Criolipólise: A potente ação do frio no tratamento estético corporal

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A busca pelo tratamento de remoção de gordura e melhora do contorno corporal tem crescimento acentuadamente, isso se deve ao fato da mídia impor um padrão de beleza irreal. A lipoaspiração é ainda o mais efetivo tratamento para remover a gordura subcutânea localizada. Entretanto, esse é um procedimento invasivo que pode apresentar riscos cirúrgicos como infecções, cicatrizes, hematomas, equimoses, tromboses, embolismo pulmonar, assim como, riscos específicos associados a anestesia geral.

As complicações mais comuns da lipoaspiração são as irregularidades no contorno corporal decorrentes da técnica de introdução das cânulas e as possíveis aderências e fibroses que podem advir da falta de intervenção terapêutica precoce. Devido a esses fatores, a busca pelo tratamento de gordura localizada de forma conservadora tem aumentado consideravelmente e muitos equipamentos e procedimentos estéticos têm sido desenvolvidos para a redução de gordura subcutânea não invasiva com a ausência de riscos ao paciente e o mínimo ou nulo tempo de recuperação pós-tratamento.

Neste sentido, muitas pessoas pensam que para atingir resultados importantes no tratamento da gordura localizada o recurso a ser utilizado deve unicamente promover o aquecimento tecidual e produção de calor para que haja o aumento do metabolismo local. Porém, a realidade não é bem essa. Muitos pesquisadores da área têm publicado artigos científicos que mostram resultados significativos com o uso do resfriamento tecidual como forma de tratamento da gordura localizada.

Os artigos científicos sugerem que as células de gordura podem ser mais sensíveis ao frio do que outros tecidos quando realizada a técnica de aplicação de frio sobre a pele. Através de uma exposição controlada do tecido adiposo ao frio pode ocorrer indução de lesão seletiva no tecido adiposo subcutâneo. Essa exposição a baixas temperaturas por tempo prolongado, em média 40 a 60 minutos, estimula um processo inflamatório local com fragmentação dos adipócitos, no qual células pró-inflamatórias chamadas macrófagos serão responsáveis pela fagocitose e digestão das células de gordura, fenômeno chamado de apoptose ou morte celular programada, que resulta na redução da camada de gordura subcutânea, e consequente perda significativa de medidas.

Os pesquisadores mostram que os efeitos terapêuticos são mais visíveis após 2 a 3 meses com apenas uma única sessão de criolipólise. Ainda não há dados publicados sobre os efeitos de múltiplos tratamentos, porém os resultados das pesquisas científicas sugerem que um segundo tratamento pode apresentar melhores resultados.

No estudo de Shek et al. (2012), a criolipólise foi aplicada na região abdominal e ocorreu uma melhoria significativa de 7,2% na redução de gordura dois meses após o segundo tratamento. Isso nos mostra que a criolipólise é a técnica de escolha para o tratamento de gordura localizada de forma não invasiva com resultados extremamente satisfatórios. Porém, como todo recurso, após a sessão de criolípólise, o paciente pode apresentar algumas reações transitórias como hiperemia, contusões, entorpecimento, dormência e desconforto, mas essas reações desaparecem, em média, após 1 semana de tratamento. Na literatura, a técnica é considerada segura sem reações permanentes que comprometam a função sensorial.

Referências:

Shek et al. Non-Invasive Cryolipolysis for Body Contouring in Chinese – A First  Commercial Experience. Lasers in Surgery and Medicine, 2012; 44:125–130.

Avram et al. CryolipolysisTM for Subcutaneous Fat Layer Reduction. Lasers in Surgery and Medicine, 2009; 41:703–708.

Zelickson et al. Cryolipolysis for Noninvasive Fat Cell Destruction: Initial Results from a Pig Model. Dermatol Surg, 2009; 35: 1462–1470.

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