo de quantidades anormais de líquido nos espaços intercelulares ou nas cavidades do organismo. Possui concentrações normais de proteínas, isso é o mais importante. As causas podem ser variadas: aumento da pressão hidrostática do capilar, redução da pressão coloidosmótica do capilar, aumento da pressão coloidosmótica do interstício, redução da pressão hidrostática do interstício e aumento da permeabilidade do vaso. Se existe alguma condição que altere essa correlação de forças ou a permeabilidade vascular, pode ocorrer o edema. (Cordeiro, 1993)

A principal característica do edema é a depressão (cacifo positivo ou sinal de Godet) da região comprimida, que volta à posição original em, aproximadamente 30 segundos a 1 minuto devido sua constituição do interstício ser líquida.

O sinal do cacifo ou de Godet  realiza-se comprimindo a região edemaciada com o polegar por cerca de 10 segundos e observando-se se há formação de depressão. A profundidade da depressão pode ser comparada com escala de cruzes, variando de (+) a (++++). Para efeito de comparação, a intensidade máxima (++++) é atribuída a edemas que formam depressões maiores ou iguais a uma polpa digital.

Fonte: gesepfepar.blogspot.com
Fonte: gesepfepar.blogspot.com

O organismo responde a formação de edemas com mecanismos compensatórios como: neoformação de vasos linfáticos, formação de anastomose linfático venosa, aumento de absorção de capilar sanguíneo levando proteínas pelo aumento da pressão tissular, quando esses mecanismos são superados começa-se a visualização do edema. O tratamento varia conforme o tipo de edema, o qual abordarei no próximo texto, mas em geral a drenagem linfática acaba sendo o tratamento de escolha.

Já o linfedema é o edema de parte do corpo, que ocorre como resultado de uma insuficiência no sistema linfático por anormalidades congênitas ou adquirido (exemplo após cirurgia de mastectomia) e que leva à tumefação de tecidos moles como resultado do acúmulo de fluido intersticial com alta concentração proteica. É, portanto considerado uma patologia e seu tratamento envolve uma equipe multidisciplinar. (Guedes, 2002).

Fonte: www.angiologista.org
Fonte: www.angiologista.org

Geralmente, acomete as extremidades, em especial os membros inferiores. No início, o edema é discreto, mole e depressível à compressão, mas, com a evolução da doença, torna-se duro e não depressível. (Guedes, 2002)

Cronicamente, esse aumento do volume do membro pode acarretar deformidades significantes, invalidez e, em um grau extremo, o aspecto elefantiásico; além disso, pode malignizar-se (Guedes, 1996; Thomaz, 1997).

De tratamento complexo, o linfedema exige conhecimento aprofundado do sistema linfático, da sua fisiopatologia e evolução bem como das técnicas de reabilitação. A terapia é conhecida como terapia física complexa descongestiva e é composta por drenagem linfática manual (técnica específica para essa patologia, não sendo igual a drenagem convencional), exercícios miolinfocinéticos, enfaixamentos compressivos, terapia por pressão pneumática intermitente, tratamento das lesões de pele e prevenção de complicações em geral. O acompanhamento se dá através de uma equipe composta por médicos, fisioterapeutas, enfermeiros e psicólogos, em alguns casos de deformidades por terapeutas ocupacionais também. (Perez, 2003;Borges, 2006; Foldi, 1978)

Referências

Guedes Neto HJ. Linfedemas – Classificação, Etiologia, Quadro Clínico e Tratamento não Cirúrgico. In: Brito CJ. Cirurgia Vascular. 1ª ed. Rio de Janeiro: Revinter; 2002.p.1228-35

Thomaz JB, Herdey ADC. Fundamentos da Cirurgia Vascular e Angiologia. 1ª ed. São Paulo: Fundo Editorial BYK; 1997.p.581-597.

Guedes HJ, Andrade MFC. Diagnóstico e tratamento do linfedema periférico. Cir Vasc Angiol 1996;12:6265

Camargo MC, Marx AG. Reabilitação física no câncer de mama. São Paulo: Roca; 2000

Földi M. Anatomical and physiological basis for physical therapy of lymphedema. Experientia Suppl 1978;33:15

Perez MCJ. Tratamento clínico do linfedema. In: Pitta GBB, Castro AA, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado. Maceió: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003

Cordeiro AK, Baracat FF, editores. Linfologia. São Paulo Fundo Editorial BYK-Procienx; 1993

Guirro ECO, Guirro RRJ. Fisioterapia dermato-funcional: fundamentos, recursos e patologias. São Paulo: Manole; 2002

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