Descubra o que Michelangelo e Da Vinci tem a nos ensinar sobre a arte da estética

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Sempre gostei de comparar minha atuação na área da estética com a lapidação de uma escultura. Então, quero fazer-lhe um convite: imagine um escultor durante a criação de uma bela estátua de mármore. Como será que ele consegue transformar toda aquela matéria bruta em curvas e formas tão suaves a ponto de encantar desde os olhos de crianças até críticos de arte superexigentes?

Mas, o que isso tem a ver com estética? Em minha opinião – absolutamente tudo! Somos, de certa forma, escultores da beleza humana. Iluminamos corpos, realçamos traços, disfarçamos imperfeições, aprimoramos a harmonia e devolvemos a autoestima de nossos clientes através de nosso trabalho.

Beleza é algo tão subjetivo quanto o gosto de cada um e nosso papel, como “artistas” é compreender e prezar pela beleza individual de nossas “obras de arte” – nossos clientes.

E, assim como as esculturas, pessoas não são iguais. É verdade que, como sendo animais de uma mesma espécie, temos muitas semelhanças internas e externas. Porém, desde as nossas unidades fundamentais – nossas células – até nossa expressão fenotípica (imagem) somos diferentes. Está inserido aí um dos princípios fundamentais da vida: a individualidade biológica.

Nesse contexto, quero convidar você a fazer uma pequena (mas indispensável) reflexão: será que é possível alcançar nosso objetivo profissional tratando nossos clientes de forma totalmente igual? Pensando em algo mais cotidiano, será que utilizar receitas de bolo sem modificar nenhum ingrediente, acrescentar algo novo ou modificar as proporções será capaz de agradar a todos os paladares? Acredito sinceramente que não.

Confesso que tenho certo receio em fazer tudo sempre igual, mas justamente porque não vejo como tratar pessoas diferentes em tantos aspectos (personalidade, genética, hábitos de vida e etc) da mesma forma.

Acredito que podemos e devemos aprender uns com os outros sempre. E aquele velho hábito de compartilhar protocolos de tratamentos pode ser benéfico quando encarado corretamente como uma espécie de guia e ajuda. Do contrário, pode se tornar um grande perigo de nos acomodarmos como profissionais e de mecanizar um trabalho tão essencialmente artesanal e sensitivo como o nosso. Conhecer as técnicas é importantíssimo, mas para saber o momento certo de utilizá-las, sua frequência e intensidade é preciso antes de qualquer coisa, entender profundamente nosso “bloco de mármore”, ou seja, nosso cliente.

O que quero chamar atenção de todos os profissionais e até mesmo dos clientes é para o fato de que se somos únicos e se possuímos características diferentes uns dos outros, o sucesso dos tratamentos estéticos não pode ser alcançado seguindo um caminho idêntico para todos.

Simplesmente copiar protocolos, esperando fórmulas mágicas, capazes de acabar com todos os distúrbios estéticos vai contra o nosso principal objetivo: esculpir e moldar a beleza específica de cada um, sem esquecer-se de prezar sempre pela saúde em primeiro lugar.

Como disse anteriormente, podemos sim ter guias de como agir, trocar experiências com outros colegas e até aprender com os erros já cometidos. Mas, o foco deve ser sempre a individualidade. O momento da anamnese é o nosso momento de começar a esculpir nossa escultura. O momento de vislumbrar o resultado final através de uma análise completa da nossa “matéria-bruta”. E, para nossa sorte, nosso “bloco de mármore” é capaz de expressar suas expectativas e nos contar bastante sobre sua composição física e ideológica, tanto através de palavras, como através de sua observação e inspeção.

Não sei se a nossa sorte é maior do que a do escultor, que pode simplesmente dar à sua obra somente as características que deseja, sem precisar se preocupar com a vontade da mesma. Mas, sem dúvidas, a nossa responsabilidade é infinitamente maior!

E como naquela famosa frase “grandes poderes trazem grandes responsabilidades”, temos o poder de modificar vidas através de nosso trabalho e temos a enorme responsabilidade de agir da forma mais ética, segura e eficaz possível para alcançar nossos objetivos!

Até breve!

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Laura Carmona
Laura Carmona é graduada em Biologia pela Ferlagos/RJ e em Fisioterapia pela UNESA/RJ, pós-graduada em Fisioterapia Dermato Funcional pela Escola Superior de Ensino Helena Antipoff - Faculdades Pestalozzi/RJ (2011), Mestre em Ciências da Reabilitação - UNISUAM/RJ e proprietária do Consultório de Fisioterapia & Estética Laura Carmona, em Cabo Frio/ RJ.

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