Cosméticos para quem brinca

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Segundo a resolução [CM/ResAP(2012)1] adotada pelo Committee of Ministers of the Council of Europe, produtos cosméticos infantis devem ser seguros para a saúde dos lactentes e devem conter apenas ingredientes não tóxicos, não alergênicos e incapazes de alterações endócrinas. Os conservantes devem ser usados em suas menores concentrações eficazes. E mais um monte de restrições. Formular produtos para crianças é tarefa para gente grande, pois os requisitos de segurança são ainda maiores dos que os necessários para produtos destinados a peles sensíveis. Quando o público é formado por crianças menores de 3 anos de idade, as regras são ainda mais rígidas e a responsabilidade atinge um patamar bem alto. A escolha dos ingredientes exige uma análise minuciosa, investigação toxicológica profunda, um belo conhecimento de química, biologia e permeação cutânea.
Nem sempre o que é “natural” é bom.
Vivemos um tempo de profunda confusão entre os consumidores, a maior parte das pessoas acredita que o que é natural sempre é melhor do que o sintético. Que grande engano!

Segundo minha xará, Sonya Lunder, analista sênior para o Environmental Working Group, “as palavras ‘naturais’ e ‘orgânicas’ são jogadas por aí muitas vezes sem padronização ou rigor por,” diz ela. “Isso não significa que a fórmula contém menos ingredientes prejudiciais ou mais naturais”.

“Natural” não significa seguro, concorda F. Alan Andersen, PhD, diretor da Cosmetic Ingredient Review, grupo independente financiado pela indústria de produtos pessoais nos Estados Unidos, que avalia a segurança dos ingredientes cosméticos e publica suas conclusões de maneira independente. Andersen disse que seu grupo muitas vezes tem dificuldade em completar as avaliações de segurança de produtos químicos derivados de plantas, pois ao contrário do que acontece com produtos obtidos sinteticamente, onde eles conhecem a química dos compostos, nos materiais de origem vegetal as informações não são tão claras.

Em sua vida prática, a dermatologista Patricia Farris, MD, professora na Universidade de Tulane/USA e consultora de empresas como Neutrogena, Beiersdorf e Unilever, diz que vê muitos pacientes que têm reações de sensibilização da pele causadas pelo uso de cosméticos classificados como produtos naturais. Ela diz que ela se lembra de um caso particular onde uma mulher teve uma infecção grave causada por uma levedura presente em um cosmético comprado numa loja de produtos orgânicos.
É claro que não se pode generalizar, nem tudo que é natural e orgânico e bom e seguro e nem tudo que é sintético é ruim. Essas categorias de fórmulas se alternam entre segurança e eficácia.

Então qual o caminho?

Conhecimento e experiência de vida- não há outra maneira de saber formular bons cosméticos para recém nascidos, bebês, crianças, ou qualquer outro publico. Este é o divisor de águas que separa os formuladores verdadeiros, dos, com perdão do mau uso da palavra, “cozinheiros”, que acreditam que formular cosméticos é meramente receber amostras de matérias-primas e misturar tudo para ver como fica o toque, o cheirinho e a cor. Chega de amadorismo, pessoal, está na hora de acordar para a realidade e evitar riscos desnecessários.

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Sonia Corazza
Sonia Corazza é engenheira química especializada em Cosmetologia e trabalha em Pesquisa e Desenvolvimento de produtos há 39 anos. Criou produtos e linhas cosméticas inovadoras para empresas como Natura, Boticário, Avon, IFF e outras líderes mundiais. Pesquisa a flora brasileira e os efeitos dos cheiros no cérebro a mais de 15 anos, sendo autora da obra referência "Aromacologia - uma ciência de muitos cheiros", da Editora Senac.

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